
Me lembro bem, era dia 25 de outubro e eu tava muito enjoada. Henry (agora um jogador de rúgbi bem sucedido) chegou do treino de banho tomado com aquela colônia que eu amava, mas quando ele me abraçou só deu tempo de correr pro banheiro. Charlotte e Marrie estavam lá em casa, viram a cena e começaram a rir. "Aiaiai, vamos ser tias logo!" brincavam, enquanto eu insistia que havia comido algo estragado. Mas eu sentia que não era isso...
O Henry havia acabado de me pedir em casamento, estava se mudando para a minha casa. Não podia ser. Minha família ia achar que foi tudo de caso pensado, meu irmão ia me matar! Se meu pai não matasse ele antes, por não ter tomado conta de mim... Bem capaz, eu já tinha os meus 22 anos e era completamente independente de qualquer pessoa, mas mesmo assim ainda eram minha família. E o próprio Henry me pediu pra fazer o exame de farmácia.
Na manhã do dia seguinte, enquanto ele organizava as coisas dele no loft, eu fiz o exame. " E aí, Shan??", ele perguntava de cinco em cinco minutos. E eu olhava as duas listrinhas naquela coisa do teste, e confirmava na embalagem: "duas listras: POSITIVO" Não, não... Tinha algo errado... Ou não...
Quando disse a ele a expressão dele mudou. Ele ficou pálido, me olhando. Quando eu pensava "ok, agora sim, me ferrei!" ele me abraçou. Só não apertou mais porquê teve medo de machucar o bebê. Me olhava com os olhos marejados e um sorriso bobo, dizendo "A gente vai ter um filho?? É sério?? Um bebê, meu e seu??" E então eu comecei a sorrir também e deixei de pensar no resto do mundo. Ali, naquele momento, nos braços dele, só existíamos nós três... Ele, eu e este bebê crescendo dentro de mim...
Meu irmão foi o primeiro a saber. A reação dele foi parecida com a do Henry. Palidez, olhar fixo em mim... A princípio ficou bravo, perguntando como aquilo tinha acontecido. Mas no segundo seguinte me abraçou e disse que estava muito feliz e que eu poderia contar com ele pra tudo. Que aquela criança já era mais que bem vinda... E todos os nosso amigos ficaram muito felizes logo de cara, nos dando os parabéns e discutindo nomes, padrinhos, quem daria o primeiro brinquedo, qual faculdade a criança faria...
Meus pais queriam me matar pelo telefone. "Uma vida inteira pela frente e já arruma uma responsabilidade dessas? Vcoê não sabe nem cuidar de si mesma, quanto mais de uma criança!" e coisas do tipo... Mas depois do susto, começaram a gostar da idéia de serem avós. Logo a família toda começou a mandar presentes e eu estava grávida de apenas SEIS semanas!
Lumikki acabou compondo uma canção pequena mas linda, cantada em suomi. Ela dizia que a paz poderia ser encontrada num balançar de berço, acreditando que a maternidade me faria desacelerar meu ritmo.
Começamos todos os exames, mantínhamos tudo em dia. Queríamos o melhor para o bebê. E foi num exame que descobrimos que seria uma menina! Anikka Khodasevich Thompson! Esse seria o nome dela. Os pais e a irmã do Henry já não viam a hora de poder pegá-la no colo. A sala de exame ficava sempre cheia...
Tudo estava sendo preparado com todo o amor e ansiedade para a chegada da pequena Anikka... Definitivamente, foi a melhor época da minha vida...

0 comentários:
Postar um comentário
Lembre-se antes de comentar: TODOS os fatos são fictícios e as imagens meramente ilustrativas, ok?