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quinta-feira, 26 de novembro de 2009

Explicações complicadas...


Antes de sair de perto, Daniel me recomenda ficar de olho na garota, e diz que ela é perigosa. Ele vai olhar como está o engenheiro mecânico que ele encontrou e pretende que o homem nos ajude. O homem está “instalado” no contêiner onde Miguel acordou.. Ficamos apenas eu e o Sr. Hagis no contêiner. Ele não parece muito disposto a conversar, mas eu preciso saber...


-Sr. Hagis... Como pretende trazer Ascelus aqui?

-Não, Khodasevich... Eu analisei e acho que você ainda não está pronta para isso. Pode ser muito perigoso. Para você e para nós também. Melhor você se aprimorar mais antes de tomar um passo destes.


Ok, sem mais nada a dizer. O Sr. Hagis diz que vai até o convés e me pede para que olhe a Srta. Collins também. Tudo bem eu olho, mas eu não pretendo sair de perto do Aleksei.


Depois de algum tempo, escuto uma voz fraca vindo de trás de mim. Olho e vejo um homem na casa dos quarenta anos de idade, amparado por uma muleta improvisada e com alguns tubos e soros pelo corpo. Deduzo que esse é o engenheiro.


-Senhorita... Por favor...

-Sim, senhor...?

-Joseph... Estou muito assustado para ficar sozinho... Posso ficar aqui?

-Claro... É o engenheiro mecânico, certo? O que houve?

-Sim, sou eu... Um homem... Acho que é um demônio... Queria minha alma... Ele se diz médico... Você não é um também, não é? – me olha assustado.


Não posso acreditar... Daniel não faz IDEIA de nada sobre energia ainda e já esta por ai querendo fazer pactos com as pessoas normais... E se isso matar ou incapacitar essas pessoas? Maluco, sem noção... Respiro fundo e tento amenizar a situação.


-Não um demônio, mas ele também não é um. Somos pessoas com algumas... “Habilidades fora do comum” que requerem energia para serem usadas, e essa energia tem limite, acaba... Ele devia estar querendo um pouco da sua para repor a dele, mas não soube explicar.


Ele me olha bem desconfiado e não diz nada. Parece que acreditou apenas em parte, não sei dizer. E nem quero saber, já que Aleksei começa a dar sinais de estar acordando. Eu começo a passar a mão no cabelo dele, chamando.


-Al... Acorda... Já ta tudo bem, eu to aqui com você... Acorda, Mano...


Ele abre os olhos lentamente e começa a olhar em volta, meio assustado.


-Onde eu to, o que houve? To num hospital?? Fui baleado?? Cadê a Charlotte?

-Bom... Não sei como explicar. Estamos longe de casa, a Charlotte deve estar bem, e você está bem agora. Não foi baleado... Foi... Seqüestrado... – agora é a hora em que ele tem um enfarte.


Por sorte ele não tem, mas tenta se sentar mais rápido na cama, olhando assustado para mim e pro lugar.


-E você? Também foi? Onde estamos? Quem fez isso, e por quê??

-Calma, Al... Eu não fui seqüestrada... E você não vai acreditar em como eu vim parar aqui, então...

-Se você não contar não tem nem como saber se acredito ou não. – já me olha com aquela cara de bravo que eu conheço bem. Ajudando-o a se levantar, me lembro da Srta. Collins.

-Espera... Tenho que ver outra pessoa, que estava nas mesmas condições que você. – e vou até o contêiner onde ela estava, deixando meu irmão com o engenheiro.


Abro a porta e a vejo de costas, num canto do contêiner. Os cachos do cabelo louro escuro dela ainda estão impecáveis, mesmo depois de ter ficado deitada sobre eles tanto tempo. É uma mulher muito bonita, e pude notar que ela se preocupa em estar bronzeada e em manter a forma enquanto a vestia, momentos antes dela acordar (eu não ia deixar que um dos rapazes fizesse isso, já que não ia gostar se fosse eu no lugar dela). Ela percebe a entrada de luz e vira um pouco a cabeça para trás.


-Srta Collins?

-Quem é você?

-Você não me conhece. Sou Shantel Khodasevich.

-Ah... Outra Khodasevich.

-Conhece meus pais também? – surpresa, já que ela não parece ser da “geração” que conviveu com eles na cidade.

-Não... – responde, sem o mínimo esforço para esconder que mente. E ela continua. – Onde estamos? Como vim parar aqui?

- A caminho do Ártico. Não sei como você veio parar aqui, sei que foi seqüestrada. Já adianto que eu não tive nada a ver com isso, apenas resolvemos acordar você e os outros quando encontramos vocês.

-“Vocês”? Quem mais está aqui?

-Eu, Lancaster, Erick e Rodriguez, que suponho que você não conhece, e que vieram comigo. Além de nós, meu irmão, Miguel e o Sr. Hector Hagis, que estavam em contêineres como você.

-Se não foram seqüestrados também, como estão aqui?

-Um anjo nos trouxe.

-Um anjo... As crianças nem sabem onde estão se metendo... Hector e Miguel aqui? Isso vai ser interessante. – posso ver um sorriso irônico no canto dos lábios dela, já que ela ainda está de costas com o rosto pouco voltado na minha direção.

-Venha comigo, Srta. Collins. Preciso ver meu irmão.


Ela se vira e caminha até mim, calmamente e apesar de toda a situação, ela se mantém muito segura de si. Quando saímos do contêiner encontramos Lancaster, sério e tenso.


-Shantel!! Cadê o engenheiro??? Tem alguma coisa errada com ele!!!!

-Como assim, Daniel?

-O capitão matou TODO MUNDO do navio quando tava possuído por aquela coisa. Só poupou os que são nexus, mas o engenheiro disse que não era nada disso, que nem sabia o que era isso!! Porque ele estaria mentindo se não tivesse que esconder alguma coisa??

-Ele veio falar comigo, e ele ta com o... ALEKSEI!! MERDA!!


Saio correndo. PRECISO ver meu irmão.

domingo, 15 de novembro de 2009

Objetivos desconhecidos, descobertas inesperadas.


Lancaster insistia que fui eu quem havia feito aquilo, com as mãos mesmo, já que a espada me dava uma força sobrenatural, o motivo pelo qual eu cortei as dobradiças da porta daquela forma. Desiste de insistir nessa hipótese quando vê que para eu arrancar alguma parte de alguém eu precisaria usar as duas mãos, conseqüentemente, teria que largar a espada e assim me libertaria da dominação dela. Precisamos encontrar o Miguel. Eu preciso pegar a espada e a jóia. Espero que ela já esteja restaurada.

No caminho, o doutor me pergunta se eu me sinto bem, já que estou muito pálida. Digo que não e o faço me contar o que ele sabe sobre meu estado que eu não sei, já que eu notei como ele me olha desde que acordei. Ele me conta que a mulher dele tinha os mesmos sintomas que eu tinha e morreu dessa doença misteriosa. Com a diferença que ela demorou quatro semanas para chegar ao estagio que eu estava e completa dizendo que se a doença continuasse avançando com a rapidez que estava, eu tinha umas duas horas de vida. Bom... Pelo menos eu teria tempo pra salvar meu irmão. Lancaster para de andar, pensativo. Me analisa com os olhos e me diz pra eu me concentrar em curar meu sangue. Diz que antes ele não conhecia esse “lado” das coisas e acha que assim eu posso me curar mesmo que momentaneamente. Funciona. Me sinto bem melhor e eles dizem que aparentemente estou ótima. Mas a sede volta a surgir. Fraca, mas volta.

A jóia ainda está meio gelatinosa onde estava separada e já não parece uma rosa, mas vai ter que servir assim mesmo. A coloco no bolso. Com a espada enrolada no couro, vou atrás de Miguel com os rapazes.

O encontramos lutando com o capitão do navio, que há algumas horas atrás não se mantinha em pé sem apoio mas agora exibe uma agilidade e força invejáveis. Notamos que os olhos do capitão estão completamente negros. É ele quem eu tenho que deter com a pedra. Mas Daniel atira nele e o mata antes que eu faça qualquer coisa. É quando algo estranho acontece.

Da boca, olhos, nariz e ouvidos do capitão sai uma fumaça negra. Lancaster e Rodriguez saem correndo em direção aos porões onde estão os contêineres. A fumaça entra em Miguel e os olhos dele ficam negros. Erick se coloca entre mim e Miguel e é atacado.

Eu descubro apenas a lâmina da espada e a empunho na direção de Miguel, enquanto evoco o poder da jóia sem sucesso. Ele e Erick começam a brigar. Eu não entendo como o Erick consegue agüentar o Miguel, mas ele está dando conta. Acerta Miguel várias vezes, o deixando tonto. Depois de algum tempo Miguel domina a situação segurando Erick pelo pescoço. Eu evoco o poder da jóia mais uma vez, mas nada acontece. Erick luta para se libertar por alguns momentos, mas não consegue. Então escuto o pescoço dele estalar e o vejo parar de se mover. Miguel larga o corpo inerte de Erick e me olha com aqueles olhos negros. Ainda evocando a jóia e segurando a espada, tento me defender. Não quero usar a espada nele porque pode matá-lo, mas se eu usar a pedra, pode ser que ela mate apenas o que está dominando Miguel.

