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segunda-feira, 19 de outubro de 2009

O início do fim


Casa do Jono. Estranhamente clara, a escuridão não aprecia mais estar ali, como seria o normal. Ninguém atende. Ligo para os Manson e pergunto se tem noticias de Jono, e eles não tem há um bom tempo. Tem algo errado. Vou arrombar a porta. Chuto várias vezes, mas ela cede só um pouco, nem abre. Consigo a simpatia do senhor que mora ao lado e ele me deixa pular o muro dos fundos. Por lá eu quebro o vidro da porta daquela área e entro.

Depois de procurar pela casa, escuto algo se arrastando no andar de cima. Encontro Jono em estado de choque, dentro do armário, com os olhos completamente azuis. Apavorado, não conseguia nem falar. Ligo para o doutor Lancaster e peço que ele vá para lá. Os Manson não atendem.

Ele e Erick chegam logo, sem a Anne. Lancaster constata que Jono além de desidratado, teve o pigmento dos olhos “drenado”, mas ainda enxergava. Apesar do estado quase catatônico. Manson ainda não atendem.

Erick e eu decidimos tentar usar a espada e a placa juntas, mas Lancaster não permite, o que deixa Erick Bem nervoso. Eles brigam e já no carro, consigo convencer Lancaster a voltar e terminar o tratamento de Jono. Erick, assim como eu, vai correr para aliviar o stress.

Resolvo ir atrás dos Manson. Chegando ao carro, Erick me conta a novidade:

-Não tem mais nenhum nexus na cidade!
-COMO ASSIM?
-Não tem mais! A garota corvo, que nos observa, disse que só ta a gente na cidade! Que todos os líderes sumiram!

Eu já havia ouvido falar dessa garota. Cora. Ela se transformava num corvo. Meio bizarro, mas depois de tudo, eu tinha que ficar feliz por não brilhar no escuro. Não ainda, pelo menos... E então me dou conta:

-PQP!! OS MANSON!
-Você não vai lá sozinha.
-Mas eu preciso achar eles!
-Vamos todos.

Chamamos Lancaster, que resolve ir em casa e buscar a Anne quando fica sabendo o que estava acontecendo e onde íamos.

Ligo para Henry:

-Shan?
-Ei Henry! Tudo bem?
-Sim, e você?
-Bem... Onde você ta?
-No treino, porque?
-Porque a gente precisa do Rasga-Terra. Agora?
-Rasga-Terra? Como assim?
-Eu sei, Henry... Não precisa esconder.
-Sim, COMO você sabe é o problema.
-Longa história. Posso te esperar?
-Onde você precisa dele?

Passo o endereço. Digo pra ele não ir antes de eu avisar a ele, podia ser perigoso. Ele concorda. Peço a ele pra se cuidar. Apesar de envolvê-lo nisso, tenho medo por ele. Muito medo.

Enquanto eu e Erick vamos até a minha casa buscar a espada e o colar, Lancaster vai até a casa dele com Jono buscar Anne.

Tudo certo, nos encontramos no portão do ferro velho. Henry não está lá.

O lugar está uma bagunça. Carros espalhados, tudo fora da pouca ordem que era mantido. Porta da frente arrombada, nada de cachorros. Preocupante.

Durante as buscas pelos gêmeos, Anne me conta, discretamente, que Henry estava ali sim, mas do outro lado e diz que ali não há mais nada vivo.

Encontramos uma trilha de sangue, além de sinais de luta na casa. A trilha levava até uma pilha de carros. Quando Lancaster, Erick e Anne levantaram as ferragens, vimos uma marca de explosão, e a trilha terminava ali.

Digo para irmos embora, ali não é seguro. Todos concordam e vamos para a minha casa. Já na minha casa, Anne diz que ela iria ver se Henry precisava de ajuda. A peço para me manter informada e para dizer a ele para dar noticias assim que possível. Ela concorda e vai.

Ótimo... Uma poça de sangue no meu quarto... A espada, sangra MUITO e já está tudo ensopado e manchado de vermelho.

