segunda-feira, 28 de setembro de 2009

Alguns fatos da minha infância e adolescência...

Quando criança queria sempre ajudar a tudo e todos. Perdi as contas de quantos bichinhos levei para casa para dar comida e proteger do frio. Minha mãe brigava enquanto meu irmão tentava me ajudar e meu pai tentava convencê-la de que eu era apenas muito sensível, que logo ele levaria o animal para algum abrigo, que esperasse só um pouco para eu me sentir útil, com a “missão cumprida”. Por isso chegamos a ter sete cachorros e quinze gatos em uma determinada época. Depois meu pai realmente os levou para algum abrigo. Só tínhamos mesmo como nosso, um golden retriver marrom chamado Loop e uma gata vira latas que resistiu à implicância de minha mãe e a conquistou no dia que matou uma enorme ratazana da estufa que ela mantinha na nossa casa, a Lilly. Loop morreu pouco depois que me mudei para cá, de velhice mesmo. Lilly sumiu da nossa casa há alguns anos.

O apelido familiar de minha madrinha foi dado por mim, aos três anos de idade. Minha mãe me contava, em suomi, a história da “Branca de Neve e os Sete Anões”. Quando ouvi a descrição da protagonista, disse: “Igual à dinda Mah, mamãe!”. “Lumikki” significa “Branca de Neve” em suomi. Ela é chamada assim até hoje, por todos da família.

Foi Lumikki que me ensinou os primeiros acordes. Eu tinha apenas três anos e ela dezesseis quando percebeu meu interesse e resolveu que eu seguiria os passos dela na música. Nas minhas férias na Finlândia, na casa de uma tia da minha mãe pois minha avó já havia falecido, junto à minha madrinha comecei a estudar teclado, canto e violão. Anos depois Lumikki inicia uma banda e eu praticamente cresci ali, no meio deles. Brincava durante o ensaios e me tornei a mascote da turma. Quando a banda começou a fazer sucesso mundial, eu não acreditei! E foi dali que saiu meu primeiro namorado e noivo (ok, acho que se um dia encontrar outra pessoa, pulo a parte do noivado...), Samuli, o tecladista da banda, treze anos mais velho que eu. Ah, depois penso nisso...

A partida de Aleksei para Londres foi muito dolorosa para mim. Cheguei a ficar doente. Na época em que comecei a praticar sambo foi muito mais para ficar perto dele que por qualquer outro motivo. Só com o tempo aprendi a amar o esporte. Como eu ficava nervosa quando quebrava algum dedo e não podia tocar. E nossa, como eu já me quebrei toda nesse esporte. Ninguém acreditava que eu fosse mesmo capaz de continuar e gostar de sambo. Só o Al. E “perder” meu irmão aos doze anos não foi fácil. Mesmo sabendo que ele voltaria sempre para nos visitar, pra onde eu correria se tivesse algum pesadelo? Quem me buscaria nas festinhas, quem me ajudaria a esconder as coisas erradas que eu fazia dos meus pais (ok, essa parte podia até ficar com o meu padrinho Max, mas ele não morava na nossa casa, era mais difícil). Metade da minha base de vida foi pra Londres com meu irmão. E por mais que eu amasse meus pais, não via a hora de poder correr pra perto do Al.

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