Ele bate com o braço na lâmina da espada e se queima muito, além de quase deslocar meu ombro já que eu não soltei a espada. Nervoso, bate o outro braço, tentando tirar a espada do caminho para me matar. Se queima de novo, tão gravemente quanto antes. Eu ainda evoco a jóia, já acreditando que ela não está em condições ainda de fazer o que ela deveria.

Nesse momento escuto tiros vindos de trás de mim, que acertam Miguel. Olho rapidamente por cima do meu ombro e vejo Lancaster com uma arma na mão, Rodriguez de olhos arregalados e Hector Hagis de expressão impassível, olhando a cena. Lancaster atira de novo e derruba Miguel. A mesma fumaça negra sai de Miguel e eu corro na direção dos três que estavam atrás de mim, na tentativa de não ser a próxima dominada por ela. Hector fecha os olhos, estende apenas os dedos na direção da fumaça e diz algo como “Retribuição”. Um raio atinge a fumaça, enfraquecendo-a. Eu paro de correr, estendo a jóia na direção da fumaça e com ela enfraquecida, o rubi faz seu trabalho. Ele emite uma luz avermelhada e a fumaça que parece ter vida, se movendo como um bicho capturado que tenta fugir é atraída para a jóia, se tornando avermelhada à medida que se aproxima até ser absorvida pela pedra, que nesse momento volta ser rígida como antes, mas que deixou de ser uma rosa.

Corremos para socorrer Erick e Miguel. Os dois estão vivos. Os acomodamos em um quarto, depois que recobram a consciência, para se recuperarem.

Explicamos ao Sr. Hagis tudo que sabemos até agora sobre estarmos ali, sobre o navio e sobre as pessoas que estão na mesma situação que ele estava. Explico a ele da outra memória em que eu o procurei e digo o motivo. Ele olha sempre com a mesma expressão altiva e inabalável, firme. Parece mesmo conhecer meus pais. Quando digo que uma das pessoas num contêiner é meu irmão, ele olha sério e nada surpreso dizendo em seguida em um tom calmo, quase entediado:

-Mais uma vez, dois Khodasevich.
-Então conhece mesmo meus pais? Eles já estiveram aqui? Bom, não aqui, mas com vocês?
-Não conheço outro casal com esse sobrenome. – ele responde, como se eu tivesse perguntado se ia chover num dia de céu carregado. Exatamente como na minha memória. Mesma personalidade.

Ele me explica em seguida que sou uma nephalin, um tipo de nexus que tem a capacidade de se lembrar de todas as vidas passadas e até de evocar habilidades delas quando necessário.

Ele diz que sabe o que estão desenterrando no Ártico. Um portal pro inferno. Cara, com a calma que ele fala parece até que estão desenterrando uma cápsula do tempo do jardim de infância de 1954. Parece que NADA é capaz de surpreendê-lo. O tipo de pessoa que tenho medo de ver realmente irritada, porque parece não sair do sério tão fácil, SE sair. Sugere que simplesmente deixemos o navio passar por cima de tudo, assim, normal. Com menos emoção ainda do que eu e o Al quando crianças, queríamos irritar um dos nossos vizinhos chatos, dizíamos: “vamos passar de bicicleta por cima daquele saco de folhas secas pra sujar todo o gramado dele de novo!”.

Ainda sem ter certeza de como impedir que desenterrem o portal, decidimos acordar a todos. Enquanto os homens saudáveis descem para adiantar o processo, vou buscar roupas quentes para meu irmão e para a mulher. Aproveito e troco as minhas por outras limpas.

Mesmo sem saber ainda se Aleksei é ou não um nexus, vamos acordá-lo. Será mais fácil mantê-lo vivo se ele estiver consciente.

Enquanto esperamos que ele acorde, Sr. Hagis me pergunta sobre a vida mais poderosa que eu me lembre. Falo um pouco sobre Ascelus. Ele me olha sério e diz:

-Então vamos ver se essa noite conseguimos trazer uma deusa à terra.

sábado, 14 de novembro de 2009

Quando o ódio domina


Eu estava em pânico, mas consegui me curar. O corte fechou de dentro pra fora e mesmo eu me concentrando apenas nele, foi o medo de morrer que me fez realizar o ato com muito mais eficiência. Até meu rosto ficou livre das cicatrizes das queimaduras, minhas sobrancelhas e cabelo ficaram iguais eram antes. Menos mal...


Volto ao quarto onde me instalei e deixo o copo debaixo da cama, encostado na parede, protegido de olhares curiosos. Fico deitada por uns instantes, esperando o mal estar passar, ou ao menos amenizar.


Saio à procura dos rapazes e encontro os três abrindo os contêineres em outra parte do porão do navio. Encontraram dentro deles suprimentos, equipamentos de escavação profunda e de mecânica, muitas peças para montagem e reparo de veículos para neve. E pessoas. Uma em cada um. Eram contêineres aquecidos e as pessoas sedadas e nuas que estavam em cada um deles estavam ligadas aparelhos que monitoravam seus sinais vitais, mantinham a dosagem de sedativo e os respiradores artificiais, além de soro, sondas para alimentação e outras, para dejetos.


Eu cheguei no momento e que encontravam Hector Hagis. Demorou, mas o reconheci. Em outro contêiner estava uma mulher, que reconheceram como uma tal de Dana Collins, a qual eu nunca havia visto, não fazia idéia de quem pudesse ser. Chamamos Miguel. Ele disse que imaginava que houvessem pessoas ali, porque ele mesmo acordou em um contêiner, nas mesmas condições dos outros. Continuamos a abrir com a ajuda dele, em busca de outras pessoas. E encontramos.


Não precisei de nem um segundo para reconhecer. Era meu irmão que estava dormindo ali, na minha frente, cheio de tubos. Não pude acreditar! O ódio, a revolta tomaram conta de mim como na noite em que me tiraram Anikka. Meu impulso foi arrancar tudo, acordá-lo, cuidar dele. Mas todos me convenceram que ele estava melhor que nós, pois tinha alimentação e hidratação na medida que lhe era necessário, além de estar aquecido. Lancaster pode ser chato e arrogante, mas é competente. Não conseguiria se manter na posição que ocupa se não fosse. Resolvo escutá-lo e deixo meu irmão dormindo. Todos me dão licença e eu fico ali, olhando meu irmão, segurando a mão dele e rezando pra eu encontrar logo o responsável por colocá-lo em risco.


Mas não fico ali muito tempo. Tenho que recuperar a jóia para deter quem quer que fosse, ainda mais sabendo que meu irmão estava ali, sem poder se defender. Agora eu tinha que consertar a jóia por ele também. No caminho, Erick me convence a comer. Eu não quero, mas preciso. Como uma pasta branca e sem gosto, mas nutritiva.


Vou até meu quarto e vejo que está funcionando. Noto alguns cristais se formando na rachadura, unindo as duas metades, mas ainda sim me parece muito frágil. Toco o sangue com meus dedos e me concentro em “curar” a pedra, assim como eu faço para me curar, e parece funcionar, mas nada significante. E eu começo a experimentar um pouco do que deve ser a tal sede...


Começo a passar mal, o enjôo de antes está muito forte. Corro para o banheiro e a pasta branca que eu havia comido há alguns minutos volta.


Lancaster e Erick me encontram saindo do banheiro e o doutor pergunta por que eu precisava da pedra. Explico tudo que sei e ele diz que se soubesse desde o inicio, não tentaria escondê-la de mim. Conclui que se pouco sangue está unindo as duas metades da pedra, mais sangue vai fazer ela se unir mais rápido. E me sugere usar a espada para conseguir mais sangue. Ela sangra quando apontamos para Erick, então colocamos o copo dentro de um balde e segurando a espada sem tocar nela diretamente, a aponto para ele mas nada acontece. Lancaster me pede para deixar ele tentar, mas pede para ficar sozinho. Ele consegue, de alguma forma, fazê-la sangrar e muito. Quase enche o balde. Ele disse que só tocou nela diretamente e ela sangrou. Quando tento, sinto ela me dominando mas eu resisto. Lancaster retoma e enche mais o balde, agora cobrindo o copo. Eu tento mais uma vez, mas de repente tudo começa a ficar vermelho.


Quando dou por mim estou parada, de joelhos em um corredor do navio, com a espada jogada no chão, cobertas de sangue. Eu e a espada. Não sei o que aconteceu nem quanto tempo se passou, mas já não sinto mais sede. Assustada, pego a espada com a manga da parka e volto ao meu quarto. No caminho não vejo ninguém. Me preocupa, mas preciso consertar a jóia antes de qualquer coisa. Noto a porta caída e as dobradiças cortadas com uma precisão inacreditável. Enrolo novamente a espada no couro e vou ao banheiro lavar rosto, mãos e cabelo. Logo Erick aparece, assustado, na porta do quarto. Vê que eu já voltei a mim. Então eu tenho uma idéia.