Durante a discussão sobre o melhor para Jono, o celular de Lancaster toca. Era um jovem chamado Henrique Rodriguez, que ligava procurando a doutora Lancaster e ouço algo sobre “castelo”. Peço para falar com o cara. Quando ele ouve uma voz feminina, já solta de uma vez, sem pensar:

-Doutora, preciso falar com você sobre meus sonhos, é urgente. Sonhei dessa vez com um castelo de pedras vinho, parecido com uma árvore, e com uma mulher que parecia a deusa do gelo e chamava Iti, que me encontrou e me levou até Ízidur, que disse que eu era o cavaleiro perdido dele. Eu não sei o que fazer, o anjo que eu ajudei ta me parecendo mais um demônio, to com medo, preciso falar com você urgente!
-Ok... Calma... Eu não sou a doutora Lancaster, mas posso te ajudar...

Depois convencê-lo de que não tínhamos seqüestrado a doutora e que poderíamos mesmo ajuda-lo, dizendo que era mesmo um anjo, Uriel, que eu era “Maria” e havia ganho um presente de Deus, ele topou nos encontrar e ficou até mais calmo. Passo meu número a ele e vou me arrumar para conhecer alguém com mais problemas que nós três juntos. Só esperar a ambulância que vai levar Jono para o hospital do Lancaster...

quarta-feira, 30 de setembro de 2009

Descobertas...


Fomos à casa de Archa Borlins no dia marcado. Logo de cara já vi que seria complicado. Eu não conseguia andar acima da velocidade permitida, não conseguia não parar em sinais mesmo que ainda estivessem amarelos e não podia deixar o Henry dirigir já que ele não podia se exaltar até que tivesse controle sobre essa fúria que o estava dominando. E me lembrei da promessa que fiz à aranha...

No prédio da nossa anfitriã, assim que as portas do elevador se abriram, Henry fareja o ar, como um animal, me olha com um olhar estranho e diz “Alfa!”. Não podia ser boa coisa...

Quando entramos, havia um homem na sala com a srta. Borlins. Ele e Henry se entreolharam e ficaram assim, parados, se encarando, quase numa cena de velho oeste. Simplesmente não se moviam, não piscavam, nada. Quase podia ver as faíscas saindo dos olhos deles. Achei que o pior fosse acontecer. Chamei pelo Henry mas ele não me ouvia. Virei o rosto dele em minha direção, e quando os olhos dele encontraram os meus, aquele medo primitivo me cegou.

Quando dei por mim estava encolhida no canto do elevador, a srta. Borlins do outro lado da sala escondida atrás de um sofá e os dois parados no meio da sala, segurando um no pulso do outro, ainda se encarando. Sem dizer nada, a srta Borlins me chama para perto dela e com o olhar me diz para não me envolver na situação. Me aproximo dela e ficamos as duas, quase sem respirar, olhando a cena no meio da sala.

-Vai ter sua chance, filhote. Não aqui, não agora. - O homem disse enquanto soltava o pulso de Henry. Contrariado, Henry concordou e soltou o homem.

Ele era Sr. Alfred Ausbury, companheiro da srta Borlins. Muito educado, nos pede desculpas e se retira.

Durante toda a conversa com a srta Borlins, Henry parecia distante. Mas o estranho foi quando ela esboçou familiaridade com o nome de meus pais e depois tentou fingir que não os conhecia. Enquanto me explicava mais um pouco sobre esse novo mundo que eu estava descobrindo, citou algumas pessoas. Algumas parecidas comigo e com ela, assim como Jonothan, o Sr. Alfred, Miguel, e um outro cara chamado Chambers (que eu ainda não conhecia, mas ela dizia ser alguém importante, que lidava com memórias), cada um com sua habilidade. Outras como Henry e Amélia, uma menina de nome estranho, que era uma espécie de metamorfa. Disse que henry tinha que aprender a controlar toda e qualquer emoção, qualquer uma delas poderia desencadear um ataque de fúria. Muito bom! Nos convidou a ir a um leilão de peças dela que aconteceria dali a dois dias pela casa Holtz, a mesma que Charlotte trabalhava.

