
Apesar de tudo, era sempre bom estar com o Henry. Parecia que tudo que nos acontecia de ruim só servia para fortalecer ainda mais nossa relação. Ele estudava como sair do time de rúgbi antes que matasse alguém, então havia tirado licença médica.
Na manha seguinte, tentamos mais uma vez e o resultado foi o mesmo. Eu saí correndo. Quando procurei pelo Henry, ele estava sentado no jardim, enrolado em um lençol, abatido. Vesti meu hobby e fui até ele. O abracei e disse que as coisas iriam se acalmar, que eu não ia desistir dele e não permitiria que ele desistisse de nós. Nos beijamos e ele resolveu ficar estudando Yoga enquanto eu trabalhava.
Nesse dia em questão, por volta das sete da noite, eu voltava das minhas aulas na escola de música e ouvi um barulho. Corri para o andar de cima do loft e vi um homem muito estranho, com roupas de couro de vários animais costuradas à mão, barba por fazer e uma faca artesanal atacando o Henry, que se defendia e atacava também. Eu já sabia que meu noivo tinha capacidade de se regenerar, era parte do que ele era, mas não podia deixar isso acontecer. Tentei investir contra o homem, mas aquele maldito medo apareceu e me fez esconder dentro do armário de vassouras, abraçada ao Baruk, que desde que o Henry se tornou o que ele é, andava muito triste e sempre se escondia pelos cantos da casa.
Corri até meu quarto e o homem ainda estava lá. A casa estava toda destruída, meu noivo coberto de sangue, imóvel, deitado na cama. Então o homem se virou pra mim. Fugi para a rua e o cretino pula da minha janela bem na minha frente. Volto correndo e tento sair pelos fundos, pulando o muro. Vou até um telefone público e ligo para o Aleksei, digo que fomos atacados por alguém e que o Henry precisa de ajuda. Ignorando a ordem expressa do meu irmão, voltei ao loft. Tentava de todas as formas estancar o sangue de Henry e não entendia porque ele não estava se curando. A ambulância chegou e fomos para o hospital.
Ele foi direto para cirurgia. Horas e ninguém se manifestava. Até que meu irmão decide descobrir o que estava acontecendo. Quando ele volta, volta com os olhos marejados e me abraça forte, dizendo que sentia muito. Empurro meu irmão e vou ate a sala pra onde levaram o Henry a tempo de ouvir o médico dizer “hora do óbito: 03:42 da manhã”.
Não!!! Não!!! Isso não estava acontecendo!!
Os médicos simplesmente saíram da sala, me deixando ali com ele. Entendiam e já até deviam estar acostumados a uma cena daquelas.
Eu gritava com ele, batia nele, não podia permitir que ele me deixasse também. Era injusto. Foi quando notei que ele estava duro demais. O lençol que cobria parte do corpo dele não se movia, estava rígido e não importava o quanto eu tentasse movê-lo. A porta entreaberta simplesmente travou. Tudo parecia de pedra e estava estranhamente silencioso.
Escutei passos no corredor. Duas mulheres entram no quarto onde eu estava. Se identificaram como as irmãs Jacqueline e Tajana WhiteWood. Disseram que assim como eu, também possuíam habilidades especiais. Enquanto Jacqueline conseguia parar o tempo, Tajana tinha capacidade de voltar no tempo, apagando o período do tempo que precisa ser "refeito".Pelo que entendi a morte do Henry teve consequências em todo o mundo. Aquela história do bater de asas de uma borboleta... Somente eu me lembraria do que aconteceu, para que pudesse evitar.
Tajana estendeu a mão para o alto e a realidade pareceu queimar, derreter. Sem perceber, voltei ao momento da manhã, onde eu e Henry estávamos sentados no jardim.
Ele não entendeu porque eu chorava e o abraçava daquela forma. Pedi a ele que me tirasse dali, que fossemos para algum lugar longe de tudo, para ficarmos sozinhos. Passei minhas turmas do dia para o pessoal da academia e da escola de música. Mesmo sem entender ele arrumou tudo e nós fomos viajar.
Paramos num hotel em NewCastle. Nos hospedamos e fomos para o bar. Resolvi beber pela primeira vez na minha vida. Ele já estava costumado. Até experimentei um cigarro, mas me engasguei com a fumaça e desisti. Tudo era motivo para riso naquele dia. Bebemos tanto que eu nunca me lembrei o que houve em boa parte daquele noite. Nos divertimos muito, rimos muito. No dia seguinte algumas pessoas nos cumprimentavam e nos chamavam pelo nome, mas não fazíamos idéia de quem eram. Só ríamos com toda a situação.
Claro, mais uma tentativa frustrada. Eu acabava sempre cedendo ao medo e fugindo, para voltar logo em seguida pros braços dele e ficar ali, quieta, tentando convecê-lo de que ele ia se controlar.
No fim do dia voltamos pra casa. Eu e meu noivo, juntos.

2 comentários:
Essa cena foi cruelmente planejada. :-)
E o 'caçador' ainda tá solto por ai...
'¬¬
LÓGICO que eu sei disso...
E nem me lembra a segunda parte, ainda mais agora...
RS
Beijinhos!
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