Seguro o balde, me concentro e jogo todas as minhas emoções lá dentro. Tenho flashes, com se fossem memórias de outras vidas. Sou uma mulher que foge de alguma coisa e eu sei que estou na África. De repente paro, me ajoelho na terra e a toco, sentindo a terra, a “mãe África” e o chão começa a tremer. Não só aquele lugar, mas toda a terra treme. Sou também um templário lutando com um sarraceno, quando tomo um golpe certeiro de cimitarra num dos olhos, me fazendo perder a visão e cair de joelhos com a dor. Me concentro e o sangue que saía do ferimento borbulha, como se fervesse e me cura, recuperando a visão daquele olho. Me levanto e volto a lutar, e é quando a visão acaba. Abro meus olhos e Erick olha pro balde, espantado. Ele diz que o balde brilhou em vermelho e me pergunta o que eu fiz. Explico, ele tenta e amassa o balde depois que as mãos dele brilham. Assustada, pergunto o que ele fez e ele calmamente me explica que é movido pela ira, e foi nisso que ele se concentrou enquanto segurava o balde... E parece que isso acelera um pouco mais o processo. Bom, porque chegaremos ao Ártico em menos de três horas.


Lancaster aparece no meu quarto, assustado. Erick diz que aparentemente consegui me conter antes de fazer alguma coisa, que o sangue em mim devia ser da espada mas o doutor discorda. Nos diz pra ir ver o porão do navio, onde a tripulação estava presa.


Chegamos lá e parecia cena de filme de terror B. Corpos retalhados por toda parte, a grade retorcida, aberta. Mas não eram cortes precisos, as partes pareciam ter sido arrancadas dos corpos, e não cortadas. E não havia marcas de sangue que indicassem que o que quer que tenha feito aquilo tenha saído dali. Acho que sei quem ou o que foi...

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

Novo velho ciclo começa se fechar mais uma vez


-O colar. Você vai colocá-lo no bolso do rapaz que estiver conversando comigo, lá fora.

-Não posso, tenho que entregar ele a uma pessoa.

-O contato que eu criei?

-Como assim?

-Diana Trevor não existe, Khodasevich. Nem Steve. Eu criei tudo na sua cabeça porque você é a única que poderia pegar essa pedra. Ninguém mais é capaz de tocá-la em segurança. Eu não posso tocá-la. Só você. Me desculpe, mas precisei fazer isso.


Chamo Steve pelo ponto. Ninguém responde. Ou mataram o Steve, ou ele ta falando a verdade. Olhando o reflexo no vidro e vendo a mim e não a Diana Trevor, acredito nele.


-Porque eu? Porque isso tudo?

-Como disse, só as descendentes da sua família tocam a pedra em segurança. Criei Diana Trevor baseada nas memórias de sua mãe, para que você fosse capaz de roubar a jóia.

-E pra quê quer a pedra?


Ele sorri, calmo.


-Nós precisamos dela. Num navio, daqui alguns meses...


Chambers me diz que eu vou entregar esse jóia ao rapaz, que vai entregá-la a um anjo, que por sua vez daria ao Daniel e enfim, o doutor a entregaria a mim de volta. Explica que somente a rosa pode acabar com um grande mal que vai estar num quebra gelo dali a alguns meses, que eu vou estar ali também. O navio vai estar a caminho do Ártico e eu não posso permitir que uma das pessoas a bordo chegue lá. Quando eu explico que isso já aconteceu, ele não entende. Eu digo que pra mim aquele dia já é passado, mas ele não presta muita atenção e volta a me dizer que eu saberei como usar a pedra, que ela saberia o que fazer quando encontrasse a pessoa sem alma que poderia causar um grande mal. Tento explicar que eu destruí a pedra, ele diz que talvez seja assim que ela vai agir. Acho que ele não ta me levando a sério... Me diz pra rezar e pedir pra encontrar a pedra, quando digo que existe a possibilidade de além dela estar quebrada, estar perdida também. Desisto. Ele me conta que eu não me lembraria nunca de nada disso, que me sentiria mal e iria para casa, depois que entregasse a pedra ao rapaz.


Ele me diz onde estão as minhas roupas de festa - exatamente as mesmas que eu usava naquele dia – sai e eu me troco. Saio da sala também, com a jóia na bolsa. Mais adiante, o vejo conversando com um rapaz que hoje eu reconheço, Henrique Rodriguez. Coloco o colar no bolso dele e ele percebe. O pavor logo passa quando Chambers diz algumas coisas e o rapaz parece esquecer o que houve.


Em segundos, começo a ficar tonta e tudo escurece. Abro os olhos e vejo paredes metálicas. A princípio me parece o hospital, mas logo reconheço a enfermaria do navio.


Não faço idéia de quanto tempo eu fiquei desacordada. Arranco a agulha do soro. Ainda me sinto muito mal, enjoada, corpo fraco, mas tenho que dar um jeito de recuperar a pedra.


Desço até os porões do navio. Já não fico tão feliz em ver que as pessoas estão vivas, já que uma delas pode ser quem vai nos colocar em risco. Não tão bem quanto antes, mas vivas, ao menos. Encontro apenas o cordão de ouro, mas não a pedra. A espada está bem longe de onde devia estar, e o case de couro sem a madeira de sustentação, só o couro mesmo, mole. Uso isso pra enrolar a espada, sem tocar nela. Eu não a sinto quente, mas ela está. Não que eu a tenha tocado diretamente, mas posso sentir através do couro uma temperatura normal, mesmo notando que o couro esta ate ficando marcado por ela. Vou procurar os rapazes e ver se alguém esta com as pedras, já que até onde eu me lembre, ela foi divida em duas.


Encontro Lancaster, que me diz que destruiu a pedra na caldeira do navio. Vou até a sala indicada e nem sinal da pedra dentro da caldeira. Uso um atiçador para achar algo debaixo das cinzas e nada. A pedra era resistente demais, a caldeira não seria suficiente para destruí-la. Vou atrás deles de novo. Encontro Erick e Rodriguez conversando e parecem surpresos ao me ver. Não sabem da pedra. Os dois estão feridos, Erick no pé e perna, Rodriguez nas mãos, quando tentaram tocar a espada. Vou falar com Lancaster de novo. Dessa vez ele está com Miguel. Pergunto sobre a pedra, Lancaster reafirma que foi destruída. Eu digo que não, quando Miguel o pergunta o motivo de esconder a pedra de mim. Cretino. Peço que Daniel me devolva a pedra ele se nega. Insisto e ele nega mais uma vez e pergunta por que eu a quero de volta. Quando penso em obrigá-lo a me devolver, Miguel se mete:


-Pára com isso, dá a pedra pra guria. – muito mais em tom de sugestão que de ameaça, mas vindo de quem veio não parece sensato contrariar e recebo as duas metades de volta.


Pego todas as minhas coisas no carro de Lancaster e me instalo em um dos quartos, o primeiro que eu encontro. Erick, Rodriguez e Lancaster ficam na porta já que me tranco lá dentro, perguntando o que eu vou fazer. Lancaster anda me olhando bem estranho, mas não me importo.


Com a empunhadura da espada ainda enrolada no couro, a firmo com a lâmina na vertical usando minhas pernas e o chão de apoio. Se a espada está quente assim e é um item mágico, pode ser que seu calor “solde” a pedra. Mas não... Parecem imas de pólos iguais, mas muito mais fortes. Não consigo aproximar e o atrito invisível é tão forte que chega a soltar faísca no ar. Mas eu insisto e forço. Uma pequena explosão acontece. Nada se destrói a não ser meu rosto. Fico toda queimada. Muito bom. Nem assim a pedra volta a ser uma só. Preciso pesar em outra coisa...


Erick ainda está na porta do quarto quando eu saio. Com calma, me pergunta o que está havendo. Conto a ele que alguém ali dentro vai colocar a todos nós em risco, que só a pedra teria a capacidade de impedir isso e como eu sei disso. Ele me pergunta o que houve comigo e me explica que os nexus conseguem concentrar a energia para se curar, exatamente assim, se concentrando e mandando a energia pro ferimento para que ela o cure. Ele me mostra a perna que antes estava completamente queimada, em perfeito estado. Eu tento uma vez, duas, mas só na terceira consigo algum resultado, ainda não suficiente. Erick explica que é mais fácil aprender quando nossa vida depende disso, que é normal não conseguir nas primeiras vezes e que cada vez que fazemos isso, consumimos energia que não se renova, então, o uso freqüente causa a “sede” de energia. E me sugere ir falar com Miguel sobre a pedra, sem dar a ele meus motivos.


Vou falar com Miguel. Ele me explica melhor sobre a sede e como obter mais energia, e isso não me deixa feliz. Somente em locais específicos é possível obter essa energia, e mesmo assim, esses locais têm um limite e precisam de algum tempo para de recarregarem. Fora isso, só fazendo pactos com as pessoas, pedindo a energia delas em troca do que elas quiserem. Podemos recusar o que elas pedem, mas não podemos obrigá-las a nos ajudar. Quanto à pedra, ele sugere que a deixe imersa em sangue. Sem idéia melhor, corto meu pulso e deixo o sangue correr dentro de um pequeno copo onde estão as duas metades da rosa. Tonta e com o sangue no copo já cobrindo as pedras, hora de aprender mesmo a habilidade. Fazendo pressão no corte, me concentro. Espero não falhar dessa vez.

terça-feira, 20 de outubro de 2009

Como eu matei vinte pessoas


Enquanto Erick corria para dentro do navio, eu trocava a espada de case. Claro, não tocava diretamente nela, sempre a deixo embrulhada num lençol. Na única vez que a toquei sem proteção, quis matar alguém com ela.

