quarta-feira, 30 de setembro de 2009

E fica cada vez pior...

Eu ainda não acreditava no caso dos Manson. Era impossível! Como assim? O que será que eu fazia, então? Nem Jonothan sabia. Ele dizia que apenas sentiu que eu era um deles, que todos nós sentimos e por isso resolveu me ajudar a lidar com tudo e me ensinar a aprimorar as minhas ainda desconhecidas “habilidades”. Éramos chamado de "nexos". Agora sim entendi o que a louca do hospital quis dizer. Então ela é um também. Saco...

Normalmente Jono vinha me visitar em sonho e respondia a qualquer dúvida que tivesse. Ele manipulava as sombras. Era estranho, mas parecia ser um cara legal. Me explicava sobre a terra, o céu e o inferno, que não são o sentido bíblico desses lugares. Em linhas grossas, um dia o inferno vai deixar de existir, a terra de hoje será o novo inferno, e o céu será a nova terra. Todos querem no mínimo se manter onde estão, mas há os que querem "subir" de posto, daí a gurra entre esses mundos, um tentando dominar o outro. Diz que a sucessão é natural, mas há quem queira precipitar as coisas, ou impedí-las de seguirem seu curso. Nós estaríamos do lado da terra... Mais ou menos isso.

Um belo dia estava eu arrumando minha casa quando uma janela simplesmente estoura, e um homem cai no meio da minha sala. Olhos muito azuis, e uma mulher o atacava. Ela agia como uma fera, tinha movimentos invejáveis, parecia pega impulso no ar, mas tinha garras de ossos, como se fossem as pontas dos dedos dela, algo muito bizarro e assustador. O homem parecia ter uma espécie de escudo invisível, sei lá. Sei que ela batia as garras em algo e o ar se movia em formas onduladas, como quando jogamos uma pedra num lago e formam-se algumas pequenas ondulações. Meu rotweiller, Baruk, começa a atacar o homem também, e não obedecia aos meus comandos. Foi quando a mulher de alguma forma conseguiu romper aquela barreira invisível, e cortou fundo o braço do homem. Ele me olhou e quase envergonhado me disse apenas “Corre...”. Eu nãi a sair dali. Dos olhos dele, saiu um clarão que me cegou. Quando o clarão sumiu, era como se nada tivesse acontecido. Até o Baruk estava deitado no mesmo lugar de antes, tranquilo, me olhando... Muito estranho. A janela estava inteira, a sala limpa, nem um caco de vidro, nem uma gota de sangue, nada! Aquilo parecia que simplesmente não havia acontecido...

Liguei para o Aleksei, precisava conversar com ele. Jonothan havia me dito que isso pode ser hereditário e que meu irmão podia estar passando por isso também. Ele era a melhor opção.

Marcamos num restaurante, só nós dois. Comecei a contar, ele ficou preocupado achando que eu estava alucinando. Foi quando aconteceu de novo.

A mesma mulher, desta vez apanhando e muito de um homem enorme. Ok, ela podia ser uma vadia bizarra, mas era injusto. Quando olhei não havia mais ninguém além de nós três no restaurante. Gritei pelo meu irmão várias vezes, mas não obtive resposta. A mulher apanhava muito, no chão, debaixo daquele gigante. Resolvi me meter. Mandei o cara largar ela, mas ele não se moveu. Repeti e nada. Chutei a costela dele, nada. Chutei de novo e ele sentiu. Se levantou e eu pude ter certeza dos dois metros de altura dele.

-Como você tá aqui? - disse enquanto se preparava pra me dar um soco. Só que ele simplesmente sumiu no ar! Olho à minha volta, eu estava no restaurante cheio de novo, que agora estava inteiro me olhando, meu irmão escondido atrás do cardápio. Meu Deus, que vergonha!!

-E é mais ou menos isso. Não faço muita coisa na peça... - eu disse olhando pro Al, tentando não parecer tão doida quanto estavam pensando. As pessoas se voltaram para seus pratos menos assustadas e eu voltei ao meu lugar na mesa com meu irmão, que me pediu para ir ao médico e não levou nada do que disse a sério.

Como se não bastasse, nesse mesmo dia na academia, quando entro na sala de aula cheia de alunos, alguém me agarra e me imobiliza. Pela voz, reconheci o grandão do restaurante.

-Como você faz isso? Nem os mais velhos conseguem andar assim nos dois mundos!
-Não sei, não sei como faço e nem porque faço! Na verdade, nem sei quando faço! Só noto depois! Me solta!

Mas não adiantou, ele não me soltou.

-Não quero que você tente me bater de novo, porque não quero ter que te bater, então não vou te soltar. Guria, tu não faz idéia de onde ta entrando. Não fica circulando por aqui desse jeito, vai se machucar de verdade. Se eu fosse você dava um jeito de me manter em terra firme. - e me soltou.
-Quem é você?
-Miguel.
-E como eu saio daqui?
-Se concentra, gata...

Funcionou. Meus alunos me olhavam espantados, com medo. Eu ri que nem maluca, olhando pra eles, como se tivesse brincando e saí da sala. Quando voltei eles pareciam ter acreditado na brincadeira e eu pude dar minha aula.

Foi assim que descobri que existe um mundo sob mundo, o mundo espiritual. E eu conseguia ir para lá sem o mínimo esforço, o que era bem enstranho até para quem já está dentro dele...

2 comentários:

Augusto Molkov disse...

Olha, "interpretou" o Miguel muito bem. :-) Só um detalhe apesar de ele ser a imagem do Woverine, eu luto ferrenhamente para ele não falar "Guria". Huahuahuahuahuahuhauhua

Lunna disse...

Hahahaha!

Brigada, eu ADORO esse cara (Miguel e/ou Wolverine, tanto faz!) tinha q ser algo pelo menos parecido...
Rá, vc tenta... Mas solta um "guria" frequentemente! Hehehehehe

Beijinhos!

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