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domingo, 11 de outubro de 2009

Pequena mudança de planos


Mais uma vez, sangue colhido. Aviso a Stuart e ele diz que vai tentar resolver.

Voltamos a falar sobre a peça que Lancaster recebeu, e que me mostraram na sala dele quando Aleksei saiu. A peça brilhava se fizéssemos ela rodar, mas somente quando Aleksei não estava perto, o que o deixou ainda mais incrédulo com tudo. Era uma placa de metal com apenas uma inscrição semelhante à da Bebedora de Alma. Não fazíamos idéia do que era aquilo.

O resultado ainda não saiu. Aleksei foi pra sala dele, está muito tenso para conversar. Erick e Lancaster vão almoçar, mas eu não quero comer. Vou correr.

Algumas voltas no quarteirão, percebo que eles terminaram de comer. Me aproximo e me sento à mesa com eles, pedindo uma água. Falamos sobre o que fazer se Stuart (que eles não sabiam quem era, pois tomei cuidado de não dizer o nome dele em nenhum dos telefonemas) não conseguisse trocar os resultados. Até que Dr. Lancaster surta (até então ele parecia alguém normal). Ele colocou as mãos nos ouvidos, como se ouvisse um som muito alto. Depois de um tempo, para e fica olhando um ponto fixo, falando com o nada. Nos olha e pergunta se estamos vendo. Estende a mão e pega algo no ar, invisível, e coloca no bolso. Mais uma vez, parece escutar algo muito alto. Para, nos olha e diz:

-Vocês viram o anjo??
-Tá maluco??? Que anjo??
-Que me deu isto aqui. Disse pra você usar, Shantel. Diz que isso ajuda a mudar a opinião dos homens.

E me entrega, simplesmente, a Rosa das Emoções, o colar de rubi lapidado em forma de rosa que eu havia visto no leilão e que havia sido ROUBADO de lá.

-Lancaster, COMO você conseguiu isso aqui? – escondo a jóia como consigo em minha mão. – Isso foi roubado da casa Holtz! E... Deveria ser destruído!

-O anjo que me disse que você é Maria acabou de me entregar e disse que se você usar enquanto conversa com seu irmão, ele muda de idéia.
-Claro, eu vou entrar com um colar roubado e uma blusa de ginástica numa DELEGACIA!
-Toma minha jaqueta...

Lancaster me empresta a jaqueta dele e enquanto a coloco, Erick esconde o colar com muita facilidade em apenas umas das mãos. O próprio Erick se inclina na minha frente para eu poder colocar o colar sem que ninguém veja. Assim, vou até meu irmão.

-Al...
-Que foi Shantel? – sem me olhar.
-Al, desculpa... Eu sei que não ando bem, mas não tinha necessidade disso...

Ele levanta o olhar para mim, e a expressão dele muda. De tensa, brava, volta à expressão do irmão amável e carinhoso.

-Você que achou que eu estava bravo e trouxe o pavê! Que, aliás, não sei por que, mas te perdôo... – ele diz sorrindo, mostrando o doce sobre a mesa.
-Ah, toda essa história da Anikka... Às vezes eu surto mesmo... Mas não precisava ter pedido exames dos meus amigos que tentam me ajudar, só porque são médicos, né?
-Exames?? È mesmo! Nossa, onde eu estava com a cabeça... Vou buscar os resultados, espera...
Eu não posso acreditar... Funcionou!! Ele volta com os resultados em mãos... É agora...
-Parabéns, maninha!! Como uma boa garota! Tudo em ordem, para todos vocês! Como recompensa, o doce é todo meu!

Rio, dou um beijo em meu irmão e saio dali. Não posso acreditar!

Aviso aos meninos que funcionou tanto o colar, quanto a troca dos resultados. Combinamos de nos encontrar em minha casa para que pudessem ver a espada, depois que eles buscassem a garota na casa do médico. Lancaster me pede de volta o colar. Não, não vou devolver. Fui eu quem criou e já que pode ser útil, que fique comigo.

-Você queria destruir o colar, agora quer ficar com ele?

Olho com o canto de olho para Erick. Me volto para Lancaster, ainda usando o colar.

-Que colar?
-Hein?? Do quê você está falando?
-Do que você deixou comigo! Não vou devolver!
-Vai devolver minha jaqueta sim! – ele responde, me olhando.

Ótimo! Erick apenas ri, enquanto eu resisto à tentação de dizer ao doutor que ele era gay e havia se apaixonado perdidamente pelo meu irmão. Mas Aleksei não ficaria feliz com isso...
-Em casa te devolvo, doutor... Quando você for ver a espada, ok?
-Acho bom!