Logo alguém tão grande quanto Erick chega perto de nós, segurando roupas próprias para aquele clima. Eu já havia vestido algumas roupas limpas, minhas mesmo, por cima das que estavam sujas de sangue da espada, mas mesmo acostumada ao frio de Moscou, ali estava demais. Vesti a parca acolchoada, gigante e laranja, feliz.

Logo percebi que aquele homem do lado de fora era Miguel. Deviam estar pelo menos os três ali, Sr. Ausbury, Srta. Borlins e Miguel. Ele nos recebe do jeito peculiar de sempre:

-Não vou nem perguntar como, mas... Por quê?
-Longa historia... – responde Lancaster.

Explicamos bem por cima o que estava acontecendo e apresentamos Rodrigues a ele, mas o que ele nos conta é bem mais interessante.

Ele diz que está sozinho ali, que o resto dos poderosos da cidade estão em algum lugar na Groenlândia desenterrando algo muito velho que enterraram ali há tempos, que ele diz não saber o que é mas pretende impedir. Nas palavras dele:

-Cara, se enterraram isso na GROENLANDIA, há TANTO TEMPO, NÃO É pra ser desenterrado! Deixa essa merda LÁ, do jeito que tá!

Conta também que ele sozinho dominou todo o navio. Os que não concordaram estão presos no porão, e o capitão está lá. Os poucos que não se opuseram estão ajudando na manutenção do navio. Segundo ele, o capitão deu coordenadas de direção que não fazem sentido. Mas isso vindo que alguém que não tem a mínima noção de navegação, não é lá muito garantido. Com a permissão de Miguel, vamos tentar conversar com a tripulação e ver se conseguimos mais apoio.

Descemos até o porão, onde encontramos cerca de vinte pessoas. Além do capitão - muito machucado por sinal – encontramos umas sete pessoas que não falam inglês e estariam quase incomunicáveis. O capitão garante que vai colaborar e que já deu as coordenadas corretas. Conta inclusive que estamos nos dirigindo à uma base militar que pode não ficar feliz com o fato do navio ter sido tomado e não nos deixar aproximar, na melhor das hipóteses. Dizem que Miguel matou sete deles e os jogou no mar. Alguns ainda vivos. Conversamos e combinamos com eles que vamos lhes dar atendimento médico da melhor forma possível e vamos os alimentar melhor se nos ajudarem. Eles concordam. Pedimos que se separem de acordo com as necessidades médicas.

Pegamos as chaves com Miguel, mas antes de abrir precisamos ter certeza que não vão tentar fugir, ou Miguel nos mataria. Erick me olha e faz um gesto próximo ao pescoço dele. Eu entendo que era pra eu usar a Rosa das Emoções pra tentar controlar e garantir a ajuda da tripulação. Concordo. Digo a eles:

-Então, vocês vão nos ajudar?

A resposta não foi muito animadora. Alguns poucos responderam um “sim” bem desanimado. Não dava pra confiar ainda. Pergunto novamente, dessa vez evocando mais o poder do medalhão.

-Vocês vão nos ajudar? Podemos confiar em vocês?

Dessa vez ninguém respondeu. Achei que tinham ficado assustados com a luz vermelha que a jóia emitiu e mesmo debaixo de toda aquela roupa que eu usava, ficou visível. Pouco mais ficou. Olhei para eles a tempo de vê-los caindo, com um estranho vapor vermelho saindo de suas bocas e entrando na jóia. TODOS eles. Não... Não era possível!

Lancaster corre e abre a cela improvisada. Ele e Erick conferem um a um. Todos mortos. Todas as vinte pessoas mortas, de uma só vez, por mim. O mais estranho é que eu não conseguia sentir absolutamente nada a respeito. Remorso, medo, nada. Me era completamente indiferente. E era esse fato que me assustava.

Erick sugere que se a Rosa lhes tomou as almas, talvez, se destruída, lhes devolvesse. Concordo. Mando que subam, não posso arriscar mais ninguém. Eu vou destruir a jóia, mesmo que custe minha vida. Eles sobem. Não antes de Lancaster me olhar e dizer, arrogante como de costume, enquanto tentava ressuscitar um deles:

-Espera. Deixa eu ver se eu salvo ao menos esse, que VOCÊ matou...

Idiota! Ao menos EU me arrisco pra tentar melhorar as coisas, não fico parada olhando. Pena que ele não estava no meio dos vinte... E eu VOU consertar isso, custe o que custar.

Eles saem. Eu tiro o medalhão e coloco na porta da grade de ferro. Bato com força. O rubi nem ao menos se arranha, mas a grade entorta. Ótimo! Mais uma tentativa. Mesma coisa. Hora de mudar de método. Boa coisa com certeza não vai acontecer com o que vou fazer, mas espero que ao menos eu consiga devolver a vida a essas pessoas.

Subo em direção ao carro de Lancaster. Pego o case com a espada. Sem falar nada com ninguém, desço ao porão novamente. Os caras estão muito entretidos com Miguel, não me notam. Se for pro Miguel mata-los, que o primeiro seja o Lancaster e que seja bem lentamente...

Entro na cela, me tranco lá dentro para não correr o risco de ferir quem ainda está vivo. Tiro a espada e a toco diretamente, mas dessa vez não sinto nada. Só ouço os gritos de dor e desespero enquanto desfiro o golpe na jóia. Sim, são agradáveis. Dessa vez nem me assusto com essa sensação. Tenho algo mais importante a terminar agora. Antes de perder a consciência, consigo ver a Rosa das Emoções dividida ao meio pela Bebedora de Almas e um vapor vermelho saindo da jóia quebrada. Espero que tenha funcionado...

segunda-feira, 19 de outubro de 2009

Fugindo do fim


Antes de sair, Rodriguez me liga no celular. Me pergunta sobre problemas ao entrar em igrejas, e eu o conto o que eu sei:

-Somos pontos concentrados de energia, almas velhas, e por isso somos “limitados” a certos costumes, símbolos ancestrais, lugares ditos como sagrados... Não vamos conseguir entrar em igrejas sem sermos convidados por alguém diretamente ligado à manutenção da fé do lugar, entre outras coisas... E me diz... Cavaleiro no sonho? Que cor?
-Verde
-Ok, você não vai dizer isso na frente de Lancaster, ok? Ele tem sonhado repetidamente que um cavaleiro verde mata a esposa dele... Ele não vai ficar feliz com isso. Certo, cavaleiro AZUL?
-C-certo... Acho que você poderá mesmo me ajudar muito, senhorita Khodasevich!
-O que eu puder fazer...

No land rover de Lancaster (ele dirigindo, claro) não tínhamos mais o problema de falta de velocidade nem o Erick ficava apertado. Jono já estava a caminho de ser cuidado em um belo hospital.

Já no pub onde combinamos, ele se aproxima. Não deve ser difícil nos encontrar, com Erick junto. Sentamos, fazemos nossos pedidos e conversamos.

O cara tava meio paranóico, mas não tiro a razão dele. Pesquisou sobre nós na internet, descobriu sobre Aleksei, e sobre mais algumas coisas que envolviam a todos nós. Eu também teria medo. Ele sabia que o presente que me foi dado era a Rosa das Emoções, ou Maçã de Eva, como ele a chamava. E nos mostrou uma rosa branca, muito mais branca que o normal, que quando eu rodei, senti um cheiro familiar e refrescante. Algo como cheiro de gelo, se isso existir. Ele recebeu essa rosa em sonho, dada por Iti, minha irmã deusa do inverno e da neve, no mesmo dia em que eu e Lancaster recebemos nossos “presentes”.

No meio da conversa e de toda a explicação sobre nexus e guerra entre os mundos, meu celular toca. Era o Henry.

-Graças!!! Como você ta, onde você ta?? To preocupada com você!!
-Tô bem, mas EU que estou preocupado com você, Shan. Vocês estão em risco. Com os poderosos de vocês sumidos, o meu povo retornou a cidade e quer vingança. Você sabe... Seu povo baniu o meu daqui e agora... Bom, o fato é que você precisa sumir. Eu to tentando conversar aqui, mas não garanto. Não quero você aqui. Vá pra um lugar onde esteja segura, fora da cidade. Rápido.

Fico sabendo que Anne está contando ao povo deles tudo sobre nós. Peço a ele pra cuidar de Baruk e Jimmy e pra arrumar uma desculpa pro Al. Aviso os meninos, convencemos Rodriguez a vir conosco pelo bem da família dele, afinal, o povo de Henry era honrado. Não usariam nossas famílias pra chegar até nós, mas não tolerariam obstáculos para nos alcançar.

