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domingo, 11 de outubro de 2009

Pequena mudança de planos


Mais uma vez, sangue colhido. Aviso a Stuart e ele diz que vai tentar resolver.

Voltamos a falar sobre a peça que Lancaster recebeu, e que me mostraram na sala dele quando Aleksei saiu. A peça brilhava se fizéssemos ela rodar, mas somente quando Aleksei não estava perto, o que o deixou ainda mais incrédulo com tudo. Era uma placa de metal com apenas uma inscrição semelhante à da Bebedora de Alma. Não fazíamos idéia do que era aquilo.

O resultado ainda não saiu. Aleksei foi pra sala dele, está muito tenso para conversar. Erick e Lancaster vão almoçar, mas eu não quero comer. Vou correr.

Algumas voltas no quarteirão, percebo que eles terminaram de comer. Me aproximo e me sento à mesa com eles, pedindo uma água. Falamos sobre o que fazer se Stuart (que eles não sabiam quem era, pois tomei cuidado de não dizer o nome dele em nenhum dos telefonemas) não conseguisse trocar os resultados. Até que Dr. Lancaster surta (até então ele parecia alguém normal). Ele colocou as mãos nos ouvidos, como se ouvisse um som muito alto. Depois de um tempo, para e fica olhando um ponto fixo, falando com o nada. Nos olha e pergunta se estamos vendo. Estende a mão e pega algo no ar, invisível, e coloca no bolso. Mais uma vez, parece escutar algo muito alto. Para, nos olha e diz:

-Vocês viram o anjo??
-Tá maluco??? Que anjo??
-Que me deu isto aqui. Disse pra você usar, Shantel. Diz que isso ajuda a mudar a opinião dos homens.

E me entrega, simplesmente, a Rosa das Emoções, o colar de rubi lapidado em forma de rosa que eu havia visto no leilão e que havia sido ROUBADO de lá.

-Lancaster, COMO você conseguiu isso aqui? – escondo a jóia como consigo em minha mão. – Isso foi roubado da casa Holtz! E... Deveria ser destruído!

-O anjo que me disse que você é Maria acabou de me entregar e disse que se você usar enquanto conversa com seu irmão, ele muda de idéia.
-Claro, eu vou entrar com um colar roubado e uma blusa de ginástica numa DELEGACIA!
-Toma minha jaqueta...

Lancaster me empresta a jaqueta dele e enquanto a coloco, Erick esconde o colar com muita facilidade em apenas umas das mãos. O próprio Erick se inclina na minha frente para eu poder colocar o colar sem que ninguém veja. Assim, vou até meu irmão.

-Al...
-Que foi Shantel? – sem me olhar.
-Al, desculpa... Eu sei que não ando bem, mas não tinha necessidade disso...

Ele levanta o olhar para mim, e a expressão dele muda. De tensa, brava, volta à expressão do irmão amável e carinhoso.

-Você que achou que eu estava bravo e trouxe o pavê! Que, aliás, não sei por que, mas te perdôo... – ele diz sorrindo, mostrando o doce sobre a mesa.
-Ah, toda essa história da Anikka... Às vezes eu surto mesmo... Mas não precisava ter pedido exames dos meus amigos que tentam me ajudar, só porque são médicos, né?
-Exames?? È mesmo! Nossa, onde eu estava com a cabeça... Vou buscar os resultados, espera...
Eu não posso acreditar... Funcionou!! Ele volta com os resultados em mãos... É agora...
-Parabéns, maninha!! Como uma boa garota! Tudo em ordem, para todos vocês! Como recompensa, o doce é todo meu!

Rio, dou um beijo em meu irmão e saio dali. Não posso acreditar!

Aviso aos meninos que funcionou tanto o colar, quanto a troca dos resultados. Combinamos de nos encontrar em minha casa para que pudessem ver a espada, depois que eles buscassem a garota na casa do médico. Lancaster me pede de volta o colar. Não, não vou devolver. Fui eu quem criou e já que pode ser útil, que fique comigo.

-Você queria destruir o colar, agora quer ficar com ele?

Olho com o canto de olho para Erick. Me volto para Lancaster, ainda usando o colar.

-Que colar?
-Hein?? Do quê você está falando?
-Do que você deixou comigo! Não vou devolver!
-Vai devolver minha jaqueta sim! – ele responde, me olhando.

Ótimo! Erick apenas ri, enquanto eu resisto à tentação de dizer ao doutor que ele era gay e havia se apaixonado perdidamente pelo meu irmão. Mas Aleksei não ficaria feliz com isso...
-Em casa te devolvo, doutor... Quando você for ver a espada, ok?
-Acho bom!

Seguimos, cada um para seu caminho. Vou esperar os três lá, depois de ligar para Stuart.
-Acho que você está me devendo uma visita, gata!
-Claro! Passo aí hoje à noite, pra ver como você está... Você foi brilhante!
-Eu SOU brilhante! E estou precisando de uma enfermeira...
-Claro! Termino de resolver umas coisas, tomo um banho e te ligo! Brigada, gato! Salvou minha pele!
-Disponha, gata! Mas nada é de graça...
-Te pago assim que nos vermos, ok? Beijos!
-Beijo!

Saio do carro já estacionado na minha garagem. A primeira coisa a fazer é enrolar o colar num lenço, com cuidado, colocar dentro de uma fronha de travesseiro bem macia e esconder no fundo de alguma gaveta. Ótimo. Agora a maldita espada suja de sangue. COMO isso foi acontecer?

Péra!! Cadê a porcaria do sangue que tava aqui??? O lençol ficou no meu carro!

Limpo também! COMO??