Seguimos, cada um para seu caminho. Vou esperar os três lá, depois de ligar para Stuart.
-Acho que você está me devendo uma visita, gata!
-Claro! Passo aí hoje à noite, pra ver como você está... Você foi brilhante!
-Eu SOU brilhante! E estou precisando de uma enfermeira...
-Claro! Termino de resolver umas coisas, tomo um banho e te ligo! Brigada, gato! Salvou minha pele!
-Disponha, gata! Mas nada é de graça...
-Te pago assim que nos vermos, ok? Beijos!
-Beijo!

Saio do carro já estacionado na minha garagem. A primeira coisa a fazer é enrolar o colar num lenço, com cuidado, colocar dentro de uma fronha de travesseiro bem macia e esconder no fundo de alguma gaveta. Ótimo. Agora a maldita espada suja de sangue. COMO isso foi acontecer?

Péra!! Cadê a porcaria do sangue que tava aqui??? O lençol ficou no meu carro!

Limpo também! COMO??

Ah, já não sei de nada! Deixo a espada ali mesmo, sobre a cama, enquanto tento entender o que está acontecendo. Os caras estão demorando pra caramba! O jeito é esperar...

Nexus, drogas... Cara, preciso de mais rock n' roll...


Ok, vamos tentar ser racionais... As coisas não aparecem assim, simplesmente... Ascelus deve estar mesmo precisando de mim... Ou eu sou ela mesmo... Ah!! Preciso esconder isso...

Ela não é pesada... Pelo menos não tanto quanto parece... Preciso esconder isso...

Enrolada num lençol, vai pra debaixo do colchão. Vai ficar ali até eu achar um lugar melhor.

Ligo pro restaurante russo, encomendo o pavê de nozes que eu e Aleksei comemos muito quando éramos crianças. Adorávamos! Confirmo com Charlotte que ele esta trabalhando.

Pego o doce antes de ir pra delegacia. Mas ele não parece muito feliz em me ver. Tento explicar o que está acontecendo de verdade, ele não acredita, acha que estou louca. Resolvo mostrar a espada a ele. Ele me acompanha até em casa, adiantando um pouco a hora do almoço.

No caminho, conto tudo para ele. As duas versões. Tudo, não deixei nada pra trás. Jonothan, Henry, Dr. Lancaster, Amélia, Miguel, nexus, tudo. Só piorou as coisas.

Mas tudo ficou pior quando eu mostrei a espada a ele. Ela estava suja de sangue, o lençol que a envolvia estava sujo, tudo coberto de sangue. Ótimo.

Ele tenta levar a espada para análise, mas deixo que leve apenas o lençol. Ele cada vez mais acha que eu estou usando drogas, Sugiro um exame toxicológico. Ele diz que caso seja positivo, vai me internar numa clinica de reabilitação. Eu não tenho nada a esconder. Convenço-o a irmos a outro hospital que não seja o do maluco do Lancaster. Com resistência, ele concorda, desde que logo após fazer exame em outra, eu vá fazer exame lá sem reclamar.

Sangue colhido, espera de resultados... POSITIVO??? COMO ASSIM???
Várias drogas constavam no exame, como se uma só metabolizasse em várias. Só coisa cara e nova tinha aquele potencial. Mas eu não consumi NADA!!! Não tem como estar certo, tem algo errado! Ok, vamos pro Lancaster...

Mais uma vez, sangue colhido... Aleksei resolve andar no jardim enquanto espero o resultado do exame na recepção.

Tento esconder o rosto quando vejo o Dr. Lancaster passando pela recepção, com um homem de mais de dois metros de altura e uma menina de uns 15 anos. Mas o homem se aproxima de mim. Lancaster segue para a sala, tenso com a minha presença ali e a menina atrás, quase uma sombra dele. Pergunta meu nome, fala que se chama Erik, e diz, sem pudor:

-Olha, já tentei rodear várias vezes sobre esse assunto, então... Você é um nexus, como nós?
-Ok, sim, eu sou... Como você sabe?
-Senti. A gente pode conversar na sala do Dr. Lancaster?
-Olha... Se você anda com ele... É melhor se cuidar. Ele é maluco. – e conto o que já passei com o doutor e Erick fica surpreso, diz que está tudo correndo bem entre eles. Aviso a Aleksei que vou até a sala do Doutor pra conversar com algumas pessoas, ele e resolve ir junto. Quando ele volta para a recepção, vamos todos juntos até a sala.