Passamos na minha casa, pegamos a espada e a rosa, além de roupas e meus documentos. Acomodamos a espada num case de teclado com almofadas e lençóis para absorver o sangue que não parava de correr ali, além de um reserva porque com certeza aquele ia ser pouco pra tanto sangue.

Rodriguez ao ver aquilo tudo se desespera, achando que está no meio de um grupo de malucos e só piora quando eu tento pedir pra ele segurar a espada pra ver o que aconteceria, mas sinto vontade de usá-la. Largo a espada, por sorte, conseguindo resistir ao impulso. Claro, ele sai correndo. Tento me aproximar depois de colocar minhas coisas no carro do Lancaster, mas ele tem uma faca. Está MUITO assustado.

Saindo dali, escutamos um uivo. Acho que isso o assusta mais. Entramos todos no carro e corremos para a casa de Lancaster. Mas chegando lá, sinto um frio na espinha. Não sei o que era, mas sei que não quero me aproximar da casa dele. Na mesma hora que eu digo, Rodriguez também começa a dizer que não quer entrar lá. Lancaster para o carro a alguns metros e diz que precisa ir buscar suas coisas, sai e vai para casa a pé. Decidimos correr dali. Na verdade Erick decide por mim. Se eu não estivesse agarrada ao case, a espada teria ficado para trás quando ele me colocou sobre os ombros e começou a correr. Alguns metros depois, Lancaster vem correndo em direção a nós. Alguma coisa o assustou e ele parece não ter nem entrado em casa. Não importa, vamos todos para o carro em direção ao heliporto. Ainda bem que Lancaster vai bancar, e tem condição pra isso.

Na tentativa de alugar um helicóptero, todos saem do carro, menos eu. Não ia ser simpático uma menina com a coxa e braço tatuados, suja de sangue. TODA suja de sangue. Mas algo pesado cai sobre o teto do carro. Quando Erick tenta me tirar do carro, percebemos que era o Henry. Ele estava sujo de sangue, mas não tinha ferimentos.

-Henry!! Como você ta?? Meu Deus, ta machucado?? – digo entre abraços e beijos que nos damos, assustados ainda com tudo. Engraçado em como eu me sentia segura com ele, mesmo sabendo que o povo dele queria meu fígado assado, e não era no sentido figurado.
-Tô bem, mas se vocês querem viver, têm que ser mais rápidos que isso.
-Mas eles não vão te punir por estar nos ajudando?? – pergunto, preocupada com a segurança dele. Ninguém mais se atreve a dizer nada diretamente a nós, nesse momento.
-Não, ainda não estão atrás de vocês, diretamente. Mas vocês têm q sair daqui logo.
-Do país ou da cidade?
-Da cidade já é o suficiente.

Nos beijamos novamente, antes de eu entrar no carro com os outros, pra fora dali. Henry fica nos observando à distancia.

Até que, no meio do caminho, Lancaster e Rodriguez começam a agir como Lancaster agiu antes de “ganhar” o medalhão do anjo, como se escutassem um barulho alto demais. Rodriguez fica apontando a faca para mim, assustado, enquanto os dois conversam com algo ou alguém invisível.

Disseram que o anjo poderia no transportar para o norte, onde os iguais a nós estavam. Concordamos. Uma luz imensamente forte em nossa direção, parecia que íamos bater, mas quando nos demos conta o caro estava na proa de um grande quebra gelo, em pleno oceano. Frio demais.

A espada já não sangrava mais, e pude mudá-la para o case reserva, já que o sangue estava congelando e estava muito pesado aquele. Era hora de descobrir onde exatamente, a gente tinha ido parar...

O início do fim


Casa do Jono. Estranhamente clara, a escuridão não aprecia mais estar ali, como seria o normal. Ninguém atende. Ligo para os Manson e pergunto se tem noticias de Jono, e eles não tem há um bom tempo. Tem algo errado. Vou arrombar a porta. Chuto várias vezes, mas ela cede só um pouco, nem abre. Consigo a simpatia do senhor que mora ao lado e ele me deixa pular o muro dos fundos. Por lá eu quebro o vidro da porta daquela área e entro.

Depois de procurar pela casa, escuto algo se arrastando no andar de cima. Encontro Jono em estado de choque, dentro do armário, com os olhos completamente azuis. Apavorado, não conseguia nem falar. Ligo para o doutor Lancaster e peço que ele vá para lá. Os Manson não atendem.

Ele e Erick chegam logo, sem a Anne. Lancaster constata que Jono além de desidratado, teve o pigmento dos olhos “drenado”, mas ainda enxergava. Apesar do estado quase catatônico. Manson ainda não atendem.

Erick e eu decidimos tentar usar a espada e a placa juntas, mas Lancaster não permite, o que deixa Erick Bem nervoso. Eles brigam e já no carro, consigo convencer Lancaster a voltar e terminar o tratamento de Jono. Erick, assim como eu, vai correr para aliviar o stress.

Resolvo ir atrás dos Manson. Chegando ao carro, Erick me conta a novidade:

-Não tem mais nenhum nexus na cidade!
-COMO ASSIM?
-Não tem mais! A garota corvo, que nos observa, disse que só ta a gente na cidade! Que todos os líderes sumiram!

Eu já havia ouvido falar dessa garota. Cora. Ela se transformava num corvo. Meio bizarro, mas depois de tudo, eu tinha que ficar feliz por não brilhar no escuro. Não ainda, pelo menos... E então me dou conta:

-PQP!! OS MANSON!
-Você não vai lá sozinha.
-Mas eu preciso achar eles!
-Vamos todos.

Chamamos Lancaster, que resolve ir em casa e buscar a Anne quando fica sabendo o que estava acontecendo e onde íamos.

Ligo para Henry:

-Shan?
-Ei Henry! Tudo bem?
-Sim, e você?
-Bem... Onde você ta?
-No treino, porque?
-Porque a gente precisa do Rasga-Terra. Agora?
-Rasga-Terra? Como assim?
-Eu sei, Henry... Não precisa esconder.
-Sim, COMO você sabe é o problema.
-Longa história. Posso te esperar?
-Onde você precisa dele?

Passo o endereço. Digo pra ele não ir antes de eu avisar a ele, podia ser perigoso. Ele concorda. Peço a ele pra se cuidar. Apesar de envolvê-lo nisso, tenho medo por ele. Muito medo.

Enquanto eu e Erick vamos até a minha casa buscar a espada e o colar, Lancaster vai até a casa dele com Jono buscar Anne.

Tudo certo, nos encontramos no portão do ferro velho. Henry não está lá.

O lugar está uma bagunça. Carros espalhados, tudo fora da pouca ordem que era mantido. Porta da frente arrombada, nada de cachorros. Preocupante.

Durante as buscas pelos gêmeos, Anne me conta, discretamente, que Henry estava ali sim, mas do outro lado e diz que ali não há mais nada vivo.

Encontramos uma trilha de sangue, além de sinais de luta na casa. A trilha levava até uma pilha de carros. Quando Lancaster, Erick e Anne levantaram as ferragens, vimos uma marca de explosão, e a trilha terminava ali.

Digo para irmos embora, ali não é seguro. Todos concordam e vamos para a minha casa. Já na minha casa, Anne diz que ela iria ver se Henry precisava de ajuda. A peço para me manter informada e para dizer a ele para dar noticias assim que possível. Ela concorda e vai.

Ótimo... Uma poça de sangue no meu quarto... A espada, sangra MUITO e já está tudo ensopado e manchado de vermelho.

Durante a discussão sobre o melhor para Jono, o celular de Lancaster toca. Era um jovem chamado Henrique Rodriguez, que ligava procurando a doutora Lancaster e ouço algo sobre “castelo”. Peço para falar com o cara. Quando ele ouve uma voz feminina, já solta de uma vez, sem pensar:

-Doutora, preciso falar com você sobre meus sonhos, é urgente. Sonhei dessa vez com um castelo de pedras vinho, parecido com uma árvore, e com uma mulher que parecia a deusa do gelo e chamava Iti, que me encontrou e me levou até Ízidur, que disse que eu era o cavaleiro perdido dele. Eu não sei o que fazer, o anjo que eu ajudei ta me parecendo mais um demônio, to com medo, preciso falar com você urgente!
-Ok... Calma... Eu não sou a doutora Lancaster, mas posso te ajudar...

Depois convencê-lo de que não tínhamos seqüestrado a doutora e que poderíamos mesmo ajuda-lo, dizendo que era mesmo um anjo, Uriel, que eu era “Maria” e havia ganho um presente de Deus, ele topou nos encontrar e ficou até mais calmo. Passo meu número a ele e vou me arrumar para conhecer alguém com mais problemas que nós três juntos. Só esperar a ambulância que vai levar Jono para o hospital do Lancaster...

domingo, 11 de outubro de 2009

Construindo algumas fantasias, desfazendo outras...


Quase três horas depois, um telefonema. Eles avisando que a garota sumiu, que não está em lugar nenhum, mas não parece ter saído da casa. Sim... A sensação que tenho é que ela realmente não saiu. Pego o endereço, volto a espada pro lugar e vou ate lá.
Uma casa enorme! Ele deve ter MUITO dinheiro... Acho que vou abrir um hospital também.