Precisávamos ir embora. Ela tinha os compromissos dela, e eu tinha algumas coisas a descobrir...
Chegamos em casa. Henry quis andar um pouco para espairecer. Eu o esperei com uma camisola pequena de seda. Tinha que descobrir.

Quando ele chegou e me viu, desceu as escadas correndo de volta para a garagem. De lá me perguntou se eu tinha certeza. Claro que eu tinha! Então ele subiu de novo, já tirando a camisa.
O corpo dele parecia mudar. Eu sentia os músculos mais rígidos que o normal, ele já não era mais tão delicado quanto antes e parecia maior. Não me machucava, mas não permitia que eu dominasse a situação. Ao toque ele parecia ter mais pêlos no corpo, mas eu não via esses pêlos. Apesar de algumas diferenças significativas, as coisas estavam muito boas...

Até aquele medo me dominar de novo. Acordei no banheiro, trancada, encolhida. Voltei para o quarto e ele estava sentado, enrolado num lençol, envergonhado.

-Te machuquei, não foi?
-Não... Eu senti medo. Mas um medo irracional, eu não sabia o que estava fazendo. Só me lembro de estar aqui com você, e no instante seguinte estar no banheiro. – o abraço forte e ele corresponde.
-Shan, a gente tem que parar com isso. Não quero te machucar.

Eu sorrio.

-A prática leva à perfeição, meu amor. Ou você aprende a se controlar, ou eu acabo me acostumando, o que vier primeiro. Só não vou abrir mão de você...

Ele sorri e me beija com calma. Nos deitamos e ficamos abraçados até adormecer.

Meu noivo e minha primeira vez voluntária



Sorte ou azar, era mesmo o Dr. Lancaster de plantão naquela noite. Cuidou do Henry sempre nos enchendo de perguntas. Pediu licença a ele para me falar algo em particular.

Veio com o papo de que eu devia tomar cuidado que eu era “Maria” e que um anjo disse que ele devia tomar conta de mim e mais um papinho furado que se ele não fosse tão doido eu podia achar até que era cantada. Disse a ele que não queria saber e voltei para o quarto onde o Henry estava. ESTAVA...

Só encontramos as roupas dele e uns enfermeiros dizendo que ele tinha fugido. Como assim, fugiu??? Liguei para o Al, precisava de ajuda. Ele estava a caminho.

Saímos para procurar pelo Henry. Quando o encontramos não entendemos como ele andou tanto em tão pouco tempo, completamente nu. Mas o estado dele era o que mais assustava. Ele chorava, encolhido em posição fetal, como uma criança. Só permitiu que eu me aproximasse, ficava agressivo com qualquer outra pessoa. Consegui coloca-lo no carro e levar de volta para o hospital.

Ele precisava ser sedado para ser examinado e o idiota do Lancaster não me deixou ficar com ele. Mas de alguma forma ele conseguiu aplicar o sedativo e quando fui ver meu noivo novamente ele já estava dormindo.

Pela manhã Henry estava bem, acordado e não se lembrava de nada. Eu já havia falado com Jonothan, que esteve no hospital. Ele não conseguiu ao certo dizer o que havia com meu noivo, mas disse que conhecia alguém que poderia dizer. Apesar de não ser uma pessoa confiável e amigável, a Srta Archa Borlins saberia com certeza nos dizer o que estava acontecendo. Ele mesmo a pediu que fosse lá. Um pouco depois ela chegou. Muito bonita e altiva. Disse que Henry era um espírito antigo, primitivo, bestial, que estava despertando. E nos convidou para um chá na casa dela no dia seguinte, onde poderia nos dar mais informações a respeito disso tudo.

Dr. Lancaster nos disse que ele estava bem e não tinha ferimentos, mas não ia dar alta a ele. Pra piorar começou a insulta-lo, e disse que meu noivo era perigoso para mim. O cara já estava começando a me encher.

Enquanto o Henry se trocava no banheiro para irmos embora, o doutor veio dizendo que meu noivo era uma criatura primitiva, que não era como eu ou ele. Era algo diferente e perigoso. Que eu devia tomar cuidado, e claro, começamos a discutir. Então Henry fugiu de novo. Mais um ponto pro doutor!