Lancaster não parece muito feliz em me ver. Fica menos feliz ainda quando Erick começa a conversar comigo dizendo que o doutor também recebeu um “presente” enquanto dormia. Aleksei, incrédulo, simplesmente tira o celular do bolso e pede um mandado para exames de toxicologia para o doutor e Erick! Assim, simples, fácil. Fiquei abismada!

Ele sai da sala, muito nervoso. Segundos antes do resultado chegar. Positivo de novo. Ok, desisto. Vamos ver se o Stuart sabe me explicar isso. Ligo pra ele.

-Nossa, ta mesmo com saudades, heim, gatinha??
-Gato, na verdade, a história é outra... Preciso saber uma coisa... Eu NUNCA usei drogas, mas na tentativa de provar pro meu irmão que eu não to maluca, fiz o exame e deu positivo! Repeti em outro lugar e deu positivo de novo. Agora ele quer exames do Dr. Lancaster e de mais um cara que parece ser dos nossos. O deles vai ser assim também?
-Olha gata... Somo pontos concentrados de energia, certo? Nosso cérebro é movido a energia... Então, na gente, ele trabalha diferente do que trabalharia em pessoas normais, produzindo esses hormônios que drogas produzem, mas não há efeito em nós porque somos assim, entende?
-Então... Tô ferrada?
-Mais ou menos... Me diz onde vocês vão fazer os exames, que eu posso tentar alterar os resultados... Mas TENTAR! Invadir um computador e / ou me manter lá sem que me descubram não é fácil.
-Sério?? Não sabia que você sabe fazer isso... E se conseguir... Fico te devendo muito, gato!
-Bom, agora tenho mais motivos para me empenhar... Sabe como é... Preciso de uma enfermeira pra cuidar de mim...
-Claro! Assim que eu souber te aviso e se você conseguir... Eu passo ái pra te agradecer, levar uma sopa... Sabe como é!
-Sopa? Ah, claro!! Me mantenha informado, ok?
-Ok! Beijos!
-Beijos!

Desligamos. Explico pros caras o que vai acontecer. Algumas idéias absurdas depois, resolvemos ir com Aleksei e deixar que ele faça os exames, confiando nas habilidades de Stuart.

Mandamos a garota de volta para a casa de Lancaster e seguimos até os laboratórios da polícia.

quarta-feira, 7 de outubro de 2009

Asas




Fui pra casa terminar o banho, bem rápido. Antes de qualquer coisa, precisava entender que havia acontecido lá, pra depois tentar falar com o Al.

À noite aquele ferro velho chega a ser bem sombrio, principalmente com os três dobermanns latindo e querendo um pedaço meu. Um deles vem abrir o portão pra mim. Legal. Passo a tarde inteira no motel com um deles e não sei qual está bem à minha frente. Peço licença e confiro o tríceps direito. Nada, não é o Jack. No esquerdo, uma tatuagem idêntica a do irmão... Parecem se encaixar...

