
As aranhas me ajudam mais uma vez a encontrar quem eu preciso. Amélia está ferida, escondida em um parque se recuperando. Pulo o portão do parque para encontrá-la, mas ela me encontra primeiro.
-Veio zombar de mim, boneca dos espíritos?
-Não, Amélia. Vim dizer que Henry precisa de você.
-Henry? Quem é esse?
-Você não se lembra?? Ele é um dos seus, você cuidava dele!
-Não. Eu não cuido de ninguém, sou solitária. Não existem filhotes perdidos.
-Ok, manipularam a sua memória também. Saco, não acredito nisso!
-Vocês não têm capacidade pra isso. Não existe nenhum filhote perdido.
-Então procure por um. Henry Thompson. Infelizmente não sei mais onde ele mora, mas acho que você tem seus meios para encontrá-lo. E me encontrar quando descobrir a verdade.
-Quando descobrir a verdade, as vísceras de quem devem ser expostas para que tudo volte ao normal?
-Não sei se isso resolveria. Pode acabar fazendo com que tudo fique como está permanentemente. Não sei ainda como resolver. Quando descobrir, me encontre e a gente vê o que fazer.
-Com esse cheiro vai ser fácil, boneca dos espíritos.
-Precisa de ajuda?
-Nunca precisei.
Volto pra casa. Tenho que rever as partituras, as letras... Mas nada ainda faz sentido... Fico ali, olhando... Já são duas e meia da manha, e nada ainda. Quando o cara dos computadores me liga e diz que terminou o serviço eu nem acredito. Corro até lá para ver o que eu descobri.
Ele me explica que não foram sites visitados e sim uma troca de emails com alguém que com certeza, não seria possível encontrar com o endereço de IP do servidor. Era alguém que sabia se esconder. Eu havia pesquisado muita coisa nesse sites de busca comuns, era só o que eu poderia fazer. Até receber o primeiro email dessa pessoa, que não era lá muito gentil.
“Vc ñ vai axar nd do q procura nesses sitezinhos d busca. Idiota.”
“Qm é vc? Como sabe o q eu to procurando?”
“Alguém que sabe + de pc q vc. E t digo, vc ñ axa nd assim”
“Como eu acho entao?”
“Isso é coisa pra falar pessoalmente. Ñ é assim ñ.”
“onde?”
E tinha um endereço lá, com uma data para o encontro, que já tinha acontecido há algum tempo. Resolvo mandar um outro email para aquele endereço.
“Ei, preciso falar com vc. Te acho no mesmo lugar?”
Quase instantaneamente a recebo a resposta.
“Cmo assim? Do nada? Qual é a senha?”
“Ando com um probleminha de memória. Por isso preciso te encontrar. Quero saber o que a gente conversou aquele dia.”
“Se vc ta com problema de memória, como vou saber que é vc?”
“cara, vc me conhece. Eu não to lembrando de NADA, mesmo.”
“e se a única coisa que vc se lembra é que quer me matar?”
“Eu não sei o que eu almocei ontem... Sério.”
“Então vc precisa de uma boa refeiçao. Vai na rua Bedford, nº 2541. Dizem que a comida é ótima. Deve ta fechado, mas quem sabe num abrem pra vc?”
“que comida o q, quero resolver minha vida. Apagaram minha memória, apagaram a memória do meu noivo, eu to ferrada. Não é d comida q preciso.”
“eu tenho uma solução pra isso. Quase uma pílula d dia seguinte, saca? Vai por mim, uma boa refeição é o melhor a se fazer agora... vai nesse endereço q t dei e vc vai sacar.”
“ta, né. Vou lá. Bom, sabe q eu num to no meu pc, então sinta-se a vontade pra apagar o q quiser sobre essa conversa daqui.”
“ok.”
“brigada”
Não obtive resposta. Faço o cheque, mas só pego o note amanhã porque o cara ta sem o HD novo que preciso. Vou pro tal restaurante.
Chego e bato na porta, esperando. Da janela, algúem responde:
-Bom, estamos fechados. Desculpe.
-Eu preciso comer... Desculpa... Não tem como abrir rapidinho, por favor?
Quando consigo ver quem estava ali não acreditei. Jacqueline WhiteWood. A mesma que salvou o Henry há... Bem... um mês.
-Jacqueline WhiteWood? Não me reconhece?
Ela me olha e quando me reconhece, desce e abre a porta. Lá dentro, enquanto ela me convence a realmente comer alguma coisa e prepara uma lasanha, eu vou explicando tudo o que houve. Digo que até cogitei a hipótese de procurá-la, mas achei que ainda não era a hora, que estava ali por acaso, que algúem com quem eu havia conversado dias atras me disse para ir lá dando apenas o endereço, sem falar quem eu encontraria ali.
Ela disse que conversaria com Tajana e veriam se seria apropriado que elas intervissem. Me explicou das conseqüências de se apagar uma parte do tempo, que as coisas importantes e boas que foram feitas naquele período poderiam nunca mais existir. Eu sabia de tudo aquilo, por isso não as procurei no início do dia. Me disse que eu saberia a posição delas, quer fosse acordando no passado ou por um telefonema explicando que não poderiam me ajudar. Eu entendia, de verdade.
Voltei para casa. Precisava continuar revendo as partituras, precisava descobrir o que tava ali, bem na minha frente e que tava sendo o motivo da minha vida virar de pernas pro ar.
Comecei a tocar uma delas, tentando achar sentido. Foi quando escutei a voz de Chambers me perguntando se eu tava bem. Ignoro. Ele insiste. Eu pergunto, nervosa, se ele podia me deixar em paz, quando começo a me sentir tonta, muito tonta. Fecho os olhos para tentar amenizar a sensação. Ligo pro Al, peço pra ele ir lá.
-Quem é Al? Ele pode te ajudar? – pergunta Chambers.
Então abro meus olhos. Estou de volta no leilão. Mesma roupa, mesmas pessoas me olhando sentada numa cadeira, Chambers à minha frente, como se me ajudasse. A tontura passa. Meu celular marca dia 18 de março de 2008. Será que as WhiteWood já reverteram tudo???
Ligo pro Al e digo que estou bem, melhorei, foi só uma tontura forte. Ele não se contém e diz:
-Shan, fala sério... Tá saindo com algum carinha que não presta, né?
-Que cara, Al! O Henry não é tão liberal assim!
-Ué, pensei que vocês já tinham se acertado a esse respeito. Ou vocês voltaram e não me contaram?
Como assim, “VOLTARAM”?? Olho meu dedo. Nem marca da aliança tem.
Saio dali correndo pra casa, na medida que o limite de velocidade permite. MALDITO ACORDO!
Lá, não acho nada do Henry. Só no fundo do meu armário, uma caixa pequena com o nome dele escrito e alguns poucos objetos sem importância dentro.
Só podia chorar. De raiva, desespero, medo, impotência, por medo do que me tirariam no dia seguinte. Adormeci...

2 comentários:
Como disse o Lucas, o único real motivo para eu ter reiniciado a crônica, era para ter o Peter de volta. *-*
*-*
Sabe que eu amo ele?? E que tô feliz dele estar vivo de novo?? *-*
Beijinhos!
Postar um comentário
Lembre-se antes de comentar: TODOS os fatos são fictícios e as imagens meramente ilustrativas, ok?