Saí dali desesperada, sem saber pra onde ir. Fui pra casa e pela primeira vez, resolvi ir até o outro lado, tentar achar um meio para ajudar meu noivo.

Me concentrei e quando dei por mim, tinha conseguido. Chamei e ouvi uma resposta. De uma aranha... Pedi informação e o “espírito aranha”, como ela mesmo se denominava, disse que me ajudaria se eu prometesse respeitar a cidade em todas as suas formas. Concordei. Ah, como essa promessa ainda ia me irritar...

Depois de um tempo ela me trás a informação. De acordo com o que ela me descreveu, Henry estava na velha casa da família dele. A mulher que o atacou foi sutilmente chamada de “Fúria Viva” pelo espírito aranha, que também me disse que meu noivo era como ela. Fui até la, mas não pude fazer nada. Voltei para casa e esperei pela volta dele. Eu sabia que ele voltaria quando se sentisse seguro.

No meio da tarde ele voltou. Envergonhado, assustado. Disse que sentiu um ódio tão grande ao me ouvir discutindo com o médico que sabia que se não fugisse poderia machucar alguém. Disse que tinha medo de me machucar. Eu não ligava! Queria estar com ele, passar por isso com ele. Iríamos dar um jeito em tudo. Foi então que ele me contou das “alucinações”. Ele também conseguia andar entre os planos involuntariamente e não entendia nada. Expliquei a ele e tentamos nos acalmar.

Naquela noite Jonothan me disse que a mulher era conhecida por Amélia Sampaio. E disse que eu e Henry precisávamos de uma espécie de âncora que dificultasse nossas viagens. Sal ou ferro.
Encomendei duas pulseiras de ferro puro aos gêmeos do ferro velho. Assim que ficassem prontas, alguma parte do problema estaria resolvida.

Como eu queria estar certa...

E fica cada vez pior...

Eu ainda não acreditava no caso dos Manson. Era impossível! Como assim? O que será que eu fazia, então? Nem Jonothan sabia. Ele dizia que apenas sentiu que eu era um deles, que todos nós sentimos e por isso resolveu me ajudar a lidar com tudo e me ensinar a aprimorar as minhas ainda desconhecidas “habilidades”. Éramos chamado de "nexos". Agora sim entendi o que a louca do hospital quis dizer. Então ela é um também. Saco...

Normalmente Jono vinha me visitar em sonho e respondia a qualquer dúvida que tivesse. Ele manipulava as sombras. Era estranho, mas parecia ser um cara legal. Me explicava sobre a terra, o céu e o inferno, que não são o sentido bíblico desses lugares. Em linhas grossas, um dia o inferno vai deixar de existir, a terra de hoje será o novo inferno, e o céu será a nova terra. Todos querem no mínimo se manter onde estão, mas há os que querem "subir" de posto, daí a gurra entre esses mundos, um tentando dominar o outro. Diz que a sucessão é natural, mas há quem queira precipitar as coisas, ou impedí-las de seguirem seu curso. Nós estaríamos do lado da terra... Mais ou menos isso.

Um belo dia estava eu arrumando minha casa quando uma janela simplesmente estoura, e um homem cai no meio da minha sala. Olhos muito azuis, e uma mulher o atacava. Ela agia como uma fera, tinha movimentos invejáveis, parecia pega impulso no ar, mas tinha garras de ossos, como se fossem as pontas dos dedos dela, algo muito bizarro e assustador. O homem parecia ter uma espécie de escudo invisível, sei lá. Sei que ela batia as garras em algo e o ar se movia em formas onduladas, como quando jogamos uma pedra num lago e formam-se algumas pequenas ondulações. Meu rotweiller, Baruk, começa a atacar o homem também, e não obedecia aos meus comandos. Foi quando a mulher de alguma forma conseguiu romper aquela barreira invisível, e cortou fundo o braço do homem. Ele me olhou e quase envergonhado me disse apenas “Corre...”. Eu nãi a sair dali. Dos olhos dele, saiu um clarão que me cegou. Quando o clarão sumiu, era como se nada tivesse acontecido. Até o Baruk estava deitado no mesmo lugar de antes, tranquilo, me olhando... Muito estranho. A janela estava inteira, a sala limpa, nem um caco de vidro, nem uma gota de sangue, nada! Aquilo parecia que simplesmente não havia acontecido...