-Olá Stuart.
-Eu sou Jack! ELE é o Stuart. Cara, você passou a tarde inteira no motel com ele e não sabe o NOME dele??
-Ele me disse que era o Jack!
-EU sou o Jack! ELE é o Stuart!
-Ok, vou diferenciar os dois pelas tatuagens. – e entro, sabendo menos ainda de tudo.
-Ele ta no quarto.
Stuart (ou Jack, sei lá! O da tatuagem na direita) me recebe com um sorriso.
-Gatinha!!! Já esta com saudades? Não conseguiu esperar ao menos até amanhã pra me ver de novo?
-Gato, você é ótimo, mas não é por isso que estou aqui. O que foi aquilo?
-Já disse, eu não me canso fácil desde que meu irmão esteja bem!
-Não é disso que to falando... Fumori, certo? O que é aquilo? E COMO vocês conseguiram ressuscitar a coisa... E quem era aquela menina com vocês?
-Calma... Uma pergunta de cada vez. Bom, aquilo era um fumori sim. Um espírito mau, que possuiu aquele homem e deixou ele daquele jeito.
-Deformou ele por completo... Mas um espírito consegue mesmo fazer aquilo?
-Sim, eles são espíritos “grandes” demais, fortes demais. Deformam o corpo que possuem para “caber”, saca?
-Entendi. E a menina, quem era?
-Que menina?
-Pára... Quem é? É uma de nós? Uma irmã de vocês? Bonita daquele jeito, por isso que não a vi por aqui... Do jeito que vocês são, devem morrer de ciúmes dela.
-Sim, a mantemos trancada num porão secreto debaixo de uma pilha de carros e a alimentamos somente a pão adormecido e água.
-Nossa... Como vocês são cruéis... Ainda bem que só tenho UM irmão ciumento.
-Da polícia, o que dá uma vantagem enorme pra ele. – ele sorri – ela é alguém especial.
-Tá. E como vocês três conseguiram ajeitar tudo?
-Mágica, gata.
-O que houve lá??
-Já disse, mágica... Olha, isso aqui ainda demora umas duas semanas pra sair, ta? – disse apontando algumas marcas no peito. – To convalescendo...
-Tá bom... – rio
-Sério, ainda dói! Você podia me dar um beijo pra ajudar a melhorar, né?
-Ué, achei que fosse algo casual. Se eu te beijar toda vez que te ver, vai virar algo freqüente, que vira algo serio.
-Tecnicamente ainda estamos no mesmo dia, ainda vale.
-Olhando por esse lado, pode até ser. – me aproximo e o beijo. – Melhora, ta? Não quero perder meu brinquedo. – sorrio.
-Ah, claro!! – ele ri - Te cuida, gata!
-Pode deixar. – finjo que vou sair – Ah! Você ainda não me contou como fizeram aquilo.
-Cara, você não esqueceu. Se você tem fé e precisa passar numa prova, pede a Deus e passa, vai se perguntar por que passou??
-Não. Mesmo tendo fé eu vou estudar e vou saber por que passei. COMO vocês fizeram aquilo?
-Mágica...
-De quem? Da garota?
-Dos três.
-Se vocês conseguiram fazer aquilo com dois mortos, imagino o que não fariam com pessoas apenas machucadas... Como eu queria ter amarrado vocês no pé da minha cama quando participava de campeonatos de sambo... Saía toda quebrada.
-Um pouco egoísta, não?
-E quem disse que eu sou caridosa? Melhora logo... – sorrio – Ainda bem que seu irmão está bem...
-EI!!! Nem pensa em me trocar pelo meu irmão! E nem finge que confundiu, ok? Eu vou saber!
-Eu não havia falado por isso, mas... – me aproximo e o beijo de novo, rindo -. Melhoras e até mais.

O outro Manson (da asa esquerda) me acompanha até o portão para que os dobermanns me deixem inteira e então eu sigo para a casa do Aleksei.
Meu irmão não estava lá, Charlotte não sabe onde fica o bar secreto dos policiais. Na delegacia ninguém me fala nada, é o segredo deles. Procurando não encontro. Mas Kevin, um amigo dele e meu aluno de sambo na academia me encontra.

-Ei gata! Ta perdida?
-Kevin! Bom, mais ou menos. Preciso falar com o Al. Sabe onde ele ta?
-Saber eu sei. Mas não posso te falar. Segredo da polícia. E Shan... Ele não ta legal, precisa de um tempo. Dá esse tempo a ele...
-É... Você tem razão. Saco, eu sei que ele ta mal por minha causa... Preciso falar com ele senão eu surto... Sabe como a gente é.
-Sei, mas tenta relaxar. Ele precisa disso, deixa ele. Vai pra casa, amanhã vocês conversam.

Não vou pra casa. Passo numa festinha na casa do Black, onde a galera ta “comemorando” a recuperação da Marrie e se drogando. Eu nem bebo, mas fico olhando o pessoal chapado e rindo deles.

Hora de voltar pra casa.

Dormir e sonhar... Com Ascelus.

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

Nem tão simples assim... NADA simples.


Acordo nos braços de Jack. Sim, cada vez mais entendo o fascínio de Ascelus sobre nós. Ele me vê acordada e fica bem animado. Eu acabo tendo a idéia de mandar um “presente” pro irmão dele. Quem sabe assim todo mundo fica satisfeito?

Ligo pra Marrie e peço a ela que vá ate a casa deles, porque meu amigo esta sozinho lá, sem companhia... ela entende o recado e pede pra falar com o Jack. Depois de várias perguntas absurdas, eu pego o telefone, tiro uma foto dele e mando pra ela, que fica muito, mas muito feliz. Mostro uma foto dela pro Jack e ele diz que o irmão vai gostar da surpresa. Ótimo! Quando ela chegar lá ela vai me ligar, posso dormir mais um pouco.

E volto mais uma vez ao quarto de Ascelus. Cara, isso ta MUITO estranho mesmo. Não é possível que eu seja uma deusa! Uma deusa das rosas! Não mesmo...

Vejo Zós nas sombras.