-Lancaster, se eu achar essa menina, ganho um estetoscópio?
-Tá... – sem entender, arrogante como só ele.
-Então me arruma uma bacia com água.

Na outra memória, quando se passou um mês do leilão, Henry estava muito mais consciente das coisas, mais até que eu. Me ensinou o “truque” de me concentrar olhando alguma superfície reflexiva para facilitar a passagem para o outro lado. E funcionava.

Bacia com água na frente, me sento em posição de lótus e me concentro. Logo estava do outro lado.

A casa dele era fria ao extremo, estando ali. Muito escuro, mas não como Jonothan ou Zós deixavam os lugares... Era sombrio. Chamo a garota, Anne. Em pouco tempo, a resposta.

-Você não devia estar aqui. É perigoso demais pra gente como você.

Ok, cadê a menina do “sim, mestre” ou “posso, mestre?”, que só falava se Lancaster permitisse, e só não era mais submissa porque não aparentava ter nenhum tipo de problema mental? Mas eu não ia perguntar isso ali, naquele lugar.

-Anne, estão procurando por você. Estão preocupados.
-Não sabia que já havia se passado tanto tempo assim... Vá. Eu volto agora mesmo.
-Não achei seu corpo na casa.
-Venho para cá de modo diferente de vocês. Eu rasgo a realidade.
-Como Amélia? Ou a Fúria?
-Você a conhece?
-Sim... Uma longa historia. Sabe se existe algum filhote chamado Henry?
-Não vou saber pelo nome humano.
-Loiro, alto, olhos muito azuis. Uma tatuagem de uma asa presa a algo parecendo de metal, com um parafuso, nas costas, do lado esquerdo?

-Sim... O Rasga-Terra.
-Hein?? Rasga –Terra?? Porque isso? – estava gelada por dentro mais que aquele ambiente me mantinha por fora. Então ele era mesmo um deles. Mas ele ainda jogava! Eu não conseguia raciocinar... Ele corria risco demais! – Quem o ensina?
-Fúria.
-Anne, preferia que fosse você.
-Não sou tão mais velha que ele para isso. Agora vá. Os espíritos estão ficando cada vez mais difíceis de controlar, eles podem te ferir. Conversamos em outro lugar.
-Tudo bem.

Me concentro e volto. A volta é sempre mais fácil. Acordo amparada pelo Lancaster. Eu aparento um desmaio quando vou para o outro lado, mas esqueci de avisar.

-Você está bem??
-Sim, obrigada, doutor... Ela já vem. Cadê meu estetoscópio?

Segundos depois, Anne aparece. Vou com ela a outro cômodo da casa para terminarmos de conversar. Ela me explica que precisa criar um elo forte com um nexus para conseguir se manter na cidade, que só assim a permanência deles, do tipo deles, é conseguida, por isso todo o teatro com Lancaster. Me conta também que Henry só fica na cidade porque o nosso elo o mantém ali. Agora entendo... E se depender de mim, ele continua em Londres.

Voltamos para a minha casa. Lá os caras me contam que colocaram a placa numa centrifuga, e foram transportados a outra dimensão, onde encontraram um anjo. Só que agora a inscrição (que era o nome do tal anjo) havia sumido. Sem saber por que, imaginamos varias teorias. Tempo para usar de novo, limite de uso atingido, e outras coisas do tipo.

Mostro a espada. Erick tenta tocar, mas ele não consegue segura-la e diz que espada está muito quente, além de correr um fio de sangue sobre as inscrições dela, quando aproximamos ela dele. Lancaster pega a espada e a roda no ar. Para assustado, dizendo que ouviu gritos de pavor e medo, mas que por um momento, foi agradável. Eu pego a espada, giro e tenho exatamente a mesma sensação. Erick continua sem conseguir tocar a espada, e ela sangra sempre que a apontamos para ele.

Sem mais idéias, peço que não falem a ninguém, e digo que confiar em pessoas que já estão nessa há mais tempo pode ser perigoso. Que era melhor mantermos as coisas entre nós. Eles concordam.

Vamos até o hospital buscar meu estetoscópio. No caminho passo num sex shop e compro algumas coisas interessantes. Numa loja própria próxima ao hospital, um vestido e sapatos brancos. Levo Anne comigo para que ela possa respirar sem ter que fingir. Lancaster se dá conta e pergunta:

-Médica ou enfermeira?
-Não é da sua conta! E que diferença faz? Não é pra você! – rio e entro no carro. Dessa vez, SEM a Anne. Mas vou falar com Jono. Tenho muito a contar à ele sobre esses dias insanos...

Pequena mudança de planos


Mais uma vez, sangue colhido. Aviso a Stuart e ele diz que vai tentar resolver.

Voltamos a falar sobre a peça que Lancaster recebeu, e que me mostraram na sala dele quando Aleksei saiu. A peça brilhava se fizéssemos ela rodar, mas somente quando Aleksei não estava perto, o que o deixou ainda mais incrédulo com tudo. Era uma placa de metal com apenas uma inscrição semelhante à da Bebedora de Alma. Não fazíamos idéia do que era aquilo.

O resultado ainda não saiu. Aleksei foi pra sala dele, está muito tenso para conversar. Erick e Lancaster vão almoçar, mas eu não quero comer. Vou correr.

Algumas voltas no quarteirão, percebo que eles terminaram de comer. Me aproximo e me sento à mesa com eles, pedindo uma água. Falamos sobre o que fazer se Stuart (que eles não sabiam quem era, pois tomei cuidado de não dizer o nome dele em nenhum dos telefonemas) não conseguisse trocar os resultados. Até que Dr. Lancaster surta (até então ele parecia alguém normal). Ele colocou as mãos nos ouvidos, como se ouvisse um som muito alto. Depois de um tempo, para e fica olhando um ponto fixo, falando com o nada. Nos olha e pergunta se estamos vendo. Estende a mão e pega algo no ar, invisível, e coloca no bolso. Mais uma vez, parece escutar algo muito alto. Para, nos olha e diz:

-Vocês viram o anjo??
-Tá maluco??? Que anjo??
-Que me deu isto aqui. Disse pra você usar, Shantel. Diz que isso ajuda a mudar a opinião dos homens.

E me entrega, simplesmente, a Rosa das Emoções, o colar de rubi lapidado em forma de rosa que eu havia visto no leilão e que havia sido ROUBADO de lá.

-Lancaster, COMO você conseguiu isso aqui? – escondo a jóia como consigo em minha mão. – Isso foi roubado da casa Holtz! E... Deveria ser destruído!

-O anjo que me disse que você é Maria acabou de me entregar e disse que se você usar enquanto conversa com seu irmão, ele muda de idéia.
-Claro, eu vou entrar com um colar roubado e uma blusa de ginástica numa DELEGACIA!
-Toma minha jaqueta...

Lancaster me empresta a jaqueta dele e enquanto a coloco, Erick esconde o colar com muita facilidade em apenas umas das mãos. O próprio Erick se inclina na minha frente para eu poder colocar o colar sem que ninguém veja. Assim, vou até meu irmão.

-Al...
-Que foi Shantel? – sem me olhar.
-Al, desculpa... Eu sei que não ando bem, mas não tinha necessidade disso...

Ele levanta o olhar para mim, e a expressão dele muda. De tensa, brava, volta à expressão do irmão amável e carinhoso.

-Você que achou que eu estava bravo e trouxe o pavê! Que, aliás, não sei por que, mas te perdôo... – ele diz sorrindo, mostrando o doce sobre a mesa.
-Ah, toda essa história da Anikka... Às vezes eu surto mesmo... Mas não precisava ter pedido exames dos meus amigos que tentam me ajudar, só porque são médicos, né?
-Exames?? È mesmo! Nossa, onde eu estava com a cabeça... Vou buscar os resultados, espera...
Eu não posso acreditar... Funcionou!! Ele volta com os resultados em mãos... É agora...
-Parabéns, maninha!! Como uma boa garota! Tudo em ordem, para todos vocês! Como recompensa, o doce é todo meu!

Rio, dou um beijo em meu irmão e saio dali. Não posso acreditar!

Aviso aos meninos que funcionou tanto o colar, quanto a troca dos resultados. Combinamos de nos encontrar em minha casa para que pudessem ver a espada, depois que eles buscassem a garota na casa do médico. Lancaster me pede de volta o colar. Não, não vou devolver. Fui eu quem criou e já que pode ser útil, que fique comigo.

-Você queria destruir o colar, agora quer ficar com ele?

Olho com o canto de olho para Erick. Me volto para Lancaster, ainda usando o colar.

-Que colar?
-Hein?? Do quê você está falando?
-Do que você deixou comigo! Não vou devolver!
-Vai devolver minha jaqueta sim! – ele responde, me olhando.

Ótimo! Erick apenas ri, enquanto eu resisto à tentação de dizer ao doutor que ele era gay e havia se apaixonado perdidamente pelo meu irmão. Mas Aleksei não ficaria feliz com isso...
-Em casa te devolvo, doutor... Quando você for ver a espada, ok?
-Acho bom!