Liguei para o Aleksei, precisava conversar com ele. Jonothan havia me dito que isso pode ser hereditário e que meu irmão podia estar passando por isso também. Ele era a melhor opção.

Marcamos num restaurante, só nós dois. Comecei a contar, ele ficou preocupado achando que eu estava alucinando. Foi quando aconteceu de novo.

A mesma mulher, desta vez apanhando e muito de um homem enorme. Ok, ela podia ser uma vadia bizarra, mas era injusto. Quando olhei não havia mais ninguém além de nós três no restaurante. Gritei pelo meu irmão várias vezes, mas não obtive resposta. A mulher apanhava muito, no chão, debaixo daquele gigante. Resolvi me meter. Mandei o cara largar ela, mas ele não se moveu. Repeti e nada. Chutei a costela dele, nada. Chutei de novo e ele sentiu. Se levantou e eu pude ter certeza dos dois metros de altura dele.

-Como você tá aqui? - disse enquanto se preparava pra me dar um soco. Só que ele simplesmente sumiu no ar! Olho à minha volta, eu estava no restaurante cheio de novo, que agora estava inteiro me olhando, meu irmão escondido atrás do cardápio. Meu Deus, que vergonha!!

-E é mais ou menos isso. Não faço muita coisa na peça... - eu disse olhando pro Al, tentando não parecer tão doida quanto estavam pensando. As pessoas se voltaram para seus pratos menos assustadas e eu voltei ao meu lugar na mesa com meu irmão, que me pediu para ir ao médico e não levou nada do que disse a sério.

Como se não bastasse, nesse mesmo dia na academia, quando entro na sala de aula cheia de alunos, alguém me agarra e me imobiliza. Pela voz, reconheci o grandão do restaurante.

-Como você faz isso? Nem os mais velhos conseguem andar assim nos dois mundos!
-Não sei, não sei como faço e nem porque faço! Na verdade, nem sei quando faço! Só noto depois! Me solta!

Mas não adiantou, ele não me soltou.

-Não quero que você tente me bater de novo, porque não quero ter que te bater, então não vou te soltar. Guria, tu não faz idéia de onde ta entrando. Não fica circulando por aqui desse jeito, vai se machucar de verdade. Se eu fosse você dava um jeito de me manter em terra firme. - e me soltou.
-Quem é você?
-Miguel.
-E como eu saio daqui?
-Se concentra, gata...

Funcionou. Meus alunos me olhavam espantados, com medo. Eu ri que nem maluca, olhando pra eles, como se tivesse brincando e saí da sala. Quando voltei eles pareciam ter acreditado na brincadeira e eu pude dar minha aula.

Foi assim que descobri que existe um mundo sob mundo, o mundo espiritual. E eu conseguia ir para lá sem o mínimo esforço, o que era bem enstranho até para quem já está dentro dele...

terça-feira, 29 de setembro de 2009

Começando a ficar maluca


Mais um dia na minha vida corrida. Hoje literalmente, é dia de correr com o Henry. Depois tenho algumas avaliações físicas pra fazer na academia. Novos alunos, isso é muito bom! Mas o Henry muda de planos. Ele prefere se exercitar na cama. Por mim tá ótimo! Ainda bem que temos ritmos muito parecidos. E fôlego!

Primeira avaliação. Não posso acreditar. Assim, de cara? Era o cretino que tava me olhando pela vitrine da loja! Me parece menor, mais franzino, mas É ELE. Será que ele tá me perseguindo? Se tiver eu vou descobrir e ele vai se arrepender.

Jonothan, o nome dele. Que coisa estranha, essa sombra não devia estar daquele jeito. Parece se mover sem precisar da luz. Devo estar cansada. Ok, nada de sexo antes do trabalho. Quantas vezes será que eu já me disse isso?

Shan, foco!! Volta pra avaliação do cara!