-Está tudo bem, Zós?
-Sim lady Ascelus.
-Já teve alguma noticia da nossa possível criação?
-Nada de realmente grave, que seja relevante.
-Fico feliz. Eu ainda não entendo a relação deste mundo com o dos humanos. Não entendo como sempre venho para cá quando durmo lá, Zós... Simplesmente acordo aqui...
-Na verdade milady, você apenas sonha com as vidas que teve quando dorme aqui... Se lembra delas...
-Então... Sou de fato Ascelus, e não Shantel?
-Sim, milady! - ele sorri, surpreso com a pergunta.
-Então Zós, preciso continuar me lembrando. Vela por mim?
-Como sempre, milady.

Assim que fecho os olhos, meu telefone toca e me trás de volta. Era Marrie avisando que chegou lá. Agora sim todos iríamos sair de lá satisfeitos...

Sim... Muito satisfeitos. Mas agora Jack sentia cansaço praticamente dobrado. Não que ele reclamasse, ou que eu achasse ruim. Continuávamos nos divertindo um bocado. Quando eu vejo que ele estava precisando de um tempo, o coloco pra dormir em meu peito. Ele descansa um pouco mas acorda logo. Noto que ele tem uma tatuagem de uma asa no tríceps direito, bem bonita. Decido ir para o banho, ele resolve dormir mais um pouco.

Do chuveiro escuto um barulho enorme e corro para o quarto. Vejo a parede derrubada e uma criatura horrenda, completamente distorcida, com braços e pernas enormes, e garras afiadas atacando Jack. Eu só esperava que Stuart estivesse bem.

Eu não sabia o que fazer!! Não sabia nem o que era aquilo!

Na confusão vejo meu telefone. Ligo pro Al e peço a ele pra ir lá. Ele não entende nada, mas concorda. Ligo pra casa dos Manson pra falar com Stuart, mas ninguém atende. Ligo pra Marrie e ela me conta que ele está no banho há algum tempo. Preocupada, mando ela arrombar a porta.

Jack já não reage mais. Eu PRECISO fazer alguma coisa. Me aproximo daquilo e dou um soco na cabeça dele. Ele me olha e continua batendo em Jack, que está muito ferido. Chuto as costelas do monstro, e ele cai longe. Aproveito que ele está no chão e continuo chutando até ter certeza que ele estava morto. Corro pra tentar ajudar Jack. Em alguns segundos ele abriu os olhos.

-Cara, como você ta?? – pergunto, tentando estancar o sangue.
-AI!! Não encosta, ele quebrou essa costela... Ouch...
-Desculpa!! Que eu faço??
-Me beija...

Eu paro e olho pra ele. Pego minha camiseta, minha calcinha e me visto.

-Sério... Me beija... Você não vai me negar meu último desejo, vai? Aiiiiiiii....

Rindo, me aproximo dele e o beijo. Falo, brincando:

-Espero que esse evento não atrapalhe futuros encontros. Calma, não to te pedindo em casamento! Só acho que o que é bom não deve ser desperdiçado, entende? Tipo... Sexo casual!
Ele ergue as mãos, brincando.

-Aceito!! Só me lembra de não te irritar, tá? Se você cisma, se eu não te agrado... – olha a criatura morta, que parece estar encolhendo e se parece agora com um humano normal – Espero não te irritar NUNCA.

Então escuto pelo celular:

-Shan... Sha-an... Ai...
-Marrie?? O que foi??? Tá tudo bem?
-Tá... Bom, acho que desloquei o ombro... Ele ta la dentro ainda... To... ai... preocupada...
-Olha relaxa... O irmão dele já ta bem, ele deve estar também. Logo ele sai daí. Coisa de gêmeos. Problema hereditário de saúde... Descansa.
-Tá né... Doida.

Não dá nem tempo de me divertir com isso. Percebo que no quarto de onde saiu a criatura existe uma mulher morta sobre a cama.

Batem na porta e eu tenho certeza que é o Aleksei. Abro a porta e vejo que estava certa. Ele entra e a expressão dele muda. Olha a cena, o cara morto no chão e o cara seminu sentado na cama. E vê a irmã mais nova seminua. Num motel.

-O que houve aqui?
-Al, eu tava... erm... Tomando chá com um amigo... Aí o cara simplesmente derrubou a parede e atacou o Stuart!
-COMO o cara derrubou a parede? – ele olha o cara no chão – quem fez isso?
-Eu...
-Shantel, você MATOU um homem?