Seguimos, cada um para seu caminho. Vou esperar os três lá, depois de ligar para Stuart.
-Acho que você está me devendo uma visita, gata!
-Claro! Passo aí hoje à noite, pra ver como você está... Você foi brilhante!
-Eu SOU brilhante! E estou precisando de uma enfermeira...
-Claro! Termino de resolver umas coisas, tomo um banho e te ligo! Brigada, gato! Salvou minha pele!
-Disponha, gata! Mas nada é de graça...
-Te pago assim que nos vermos, ok? Beijos!
-Beijo!

Saio do carro já estacionado na minha garagem. A primeira coisa a fazer é enrolar o colar num lenço, com cuidado, colocar dentro de uma fronha de travesseiro bem macia e esconder no fundo de alguma gaveta. Ótimo. Agora a maldita espada suja de sangue. COMO isso foi acontecer?

Péra!! Cadê a porcaria do sangue que tava aqui??? O lençol ficou no meu carro!

Limpo também! COMO??

Ah, já não sei de nada! Deixo a espada ali mesmo, sobre a cama, enquanto tento entender o que está acontecendo. Os caras estão demorando pra caramba! O jeito é esperar...

Nexus, drogas... Cara, preciso de mais rock n' roll...


Ok, vamos tentar ser racionais... As coisas não aparecem assim, simplesmente... Ascelus deve estar mesmo precisando de mim... Ou eu sou ela mesmo... Ah!! Preciso esconder isso...

Ela não é pesada... Pelo menos não tanto quanto parece... Preciso esconder isso...

Enrolada num lençol, vai pra debaixo do colchão. Vai ficar ali até eu achar um lugar melhor.

Ligo pro restaurante russo, encomendo o pavê de nozes que eu e Aleksei comemos muito quando éramos crianças. Adorávamos! Confirmo com Charlotte que ele esta trabalhando.

Pego o doce antes de ir pra delegacia. Mas ele não parece muito feliz em me ver. Tento explicar o que está acontecendo de verdade, ele não acredita, acha que estou louca. Resolvo mostrar a espada a ele. Ele me acompanha até em casa, adiantando um pouco a hora do almoço.

No caminho, conto tudo para ele. As duas versões. Tudo, não deixei nada pra trás. Jonothan, Henry, Dr. Lancaster, Amélia, Miguel, nexus, tudo. Só piorou as coisas.

Mas tudo ficou pior quando eu mostrei a espada a ele. Ela estava suja de sangue, o lençol que a envolvia estava sujo, tudo coberto de sangue. Ótimo.

Ele tenta levar a espada para análise, mas deixo que leve apenas o lençol. Ele cada vez mais acha que eu estou usando drogas, Sugiro um exame toxicológico. Ele diz que caso seja positivo, vai me internar numa clinica de reabilitação. Eu não tenho nada a esconder. Convenço-o a irmos a outro hospital que não seja o do maluco do Lancaster. Com resistência, ele concorda, desde que logo após fazer exame em outra, eu vá fazer exame lá sem reclamar.

Sangue colhido, espera de resultados... POSITIVO??? COMO ASSIM???
Várias drogas constavam no exame, como se uma só metabolizasse em várias. Só coisa cara e nova tinha aquele potencial. Mas eu não consumi NADA!!! Não tem como estar certo, tem algo errado! Ok, vamos pro Lancaster...

Mais uma vez, sangue colhido... Aleksei resolve andar no jardim enquanto espero o resultado do exame na recepção.

Tento esconder o rosto quando vejo o Dr. Lancaster passando pela recepção, com um homem de mais de dois metros de altura e uma menina de uns 15 anos. Mas o homem se aproxima de mim. Lancaster segue para a sala, tenso com a minha presença ali e a menina atrás, quase uma sombra dele. Pergunta meu nome, fala que se chama Erik, e diz, sem pudor:

-Olha, já tentei rodear várias vezes sobre esse assunto, então... Você é um nexus, como nós?
-Ok, sim, eu sou... Como você sabe?
-Senti. A gente pode conversar na sala do Dr. Lancaster?
-Olha... Se você anda com ele... É melhor se cuidar. Ele é maluco. – e conto o que já passei com o doutor e Erick fica surpreso, diz que está tudo correndo bem entre eles. Aviso a Aleksei que vou até a sala do Doutor pra conversar com algumas pessoas, ele e resolve ir junto. Quando ele volta para a recepção, vamos todos juntos até a sala.

Lancaster não parece muito feliz em me ver. Fica menos feliz ainda quando Erick começa a conversar comigo dizendo que o doutor também recebeu um “presente” enquanto dormia. Aleksei, incrédulo, simplesmente tira o celular do bolso e pede um mandado para exames de toxicologia para o doutor e Erick! Assim, simples, fácil. Fiquei abismada!

Ele sai da sala, muito nervoso. Segundos antes do resultado chegar. Positivo de novo. Ok, desisto. Vamos ver se o Stuart sabe me explicar isso. Ligo pra ele.

-Nossa, ta mesmo com saudades, heim, gatinha??
-Gato, na verdade, a história é outra... Preciso saber uma coisa... Eu NUNCA usei drogas, mas na tentativa de provar pro meu irmão que eu não to maluca, fiz o exame e deu positivo! Repeti em outro lugar e deu positivo de novo. Agora ele quer exames do Dr. Lancaster e de mais um cara que parece ser dos nossos. O deles vai ser assim também?
-Olha gata... Somo pontos concentrados de energia, certo? Nosso cérebro é movido a energia... Então, na gente, ele trabalha diferente do que trabalharia em pessoas normais, produzindo esses hormônios que drogas produzem, mas não há efeito em nós porque somos assim, entende?
-Então... Tô ferrada?
-Mais ou menos... Me diz onde vocês vão fazer os exames, que eu posso tentar alterar os resultados... Mas TENTAR! Invadir um computador e / ou me manter lá sem que me descubram não é fácil.
-Sério?? Não sabia que você sabe fazer isso... E se conseguir... Fico te devendo muito, gato!
-Bom, agora tenho mais motivos para me empenhar... Sabe como é... Preciso de uma enfermeira pra cuidar de mim...
-Claro! Assim que eu souber te aviso e se você conseguir... Eu passo ái pra te agradecer, levar uma sopa... Sabe como é!
-Sopa? Ah, claro!! Me mantenha informado, ok?
-Ok! Beijos!
-Beijos!

Desligamos. Explico pros caras o que vai acontecer. Algumas idéias absurdas depois, resolvemos ir com Aleksei e deixar que ele faça os exames, confiando nas habilidades de Stuart.

Mandamos a garota de volta para a casa de Lancaster e seguimos até os laboratórios da polícia.

quarta-feira, 30 de setembro de 2009

Meu noivo e minha primeira vez voluntária



Sorte ou azar, era mesmo o Dr. Lancaster de plantão naquela noite. Cuidou do Henry sempre nos enchendo de perguntas. Pediu licença a ele para me falar algo em particular.

Veio com o papo de que eu devia tomar cuidado que eu era “Maria” e que um anjo disse que ele devia tomar conta de mim e mais um papinho furado que se ele não fosse tão doido eu podia achar até que era cantada. Disse a ele que não queria saber e voltei para o quarto onde o Henry estava. ESTAVA...

Só encontramos as roupas dele e uns enfermeiros dizendo que ele tinha fugido. Como assim, fugiu??? Liguei para o Al, precisava de ajuda. Ele estava a caminho.

Saímos para procurar pelo Henry. Quando o encontramos não entendemos como ele andou tanto em tão pouco tempo, completamente nu. Mas o estado dele era o que mais assustava. Ele chorava, encolhido em posição fetal, como uma criança. Só permitiu que eu me aproximasse, ficava agressivo com qualquer outra pessoa. Consegui coloca-lo no carro e levar de volta para o hospital.

Ele precisava ser sedado para ser examinado e o idiota do Lancaster não me deixou ficar com ele. Mas de alguma forma ele conseguiu aplicar o sedativo e quando fui ver meu noivo novamente ele já estava dormindo.

Pela manhã Henry estava bem, acordado e não se lembrava de nada. Eu já havia falado com Jonothan, que esteve no hospital. Ele não conseguiu ao certo dizer o que havia com meu noivo, mas disse que conhecia alguém que poderia dizer. Apesar de não ser uma pessoa confiável e amigável, a Srta Archa Borlins saberia com certeza nos dizer o que estava acontecendo. Ele mesmo a pediu que fosse lá. Um pouco depois ela chegou. Muito bonita e altiva. Disse que Henry era um espírito antigo, primitivo, bestial, que estava despertando. E nos convidou para um chá na casa dela no dia seguinte, onde poderia nos dar mais informações a respeito disso tudo.

Dr. Lancaster nos disse que ele estava bem e não tinha ferimentos, mas não ia dar alta a ele. Pra piorar começou a insulta-lo, e disse que meu noivo era perigoso para mim. O cara já estava começando a me encher.

Enquanto o Henry se trocava no banheiro para irmos embora, o doutor veio dizendo que meu noivo era uma criatura primitiva, que não era como eu ou ele. Era algo diferente e perigoso. Que eu devia tomar cuidado, e claro, começamos a discutir. Então Henry fugiu de novo. Mais um ponto pro doutor!

