Antes de sair de perto, Daniel me recomenda ficar de olho na garota, e diz que ela é perigosa. Ele vai olhar como está o engenheiro mecânico que ele encontrou e pretende que o homem nos ajude. O homem está “instalado” no contêiner onde Miguel acordou.. Ficamos apenas eu e o Sr. Hagis no contêiner. Ele não parece muito disposto a conversar, mas eu preciso saber...
-Sr. Hagis... Como pretende trazer Ascelus aqui?
-Não, Khodasevich... Eu analisei e acho que você ainda não está pronta para isso. Pode ser muito perigoso. Para você e para nós também. Melhor você se aprimorar mais antes de tomar um passo destes.
Ok, sem mais nada a dizer. O Sr. Hagis diz que vai até o convés e me pede para que olhe a Srta. Collins também. Tudo bem eu olho, mas eu não pretendo sair de perto do Aleksei.
Depois de algum tempo, escuto uma voz fraca vindo de trás de mim. Olho e vejo um homem na casa dos quarenta anos de idade, amparado por uma muleta improvisada e com alguns tubos e soros pelo corpo. Deduzo que esse é o engenheiro.
-Senhorita... Por favor...
-Sim, senhor...?
-Joseph... Estou muito assustado para ficar sozinho... Posso ficar aqui?
-Claro... É o engenheiro mecânico, certo? O que houve?
-Sim, sou eu... Um homem... Acho que é um demônio... Queria minha alma... Ele se diz médico... Você não é um também, não é? – me olha assustado.
Não posso acreditar... Daniel não faz IDEIA de nada sobre energia ainda e já esta por ai querendo fazer pactos com as pessoas normais... E se isso matar ou incapacitar essas pessoas? Maluco, sem noção... Respiro fundo e tento amenizar a situação.
-Não um demônio, mas ele também não é um. Somos pessoas com algumas... “Habilidades fora do comum” que requerem energia para serem usadas, e essa energia tem limite, acaba... Ele devia estar querendo um pouco da sua para repor a dele, mas não soube explicar.
Ele me olha bem desconfiado e não diz nada. Parece que acreditou apenas em parte, não sei dizer. E nem quero saber, já que Aleksei começa a dar sinais de estar acordando. Eu começo a passar a mão no cabelo dele, chamando.
-Al... Acorda... Já ta tudo bem, eu to aqui com você... Acorda, Mano...
Ele abre os olhos lentamente e começa a olhar em volta, meio assustado.
-Onde eu to, o que houve? To num hospital?? Fui baleado?? Cadê a Charlotte?
-Bom... Não sei como explicar. Estamos longe de casa, a Charlotte deve estar bem, e você está bem agora. Não foi baleado... Foi... Seqüestrado... – agora é a hora em que ele tem um enfarte.
Por sorte ele não tem, mas tenta se sentar mais rápido na cama, olhando assustado para mim e pro lugar.
-E você? Também foi? Onde estamos? Quem fez isso, e por quê??
-Calma, Al... Eu não fui seqüestrada... E você não vai acreditar em como eu vim parar aqui, então...
-Se você não contar não tem nem como saber se acredito ou não. – já me olha com aquela cara de bravo que eu conheço bem. Ajudando-o a se levantar, me lembro da Srta. Collins.
-Espera... Tenho que ver outra pessoa, que estava nas mesmas condições que você. – e vou até o contêiner onde ela estava, deixando meu irmão com o engenheiro.
Abro a porta e a vejo de costas, num canto do contêiner. Os cachos do cabelo louro escuro dela ainda estão impecáveis, mesmo depois de ter ficado deitada sobre eles tanto tempo. É uma mulher muito bonita, e pude notar que ela se preocupa em estar bronzeada e em manter a forma enquanto a vestia, momentos antes dela acordar (eu não ia deixar que um dos rapazes fizesse isso, já que não ia gostar se fosse eu no lugar dela). Ela percebe a entrada de luz e vira um pouco a cabeça para trás.
-Srta Collins?
-Quem é você?
-Você não me conhece. Sou Shantel Khodasevich.
-Ah... Outra Khodasevich.
-Conhece meus pais também? – surpresa, já que ela não parece ser da “geração” que conviveu com eles na cidade.
-Não... – responde, sem o mínimo esforço para esconder que mente. E ela continua. – Onde estamos? Como vim parar aqui?
- A caminho do Ártico. Não sei como você veio parar aqui, sei que foi seqüestrada. Já adianto que eu não tive nada a ver com isso, apenas resolvemos acordar você e os outros quando encontramos vocês.
-“Vocês”? Quem mais está aqui?
-Eu, Lancaster, Erick e Rodriguez, que suponho que você não conhece, e que vieram comigo. Além de nós, meu irmão, Miguel e o Sr. Hector Hagis, que estavam em contêineres como você.
-Se não foram seqüestrados também, como estão aqui?
-Um anjo nos trouxe.
-Um anjo... As crianças nem sabem onde estão se metendo... Hector e Miguel aqui? Isso vai ser interessante. – posso ver um sorriso irônico no canto dos lábios dela, já que ela ainda está de costas com o rosto pouco voltado na minha direção.
-Venha comigo, Srta. Collins. Preciso ver meu irmão.
Ela se vira e caminha até mim, calmamente e apesar de toda a situação, ela se mantém muito segura de si. Quando saímos do contêiner encontramos Lancaster, sério e tenso.
-Shantel!! Cadê o engenheiro??? Tem alguma coisa errada com ele!!!!
-Como assim, Daniel?
-O capitão matou TODO MUNDO do navio quando tava possuído por aquela coisa. Só poupou os que são nexus, mas o engenheiro disse que não era nada disso, que nem sabia o que era isso!! Porque ele estaria mentindo se não tivesse que esconder alguma coisa??
-Ele veio falar comigo, e ele ta com o... ALEKSEI!! MERDA!!
Saio correndo. PRECISO ver meu irmão.

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