
Acho o telefone na agenda do meu celular. Em um tom debochado, escuto do outro lado da linha:
-Retífica Manson!
-Quem fala?
-Jack Manson. Quem é?
-Khodasevich. Tudo bem, Stuart?
-Ah... A garota que encomenda as coisas e esquece de buscar. Sou o JACK, estou bem sim, e vc?
-Aham, Jack, sei... Vivem se passando um pelo outro. Mas eu to bem! Preciso mesmo pegar minha pulseira com vocês, ela já está pronta?
-Há um tempão! Pode vir buscar quando quiser.
-Legal! E o que tem de almoço aí hoje?
-A mesma porcaria de sempre...
-Porcaria??? E tão ruim assim? E você vai comer isso assim mesmo?
-Você não faz idéia. Ta me convidando pra almoçar?
-Na verdade, estou ME convidando pra almoçar aí...
-Olha, acho que você não vai gostar mesmo da comida daqui... Não prefere um restaurante?
-Pode ser! Tem um muito bom na Boulevard Street , bem na esquina com Green Tree. Pode ser?
-Claro! Levo a sua pulseira!
-Te vejo lá em meia hora, Stuart!
-Jack. Ok, nos encontramos lá.
Pego meu carro e sigo lentamente... Acho que já cansei de ouvir buzinadas e palavrões dos outros motoristas...
Chego lá um pouco atrasada.
-Demorou...
-Desculpa... Trânsito complicado.
-Ah! Achei que ia dizer que estava de longe olhando o cara bonitinho encostado na moto!
-Mas você não esperou eu dizer tudo! Só disse o que estava pensando no EXATO momento em que você me perguntou. A frase toda era “Droga!!! Podia estar aqui de longe olhando esse cara bonitinho encostado na moto, mas estava no TRANSITO COMPLICADO!” Erm... Colou? – sorrio. Ele ri de volta.
-Vou fazer um esforço enorme pra colar, ok?
Ele se surpreende com o restaurante russo que escolhi, diz que só entrega a pulseira depois do almoço. Nos sentamos, olhamos o cardápio em russo. Explico pra ele sobre os pratos e sugiro um, que ele aceita. Ele me entrega a pulseira e me ajuda a colocá-la. Uma corrente de moto. Até estilosa.
Durante a conversa descubro um pouco sobre ele, ele descobre um pouco sobre mim. Me pergunta porque do meu atraso. Conto para ele do acordo com o espírito aranha. Ele se surpreende, me pergunta se eu faço idéia do que aquilo significava. Eu digo que não e ele me conta:
-Cara, você anda pelo lado de lá sem querer e ainda fica fazendo acordo com espíritos? Sabe o que vai acontecer? Sabe esse seu processo de agressão? Vai se declarar CULPADA no seu julgamento! Você vai PEDIR para ser presa. Só se livrando desse acordo pra não fazer isso. E como se livrar... Eu não faço idéia.
Além de descobrir que estou completamente ferrada porque se o que ele estiver falando for verdade – e deve ser - eu vou acabar entregando o Henry, descubro também que apesar de idades próximas eles já estão nessa há seis anos. Já têm seus aliados, inclusive me diz pra tentar me enturmar com quem está se descobrindo agora, como eu. Eles não conhecem ninguém que possa me ajudar.
Contou que ele e o irmão têm uma espécie de elo empático. A condição física dos dois é exatamente igual, tanto que se um faz algum exercício e ganha massa, ela some se o outro não tiver se exercitado. Claro, não dizia uma frase inteira sem me passar uma cantada. Eu sorria e correspondia quando convinha. Ou seja, quase sempre... E a essa altura, ele já tinha desistido de me convencer que ele era o Jack. Pra mim não fazia diferença, eu sabia que nunca ia aprender a diferenciar os dois. Afirmava que ele era o outro irmão só por brincadeira mesmo.
Eu realmente me sentia livre para me envolver com outras pessoas, tinha essa vontade até. Não havia esquecido Henry, mas agora era um momento meu. Estava bem assim.
Quando saíamos do restaurante, ele se despediu de mim. Sorri e disse, em tom de provocação:
-Você deve ter algo muito interessante pra fazer agora...
-Na verdade, estou dando uma de difícil!
Eu não disse mais nada. Peguei a gola da jaqueta dele e o levei até meu carro. Ele, rindo disse:
-Ok, desisto, você é muito boa...
Ele até pensou em dirigir, mas eu me sentia muito incomodada com pessoas dirigindo sem respeitar as leis de trânsito.
Ele ficou mais surpreso ainda quando viu os cds do Iron, AC/DC, Rammstein, Pink Floyd, Korn, e coisas do gênero, no porta cd's no meu carro
Calmamente, seguimos para um motel. Eram duas da tarde...

2 comentários:
Safada. u.u
Safada não...
Esperta.
E boa...
uahsuahsuahuahuahsuasa
Beijinhos!
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