Ah, já não sei de nada! Deixo a espada ali mesmo, sobre a cama, enquanto tento entender o que está acontecendo. Os caras estão demorando pra caramba! O jeito é esperar...

Nexus, drogas... Cara, preciso de mais rock n' roll...


Ok, vamos tentar ser racionais... As coisas não aparecem assim, simplesmente... Ascelus deve estar mesmo precisando de mim... Ou eu sou ela mesmo... Ah!! Preciso esconder isso...

Ela não é pesada... Pelo menos não tanto quanto parece... Preciso esconder isso...

Enrolada num lençol, vai pra debaixo do colchão. Vai ficar ali até eu achar um lugar melhor.

Ligo pro restaurante russo, encomendo o pavê de nozes que eu e Aleksei comemos muito quando éramos crianças. Adorávamos! Confirmo com Charlotte que ele esta trabalhando.

Pego o doce antes de ir pra delegacia. Mas ele não parece muito feliz em me ver. Tento explicar o que está acontecendo de verdade, ele não acredita, acha que estou louca. Resolvo mostrar a espada a ele. Ele me acompanha até em casa, adiantando um pouco a hora do almoço.

No caminho, conto tudo para ele. As duas versões. Tudo, não deixei nada pra trás. Jonothan, Henry, Dr. Lancaster, Amélia, Miguel, nexus, tudo. Só piorou as coisas.

Mas tudo ficou pior quando eu mostrei a espada a ele. Ela estava suja de sangue, o lençol que a envolvia estava sujo, tudo coberto de sangue. Ótimo.

Ele tenta levar a espada para análise, mas deixo que leve apenas o lençol. Ele cada vez mais acha que eu estou usando drogas, Sugiro um exame toxicológico. Ele diz que caso seja positivo, vai me internar numa clinica de reabilitação. Eu não tenho nada a esconder. Convenço-o a irmos a outro hospital que não seja o do maluco do Lancaster. Com resistência, ele concorda, desde que logo após fazer exame em outra, eu vá fazer exame lá sem reclamar.

Sangue colhido, espera de resultados... POSITIVO??? COMO ASSIM???
Várias drogas constavam no exame, como se uma só metabolizasse em várias. Só coisa cara e nova tinha aquele potencial. Mas eu não consumi NADA!!! Não tem como estar certo, tem algo errado! Ok, vamos pro Lancaster...

Mais uma vez, sangue colhido... Aleksei resolve andar no jardim enquanto espero o resultado do exame na recepção.

Tento esconder o rosto quando vejo o Dr. Lancaster passando pela recepção, com um homem de mais de dois metros de altura e uma menina de uns 15 anos. Mas o homem se aproxima de mim. Lancaster segue para a sala, tenso com a minha presença ali e a menina atrás, quase uma sombra dele. Pergunta meu nome, fala que se chama Erik, e diz, sem pudor:

-Olha, já tentei rodear várias vezes sobre esse assunto, então... Você é um nexus, como nós?
-Ok, sim, eu sou... Como você sabe?
-Senti. A gente pode conversar na sala do Dr. Lancaster?
-Olha... Se você anda com ele... É melhor se cuidar. Ele é maluco. – e conto o que já passei com o doutor e Erick fica surpreso, diz que está tudo correndo bem entre eles. Aviso a Aleksei que vou até a sala do Doutor pra conversar com algumas pessoas, ele e resolve ir junto. Quando ele volta para a recepção, vamos todos juntos até a sala.

Lancaster não parece muito feliz em me ver. Fica menos feliz ainda quando Erick começa a conversar comigo dizendo que o doutor também recebeu um “presente” enquanto dormia. Aleksei, incrédulo, simplesmente tira o celular do bolso e pede um mandado para exames de toxicologia para o doutor e Erick! Assim, simples, fácil. Fiquei abismada!

Ele sai da sala, muito nervoso. Segundos antes do resultado chegar. Positivo de novo. Ok, desisto. Vamos ver se o Stuart sabe me explicar isso. Ligo pra ele.

-Nossa, ta mesmo com saudades, heim, gatinha??
-Gato, na verdade, a história é outra... Preciso saber uma coisa... Eu NUNCA usei drogas, mas na tentativa de provar pro meu irmão que eu não to maluca, fiz o exame e deu positivo! Repeti em outro lugar e deu positivo de novo. Agora ele quer exames do Dr. Lancaster e de mais um cara que parece ser dos nossos. O deles vai ser assim também?
-Olha gata... Somo pontos concentrados de energia, certo? Nosso cérebro é movido a energia... Então, na gente, ele trabalha diferente do que trabalharia em pessoas normais, produzindo esses hormônios que drogas produzem, mas não há efeito em nós porque somos assim, entende?
-Então... Tô ferrada?
-Mais ou menos... Me diz onde vocês vão fazer os exames, que eu posso tentar alterar os resultados... Mas TENTAR! Invadir um computador e / ou me manter lá sem que me descubram não é fácil.
-Sério?? Não sabia que você sabe fazer isso... E se conseguir... Fico te devendo muito, gato!
-Bom, agora tenho mais motivos para me empenhar... Sabe como é... Preciso de uma enfermeira pra cuidar de mim...
-Claro! Assim que eu souber te aviso e se você conseguir... Eu passo ái pra te agradecer, levar uma sopa... Sabe como é!
-Sopa? Ah, claro!! Me mantenha informado, ok?
-Ok! Beijos!
-Beijos!

Desligamos. Explico pros caras o que vai acontecer. Algumas idéias absurdas depois, resolvemos ir com Aleksei e deixar que ele faça os exames, confiando nas habilidades de Stuart.

Mandamos a garota de volta para a casa de Lancaster e seguimos até os laboratórios da polícia.
 

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