Enquanto eu converso com Aleksei, Jack liga para alguém e pede pra ir até lá, diz algo sobre a criatura ser um “fumori”. Em alguns minutos batem na porta de novo. Stuart e uma outra garota que eu ainda não conheço entram no quarto e falam com Jack. Pouco depois, Jack me chama, enquanto Aleksei vai olhar toda a cena direto. Ele pede pra eu distrair meu irmão um pouco. Concordo e saio do quarto com Al.

Aleksei está muito tenso. Diz pra eu sair dali, sumir, evitar o flagrante. Diz também que eu tenho que rever minhas companhias, e todo aquele papo de irmão mais velho superprotetor pra cima da irmãzinha que acaba de matar um homem.

Até que os três saem do quarto. O que estava com a roupa do Jack se vira para o Aleksei e diz:

-Cunhadinho, precisa dar uma bronca na sua irmã. Eu avisei que fingir que matar um homem pra fazer hora com você não era uma boa idéia. – ele olha pra mim, sorri e continua – gatinha, vou te ligar logo! Beijos!

E os três simplesmente vão embora.

Al e eu entramos no quarto e podemos ver pela parede quebrada, o homem dormindo calmamente ao lado da mulher. Vivos. Respirando.

Aleksei me olha de uma forma assustadora e diz, enquanto caminha para a saída:
-Da próxima vez que quiser fingir que matou alguém chama os seus amigos malucos.

Não adiantou chamar. Ele não ia voltar. Me visto rápido, pago a conta, pego meu carro.

Eu PRECISO falar com os Manson.

sábado, 3 de outubro de 2009

Seguindo adiante... Apenas isso.


Acho o telefone na agenda do meu celular. Em um tom debochado, escuto do outro lado da linha:

-Retífica Manson!
-Quem fala?
-Jack Manson. Quem é?
-Khodasevich. Tudo bem, Stuart?
-Ah... A garota que encomenda as coisas e esquece de buscar. Sou o JACK, estou bem sim, e vc?
-Aham, Jack, sei... Vivem se passando um pelo outro. Mas eu to bem! Preciso mesmo pegar minha pulseira com vocês, ela já está pronta?
-Há um tempão! Pode vir buscar quando quiser.
-Legal! E o que tem de almoço aí hoje?
-A mesma porcaria de sempre...
-Porcaria??? E tão ruim assim? E você vai comer isso assim mesmo?
-Você não faz idéia. Ta me convidando pra almoçar?
-Na verdade, estou ME convidando pra almoçar aí...
-Olha, acho que você não vai gostar mesmo da comida daqui... Não prefere um restaurante?
-Pode ser! Tem um muito bom na Boulevard Street , bem na esquina com Green Tree. Pode ser?
-Claro! Levo a sua pulseira!
-Te vejo lá em meia hora, Stuart!
-Jack. Ok, nos encontramos lá.

Pego meu carro e sigo lentamente... Acho que já cansei de ouvir buzinadas e palavrões dos outros motoristas...

Chego lá um pouco atrasada.

-Demorou...
-Desculpa... Trânsito complicado.
-Ah! Achei que ia dizer que estava de longe olhando o cara bonitinho encostado na moto!
-Mas você não esperou eu dizer tudo! Só disse o que estava pensando no EXATO momento em que você me perguntou. A frase toda era “Droga!!! Podia estar aqui de longe olhando esse cara bonitinho encostado na moto, mas estava no TRANSITO COMPLICADO!” Erm... Colou? – sorrio. Ele ri de volta.
-Vou fazer um esforço enorme pra colar, ok?

Ele se surpreende com o restaurante russo que escolhi, diz que só entrega a pulseira depois do almoço. Nos sentamos, olhamos o cardápio em russo. Explico pra ele sobre os pratos e sugiro um, que ele aceita. Ele me entrega a pulseira e me ajuda a colocá-la. Uma corrente de moto. Até estilosa.

Durante a conversa descubro um pouco sobre ele, ele descobre um pouco sobre mim. Me pergunta porque do meu atraso. Conto para ele do acordo com o espírito aranha. Ele se surpreende, me pergunta se eu faço idéia do que aquilo significava. Eu digo que não e ele me conta:

-Cara, você anda pelo lado de lá sem querer e ainda fica fazendo acordo com espíritos? Sabe o que vai acontecer? Sabe esse seu processo de agressão? Vai se declarar CULPADA no seu julgamento! Você vai PEDIR para ser presa. Só se livrando desse acordo pra não fazer isso. E como se livrar... Eu não faço idéia.

