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segunda-feira, 28 de setembro de 2009

Meu primeiro noivo, meu primeiro chifre...



Ele era lindo, perfeito! Olhos verdes, cabelos negros, um sorriso meio tímido, e um beijo... E maduro. Afinal, ele era treze anos mais velho que eu.

Ele me viu crescer nos ensaios da banda dele onde minha madrinha canta e compõe. Mas me enxergava como mulher e quando eu fiz dezesseis anos começamos a namorar.

Ninguém acreditava que eu namorava ninguém menos que Samuli Kantee, tecladista da SilveRose. As meninas morriam por ele e era a mim que ele amava! Só meu pai e meu irmão não gostavam disso. Minha mãe me dizia para tomar cuidado e ter juízo, mas meu pai e meu irmão queriam me matar. Principalmente o Al. Ele MORRIA de ciúmes, e queria que meu pai me proibisse de namorar o Samuli, mas meu pai achava que seria pior. Ele sabia que mais cedo ou mais tarde, eu iria me desiludir.

Claro que a minha primeira vez foi com ele. Contamos com a ajuda da minha madrinha e de Tanja para isso. Ela se “responsabilizou” por nós para meu pai, meu tio e meu irmão, mas minha mãe sabia o que iria acontecer. Ela sabia que eu acabaria dando um jeitinho para isso e se ela me apoiasse, pelo menos teria certeza que eu tomaria cuidado com tudo.
Carinhoso ao extremo, foi a noite perfeita. Dormimos juntos, durante uma viagem da banda pela Itália, num hotel lindo! No dia seguinte passeamos por Roma, depois de ser acordada com uma chuva de pétalas de rosas vermelhas... Foi simplesmente a noite de sonho de qualquer garota.
Um belo dia, depois de um ano de namoro, eis que ele chega de surpresa, na minha casa, na Rússia (ele morava na Finlândia quando não estava em turnê) com um buquê de flores e um par de alianças! Eu não acreditei! Nem meus pais. Tivemos que segurar o Al pra não voar nele. Mas meus pais concederam a minha mão, depois do pedido formal de casamento. Eu estava noiva de Samuli Kantee!

Mas eu nem podia imaginar o que isso se tornaria. Alguns meses de noivado, eu resolvi retribuir a surpresa dele e aparecer do nada no hotel onde ele estava hospedado em Moscou, durante outra turnê, depois do show. Como desta vez não queria que ninguém soubesse, meu pai só permitiu que eu saísse de casa aquela hora porque o Al estava na cidade e me acompanharia. E como todos me conheciam e não faziam idéia do que estava acontecendo no quarto de Samuli, me ajudaram a conseguir a chave reserva do quarto dele. Eis que entro e acendo a luz. Aleksei me espera do lado de fora desde que eu não feche a porta. Não acreditei no que eu vi. Samuli com outra garota, na cama. Dei um grito de susto misturado ao ódio que senti, mas não conseguia fazer nada, nem me mover. Enquanto ele se enrolava num lençol e tentava se explicar, a garota ria. Aleksei entrou no quarto e quando viu o que estava acontecendo, não disse nada. Só parou de bater no Samuli quando os seguranças do hotel conseguiram contê-lo. Depois disso Al me levou para casa e não sabia o que fazer pra cuidar de mim, assim como meus pais. Minha tia não pode fazer nada em relação à Samuli e à banda, mas mantém com ele hoje em dia apenas uma relação profissional.
Nesse ano compus minha primeira canção, onde eu afirmava que nunca mais cairia e não perderia a confiança nos sentimentos.

O pessoal todo da banda ficou um bom tempo desapontado com ele, pois todos ali gostavam muito de mim e não queriam me ver passar por aquilo. Claro que tudo voltou ao normal entre eles e comigo.

Apesar de não querer mais contato com ele, ele não representa mais nada para mim. Se tornou indiferente a presença ou existência dele. Mas até hoje ele se arrepende do que fez e volta e meia tenta se aproximar. Em vão...

No ano seguinte fui para Londres, onde conheci o Henry. Mais um motivo para não querer nem ouvir a voz de Samuli...

Alguns fatos da minha infância e adolescência...

Quando criança queria sempre ajudar a tudo e todos. Perdi as contas de quantos bichinhos levei para casa para dar comida e proteger do frio. Minha mãe brigava enquanto meu irmão tentava me ajudar e meu pai tentava convencê-la de que eu era apenas muito sensível, que logo ele levaria o animal para algum abrigo, que esperasse só um pouco para eu me sentir útil, com a “missão cumprida”. Por isso chegamos a ter sete cachorros e quinze gatos em uma determinada época. Depois meu pai realmente os levou para algum abrigo. Só tínhamos mesmo como nosso, um golden retriver marrom chamado Loop e uma gata vira latas que resistiu à implicância de minha mãe e a conquistou no dia que matou uma enorme ratazana da estufa que ela mantinha na nossa casa, a Lilly. Loop morreu pouco depois que me mudei para cá, de velhice mesmo. Lilly sumiu da nossa casa há alguns anos.

O apelido familiar de minha madrinha foi dado por mim, aos três anos de idade. Minha mãe me contava, em suomi, a história da “Branca de Neve e os Sete Anões”. Quando ouvi a descrição da protagonista, disse: “Igual à dinda Mah, mamãe!”. “Lumikki” significa “Branca de Neve” em suomi. Ela é chamada assim até hoje, por todos da família.

Foi Lumikki que me ensinou os primeiros acordes. Eu tinha apenas três anos e ela dezesseis quando percebeu meu interesse e resolveu que eu seguiria os passos dela na música. Nas minhas férias na Finlândia, na casa de uma tia da minha mãe pois minha avó já havia falecido, junto à minha madrinha comecei a estudar teclado, canto e violão. Anos depois Lumikki inicia uma banda e eu praticamente cresci ali, no meio deles. Brincava durante o ensaios e me tornei a mascote da turma. Quando a banda começou a fazer sucesso mundial, eu não acreditei! E foi dali que saiu meu primeiro namorado e noivo (ok, acho que se um dia encontrar outra pessoa, pulo a parte do noivado...), Samuli, o tecladista da banda, treze anos mais velho que eu. Ah, depois penso nisso...

A partida de Aleksei para Londres foi muito dolorosa para mim. Cheguei a ficar doente. Na época em que comecei a praticar sambo foi muito mais para ficar perto dele que por qualquer outro motivo. Só com o tempo aprendi a amar o esporte. Como eu ficava nervosa quando quebrava algum dedo e não podia tocar. E nossa, como eu já me quebrei toda nesse esporte. Ninguém acreditava que eu fosse mesmo capaz de continuar e gostar de sambo. Só o Al. E “perder” meu irmão aos doze anos não foi fácil. Mesmo sabendo que ele voltaria sempre para nos visitar, pra onde eu correria se tivesse algum pesadelo? Quem me buscaria nas festinhas, quem me ajudaria a esconder as coisas erradas que eu fazia dos meus pais (ok, essa parte podia até ficar com o meu padrinho Max, mas ele não morava na nossa casa, era mais difícil). Metade da minha base de vida foi pra Londres com meu irmão. E por mais que eu amasse meus pais, não via a hora de poder correr pra perto do Al.
 

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