terça-feira, 29 de setembro de 2009

Meu bebê, mamãe nunca deixará de te amar...


Dia 23 de fevereiro de 2007, uma sexta feira. Tinhamos chegado da Rússia no dia anterior, onde fomos padrinhos de casamento da minha prima Tanja. Eu havia ficado na academia até tarde revendo uma papelada atrasada pela viagem. Henry estava em uma outra viagem pelo time. Era a terceira desde que começamos a morar juntos. Quando dei por mim, já passava da meia noite e eu tinha que dormir.

Estava frio, eu estava com algumas blusas grossas que escondiam ainda mais a barriga de cinco meses, que já era pouco saliente. Nesse dia a Anikka estava mais agitada que o normal.

"Calma mocinha!! Assim você vai me machucar! A mamãe já está indo pra casa e o papai chega amanhã de tarde!!", eu dizia enquanto trancava a academia. Mas ela se agitava a cada sílaba que eu pronunciava, como se soubesse o que estava por vir.

Quando me virei para ir pra casa, me deparo com um sujeito trêmulo, apontando uma arma para mim. "Anda!! Abre logo essa porra e me dá a grana!!". Eu olhava e pela primeira vez na minha vida com muito medo, sem saber como agir. Só queria sair dali bem, pela criança que eu carregava. "Calma... Vamos conversar, tá tudo bem..." eu dizia enquanto levava a mão ao bolso para pegar a chave da academia. Mas acho que ele não pensou nisso.

Só senti a coronha do revólver bater na minha testa e tudo ficou turvo. Caí no chão. Então, sinto um chute na minha barriga e uma dor horrível. Eu sabia o que aquele homem tinha acabado de fazer. Por toda a dor que ele havia me causado, por todo o ódio que eu jamais imaginei sentir de alguém, meu instinto gritou. Enfiei meus pés entre os dele, fazendo com que ele também caísse. No mesmo instante chutei a mão dele para que ele largasse a arma. Ainda no chão nós brigamos, e eu bati nele. Aprendi a resistir à dor e continuar me movendo e lutando, mesmo com ela, nesses anos de prática de sambo. Só a dor emocional por saber o que ele acabara de fazer me dominava. Por cima dele, dava socos no rosto, na cabeça, no peito, onde meu ódio permitisse. Com algum esforço consegui me levantar e continuei chutando. Ele já estava desmaiado a algum tempo, mas eu não iria parar. Foi então que eu ouvi o barulho das sirenes, senti outras mãos em mim me tirando de perto daquele monstro. Escuto os policiais falando algo sobre ambulância, que eu também precisava e mais uma vez, tudo fica turvo. Mas desta vez eu cedi e desmaiei.

Acordei no hospital com a Charlotte de olhos marejados do meu lado e meu irmão do outro, sério como eu nunca havia visto. Começo a chorar, sentindo os pontos da cirurgia que acabava de retirar o corpo de minha filha de dentro de mim. Eles diziam algo sobre o Henry, que ele estava a caminho, que meus pais estavam vindo da Rússia junto com um dos meus tios que é médico, que os pais do Henry estavam chegando... Mas eu não ouvia... Só ouvia o choro e o riso de um bebê que eu nunca conheceria...

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