Além de descobrir que estou completamente ferrada porque se o que ele estiver falando for verdade – e deve ser - eu vou acabar entregando o Henry, descubro também que apesar de idades próximas eles já estão nessa há seis anos. Já têm seus aliados, inclusive me diz pra tentar me enturmar com quem está se descobrindo agora, como eu. Eles não conhecem ninguém que possa me ajudar.

Contou que ele e o irmão têm uma espécie de elo empático. A condição física dos dois é exatamente igual, tanto que se um faz algum exercício e ganha massa, ela some se o outro não tiver se exercitado. Claro, não dizia uma frase inteira sem me passar uma cantada. Eu sorria e correspondia quando convinha. Ou seja, quase sempre... E a essa altura, ele já tinha desistido de me convencer que ele era o Jack. Pra mim não fazia diferença, eu sabia que nunca ia aprender a diferenciar os dois. Afirmava que ele era o outro irmão só por brincadeira mesmo.
Eu realmente me sentia livre para me envolver com outras pessoas, tinha essa vontade até. Não havia esquecido Henry, mas agora era um momento meu. Estava bem assim.

Quando saíamos do restaurante, ele se despediu de mim. Sorri e disse, em tom de provocação:

-Você deve ter algo muito interessante pra fazer agora...
-Na verdade, estou dando uma de difícil!

Eu não disse mais nada. Peguei a gola da jaqueta dele e o levei até meu carro. Ele, rindo disse:

-Ok, desisto, você é muito boa...

Ele até pensou em dirigir, mas eu me sentia muito incomodada com pessoas dirigindo sem respeitar as leis de trânsito.
Ele ficou mais surpreso ainda quando viu os cds do Iron, AC/DC, Rammstein, Pink Floyd, Korn, e coisas do gênero, no porta cd's no meu carro

Calmamente, seguimos para um motel. Eram duas da tarde...

quarta-feira, 30 de setembro de 2009

Gêmeos bons, gêmeos maus, confusão sempre...




Dessa vez eu e o Henry saímos para correr de verdade. Depois do exercício, dou a desculpa de que preciso olhar alguns preparativos para o casamento e saio direto para o hospital.

Enquanto pergunto pra recepcionista sobre o doutor Lancaster, a doutora Lancaster me aborda. Acho que houve algum engano. Ela me leva até a sala dela. Depois de me apresentar e dizer o motivo de eu estar ali, ela surpreendentemente me leva até os arquivos e me mostra a ficha do cara! Com certeza foi o wisky que ela bebeu enquanto conversávamos. Aquilo era contra a lei! Mas ok, o tal cara existia mesmo, tinha um irmão gêmeo e eu agora precisava anotar o endereço dele.

Do nada a mulher simplesmente me dá um tapa! Maluca! Empurro ela pra longe, mas ela volta e me dá outro tapa, dizendo que eu era uma vergonha para os nexos.
Nexos?? Que nexos, sua doida?? Aquilo que você perdeu?
Dou um soco nela e saio correndo dali. O processo por agressão ao bandido que matou minha filha ainda tá correndo, eu não posso me meter em confusão. Claro, ele mata a minha filha e eu sou processada... Enfim...

Na saída apressada, trombo com um cara que devia ser irmão gêmeo daquela maluca. Ele diz que é o doutor Lancaster e que a tal mulher não existe. Depois de averiguar as fitas de segurança onde eu andava SOZINHA pelo hospital até a sala dela e depois até a sala de arquivo, ele acredita em mim e me leva até a sala dele. A mesma da maluca.

Mais uma vez, explico a ele o motivo de eu estar ali e conto que a outra já havia me dito tudo sobre o caso da noite anterior. Ele diz que me daria o endereço, desde que fosse comigo. Depois de tudo, já não me assustava com mais nada. Ele também devia estar curioso com a recuperação relâmpago do tal cara.

Ele no carro dele, eu na minha moto, chegamos ao endereço. Um ferro velho, AC/DC tocando bem alto. Bom, comecei a gostar dos caras. Um deles tá debaixo de uma pick-up. Ele sai, me olha de cima a baixo e se apresenta como Jack Manson. Diz que o irmão, Stuart, estava em observação em algum outro hospital, devido aos cortes profundos que sofreu. Mas parece que ele realmente se recupera rápido, porque chegou lá depois de alguns minutos. E acho que nem clones seriam tão iguais.

O dr. Lancaster não cansava de afirmar que havia algo errado e os gêmeos (que diga-se de passagem, que dupla! Se eu não fosse noiva, estaria no céu) insistiam em dizer que estavam bem e que o doutor havia se enganado.