Saí dali desesperada, sem saber pra onde ir. Fui pra casa e pela primeira vez, resolvi ir até o outro lado, tentar achar um meio para ajudar meu noivo.

Me concentrei e quando dei por mim, tinha conseguido. Chamei e ouvi uma resposta. De uma aranha... Pedi informação e o “espírito aranha”, como ela mesmo se denominava, disse que me ajudaria se eu prometesse respeitar a cidade em todas as suas formas. Concordei. Ah, como essa promessa ainda ia me irritar...

Depois de um tempo ela me trás a informação. De acordo com o que ela me descreveu, Henry estava na velha casa da família dele. A mulher que o atacou foi sutilmente chamada de “Fúria Viva” pelo espírito aranha, que também me disse que meu noivo era como ela. Fui até la, mas não pude fazer nada. Voltei para casa e esperei pela volta dele. Eu sabia que ele voltaria quando se sentisse seguro.

No meio da tarde ele voltou. Envergonhado, assustado. Disse que sentiu um ódio tão grande ao me ouvir discutindo com o médico que sabia que se não fugisse poderia machucar alguém. Disse que tinha medo de me machucar. Eu não ligava! Queria estar com ele, passar por isso com ele. Iríamos dar um jeito em tudo. Foi então que ele me contou das “alucinações”. Ele também conseguia andar entre os planos involuntariamente e não entendia nada. Expliquei a ele e tentamos nos acalmar.

Naquela noite Jonothan me disse que a mulher era conhecida por Amélia Sampaio. E disse que eu e Henry precisávamos de uma espécie de âncora que dificultasse nossas viagens. Sal ou ferro.
Encomendei duas pulseiras de ferro puro aos gêmeos do ferro velho. Assim que ficassem prontas, alguma parte do problema estaria resolvida.

Como eu queria estar certa...

Gêmeos bons, gêmeos maus, confusão sempre...




Dessa vez eu e o Henry saímos para correr de verdade. Depois do exercício, dou a desculpa de que preciso olhar alguns preparativos para o casamento e saio direto para o hospital.

Enquanto pergunto pra recepcionista sobre o doutor Lancaster, a doutora Lancaster me aborda. Acho que houve algum engano. Ela me leva até a sala dela. Depois de me apresentar e dizer o motivo de eu estar ali, ela surpreendentemente me leva até os arquivos e me mostra a ficha do cara! Com certeza foi o wisky que ela bebeu enquanto conversávamos. Aquilo era contra a lei! Mas ok, o tal cara existia mesmo, tinha um irmão gêmeo e eu agora precisava anotar o endereço dele.

Do nada a mulher simplesmente me dá um tapa! Maluca! Empurro ela pra longe, mas ela volta e me dá outro tapa, dizendo que eu era uma vergonha para os nexos.
Nexos?? Que nexos, sua doida?? Aquilo que você perdeu?
Dou um soco nela e saio correndo dali. O processo por agressão ao bandido que matou minha filha ainda tá correndo, eu não posso me meter em confusão. Claro, ele mata a minha filha e eu sou processada... Enfim...

Na saída apressada, trombo com um cara que devia ser irmão gêmeo daquela maluca. Ele diz que é o doutor Lancaster e que a tal mulher não existe. Depois de averiguar as fitas de segurança onde eu andava SOZINHA pelo hospital até a sala dela e depois até a sala de arquivo, ele acredita em mim e me leva até a sala dele. A mesma da maluca.

Mais uma vez, explico a ele o motivo de eu estar ali e conto que a outra já havia me dito tudo sobre o caso da noite anterior. Ele diz que me daria o endereço, desde que fosse comigo. Depois de tudo, já não me assustava com mais nada. Ele também devia estar curioso com a recuperação relâmpago do tal cara.

Ele no carro dele, eu na minha moto, chegamos ao endereço. Um ferro velho, AC/DC tocando bem alto. Bom, comecei a gostar dos caras. Um deles tá debaixo de uma pick-up. Ele sai, me olha de cima a baixo e se apresenta como Jack Manson. Diz que o irmão, Stuart, estava em observação em algum outro hospital, devido aos cortes profundos que sofreu. Mas parece que ele realmente se recupera rápido, porque chegou lá depois de alguns minutos. E acho que nem clones seriam tão iguais.

O dr. Lancaster não cansava de afirmar que havia algo errado e os gêmeos (que diga-se de passagem, que dupla! Se eu não fosse noiva, estaria no céu) insistiam em dizer que estavam bem e que o doutor havia se enganado.

Claro que com meu jeitinho, convenço um deles a me mostrar as cicatrizes. Me pareceram mais abertos à questão quando disse que Jonothan havia me pedido para entrar em contato com eles. Longe do dr. Lancaster, o que dizia ser Stuart me mostra o corpo livre de marcas e explica que é uma habilidade que ele e o irmão tem. Enquanto um estiver bem, o outro fica também. Mas me pede discrição, não quer que ninguém mais saiba. Quando saímos, confirmei os cortes, disse que ele estava cheio de pontos, mas o doutor não acreditou em mim.

Foi quando o doutor surtou. Simplesmente tirou um bisturi do bolso e cortou o cara! Assim, do nada, pra provar que ele estava certo e os gêmeos podiam se curar instantaneamente. Ainda reclamou quando levou um soco na boca. Eu tive que imobiliza-lo e me meter no meio deles de costas, enquanto segurava o doutor, mandando parar com a bagunça. Ainda bem que me escutaram.

O gêmeo machucado foi para o carro enquanto o outro me pedia para tirar meu amigo maluco dali para que ele pudesse levar o irmão para o hospital. Consigo colocar o doutor no carro que insistia que não sairia dali enquanto eu não fosse, porque ele tinha que me proteger. Que cara estranho!

Fui até o carro onde estava o gêmeo com o braço enfaixado e peço para ver o corte. E já não tinha mais nada ali além da mancha de sangue no tecido que envolvia o lugar. Prometi não contar. Ele mandou lembranças ao Jonothan e me disse que ele era um cara legal. Mas me advertiu que eu estava entrando em terreno perigoso, que era pra ter muita certeza do que estava fazendo.
Fomos embora dali, o doutor me seguindo de carro até o momento em que eu fui para a minha casa e ele voltou para o hospital.

Ok, Jonothan... Você tinha razão... Mas o que eu tenho a ver com tudo isso???

terça-feira, 29 de setembro de 2009

Começando a ficar maluca


Mais um dia na minha vida corrida. Hoje literalmente, é dia de correr com o Henry. Depois tenho algumas avaliações físicas pra fazer na academia. Novos alunos, isso é muito bom! Mas o Henry muda de planos. Ele prefere se exercitar na cama. Por mim tá ótimo! Ainda bem que temos ritmos muito parecidos. E fôlego!

Primeira avaliação. Não posso acreditar. Assim, de cara? Era o cretino que tava me olhando pela vitrine da loja! Me parece menor, mais franzino, mas É ELE. Será que ele tá me perseguindo? Se tiver eu vou descobrir e ele vai se arrepender.

Jonothan, o nome dele. Que coisa estranha, essa sombra não devia estar daquele jeito. Parece se mover sem precisar da luz. Devo estar cansada. Ok, nada de sexo antes do trabalho. Quantas vezes será que eu já me disse isso?

Shan, foco!! Volta pra avaliação do cara!

Não, pera, tem algo errado. Só TRINTA batimentos por minuto? Esse cara morreu, não é possível. Diz ele que é normal, mas eu não posso colocar um cara assim pra malhar e morrer aqui. Ele diz que volta depois com uma permissão médica. Vamos esperar. E essas sombras, parecem querer segui-lo. Coisa bizarra. Eu REALMENTE preciso descansar antes que fique maluca e ao invés de casada, seja internada...

Comento com o Henry sobre esse cara.

-Tudo bem, quando ele voltar com o atestado, eu descubro o que ele quer com você!
-Não amor, assim não. Pode ser só coincidência. Eu descubro e te falo. Se for o caso ele é todo seu, prometo!

Dia cheio, hora de dormir. Não antes de curtir meu noivo da melhor forma possível. Acho que somos meio ninfomaníacos, mas dormir nos braços dele é perfeito também...

Devo estar mais impressionada com o cara que imaginava. No sonho daquela noite, Jonothan pede desculpas por ter me assustado.

-Não sabia como lhe abordar, achei que aqui seria mais fácil e você ficaria menos assustada. Preciso falar com você, Shantel.

Ele me diz que era ele mesmo na loja. Me explica que o sobrenatural existe e eu sou alguém, digamos... “Especial”. Alguém que tem meios de agir para ajudar o mundo, literalmente. Disse que meus dons para isso estavam prestes a fluir. Que se eu ainda não acreditasse, era pra procurar o doutor Lancaster, do hospital James Lancaster e perguntar sobre o cara que se curou sozinho, era alguém semelhante a mim. O doutor teria meios de me levar até ele e eu poderia ter minhas comprovações.

Não sei porque, Jonothan, mas eu vou. Devo estar mesmo maluca, mas vou...
 

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