Não, pera, tem algo errado. Só TRINTA batimentos por minuto? Esse cara morreu, não é possível. Diz ele que é normal, mas eu não posso colocar um cara assim pra malhar e morrer aqui. Ele diz que volta depois com uma permissão médica. Vamos esperar. E essas sombras, parecem querer segui-lo. Coisa bizarra. Eu REALMENTE preciso descansar antes que fique maluca e ao invés de casada, seja internada...

Comento com o Henry sobre esse cara.

-Tudo bem, quando ele voltar com o atestado, eu descubro o que ele quer com você!
-Não amor, assim não. Pode ser só coincidência. Eu descubro e te falo. Se for o caso ele é todo seu, prometo!

Dia cheio, hora de dormir. Não antes de curtir meu noivo da melhor forma possível. Acho que somos meio ninfomaníacos, mas dormir nos braços dele é perfeito também...

Devo estar mais impressionada com o cara que imaginava. No sonho daquela noite, Jonothan pede desculpas por ter me assustado.

-Não sabia como lhe abordar, achei que aqui seria mais fácil e você ficaria menos assustada. Preciso falar com você, Shantel.

Ele me diz que era ele mesmo na loja. Me explica que o sobrenatural existe e eu sou alguém, digamos... “Especial”. Alguém que tem meios de agir para ajudar o mundo, literalmente. Disse que meus dons para isso estavam prestes a fluir. Que se eu ainda não acreditasse, era pra procurar o doutor Lancaster, do hospital James Lancaster e perguntar sobre o cara que se curou sozinho, era alguém semelhante a mim. O doutor teria meios de me levar até ele e eu poderia ter minhas comprovações.

Não sei porque, Jonothan, mas eu vou. Devo estar mesmo maluca, mas vou...

Começando os preparativos


Dezembro de 2007. Apenas cinco meses para o casamento e eu não fiz NADA ainda! Deus, tô ferrada!

Corro muito, vou em todas as lojas de vestido de noiva, em todos os bufett da cidade, escolho modelo de convite, meu Deus, pra quê tanta coisa assim, só pra me deixar maluca! As lembrancinhas da festa!! MEU DEUS, AS BENDITAS LEMBRANCINHAS!

Ainda bem que escolher os padrinhos é a parte mais fácil.

Email pra minha mãe, Lumikki, Charlotte, Marrie, Tanja... Criamos um grupo de discussão só pra me ajudarem a escolher as coisas da festa, da igreja, o vestido... MEU VESTIDO!!

Como assim, eu esqueci do meu vestido?? Aiaiai... Ao menos os convites já estão sendo feitos, o lugar da festa e a igreja já foram escolhidos, os vestidos das madrinhas estão em fase de ajuste e o cardápio da festa quase pronto.

Finalmente um estilista que entende o que eu quero. O croqui estava perfeito, mando começar a fazer. Já estamos no meio de janeiro e ainda não tenho vestido, sapatos, acessórios e nem decoração de lugar nenhum. Ótimo...
Pera... Aquela coisa “algo velho, algo novo, algo emprestado e algo azul”... Ok. Uma liga azul, daquelas de elástico estilo “Betty Boop” só pra constar a coisa azul da lista mesmo. Os brincos de brilhante da Charlotte. Todo o conjunto de espartilho, ligas e meias finas brancas, novíssimas (claro... a única peça que realmente interessa ao Henry já foi comprada...). Algo velho. Será que não serve a coisa emprestada? Tá, por via das dúvidas vou usar o anel de brilhantes que foi da minha avó, da minha mãe e agora é meu... Acho que é velho o suficiente...

Março, DOIS MESES para o casamento!!! Mais uma prova de vestido. Ok, agora para frente do espelho para ser espetada enquanto a mulher diz marcar o vestido para ajustes. Que droga, TINHA q ser em frente as vitrines? Vou pedir desconto, servir de manequim vivo para a loja não tava no contrato... Mas meu vestido tá lindo... Ei! O QUE é aquilo???
Olho para trás e o que vi no reflexo do espelho já não estava mais lá. O cara bizarro de olhos completamente negros havia sumido. Coisa estranha, medonha... Ele tava lá, eu tenho certeza, tava me olhando!


Acho que preciso descansar...
 

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