Claro que com meu jeitinho, convenço um deles a me mostrar as cicatrizes. Me pareceram mais abertos à questão quando disse que Jonothan havia me pedido para entrar em contato com eles. Longe do dr. Lancaster, o que dizia ser Stuart me mostra o corpo livre de marcas e explica que é uma habilidade que ele e o irmão tem. Enquanto um estiver bem, o outro fica também. Mas me pede discrição, não quer que ninguém mais saiba. Quando saímos, confirmei os cortes, disse que ele estava cheio de pontos, mas o doutor não acreditou em mim.

Foi quando o doutor surtou. Simplesmente tirou um bisturi do bolso e cortou o cara! Assim, do nada, pra provar que ele estava certo e os gêmeos podiam se curar instantaneamente. Ainda reclamou quando levou um soco na boca. Eu tive que imobiliza-lo e me meter no meio deles de costas, enquanto segurava o doutor, mandando parar com a bagunça. Ainda bem que me escutaram.

O gêmeo machucado foi para o carro enquanto o outro me pedia para tirar meu amigo maluco dali para que ele pudesse levar o irmão para o hospital. Consigo colocar o doutor no carro que insistia que não sairia dali enquanto eu não fosse, porque ele tinha que me proteger. Que cara estranho!

Fui até o carro onde estava o gêmeo com o braço enfaixado e peço para ver o corte. E já não tinha mais nada ali além da mancha de sangue no tecido que envolvia o lugar. Prometi não contar. Ele mandou lembranças ao Jonothan e me disse que ele era um cara legal. Mas me advertiu que eu estava entrando em terreno perigoso, que era pra ter muita certeza do que estava fazendo.
Fomos embora dali, o doutor me seguindo de carro até o momento em que eu fui para a minha casa e ele voltou para o hospital.

Ok, Jonothan... Você tinha razão... Mas o que eu tenho a ver com tudo isso???

terça-feira, 29 de setembro de 2009

Começando a ficar maluca


Mais um dia na minha vida corrida. Hoje literalmente, é dia de correr com o Henry. Depois tenho algumas avaliações físicas pra fazer na academia. Novos alunos, isso é muito bom! Mas o Henry muda de planos. Ele prefere se exercitar na cama. Por mim tá ótimo! Ainda bem que temos ritmos muito parecidos. E fôlego!

Primeira avaliação. Não posso acreditar. Assim, de cara? Era o cretino que tava me olhando pela vitrine da loja! Me parece menor, mais franzino, mas É ELE. Será que ele tá me perseguindo? Se tiver eu vou descobrir e ele vai se arrepender.

Jonothan, o nome dele. Que coisa estranha, essa sombra não devia estar daquele jeito. Parece se mover sem precisar da luz. Devo estar cansada. Ok, nada de sexo antes do trabalho. Quantas vezes será que eu já me disse isso?

Shan, foco!! Volta pra avaliação do cara!

Não, pera, tem algo errado. Só TRINTA batimentos por minuto? Esse cara morreu, não é possível. Diz ele que é normal, mas eu não posso colocar um cara assim pra malhar e morrer aqui. Ele diz que volta depois com uma permissão médica. Vamos esperar. E essas sombras, parecem querer segui-lo. Coisa bizarra. Eu REALMENTE preciso descansar antes que fique maluca e ao invés de casada, seja internada...

Comento com o Henry sobre esse cara.

-Tudo bem, quando ele voltar com o atestado, eu descubro o que ele quer com você!
-Não amor, assim não. Pode ser só coincidência. Eu descubro e te falo. Se for o caso ele é todo seu, prometo!

Dia cheio, hora de dormir. Não antes de curtir meu noivo da melhor forma possível. Acho que somos meio ninfomaníacos, mas dormir nos braços dele é perfeito também...

Devo estar mais impressionada com o cara que imaginava. No sonho daquela noite, Jonothan pede desculpas por ter me assustado.

-Não sabia como lhe abordar, achei que aqui seria mais fácil e você ficaria menos assustada. Preciso falar com você, Shantel.

Ele me diz que era ele mesmo na loja. Me explica que o sobrenatural existe e eu sou alguém, digamos... “Especial”. Alguém que tem meios de agir para ajudar o mundo, literalmente. Disse que meus dons para isso estavam prestes a fluir. Que se eu ainda não acreditasse, era pra procurar o doutor Lancaster, do hospital James Lancaster e perguntar sobre o cara que se curou sozinho, era alguém semelhante a mim. O doutor teria meios de me levar até ele e eu poderia ter minhas comprovações.

Não sei porque, Jonothan, mas eu vou. Devo estar mesmo maluca, mas vou...
 

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