
Não sei se era o fato dele não se cansar (ele contou que se o irmão não cansa, ele também não cansa. Cara perfeito?) ou se ele realmente era bom naquilo. A verdade é que eu estava me divertindo muito. Mas EU não tenho uma irmã gêmea que segura minha onda e precisava dormir. Ele percebeu. A gente se divertiu mais um pouco e ele me puxa pra dormir no peito dele. E eu durmo mesmo.
Acordo no quarto de lady Ascelus novamente. Sozinha. Chamo por Zós, que prontamente atende.
-Sim, lady Ascelus.
-Voltei para cá... Ainda não entendo nada disso...
-Seu fascínio pelos humanos costuma lhe deixar assim. E esse fascínio eu não entendo.
-Voltei para cá... Ainda não entendo nada disso...
-Seu fascínio pelos humanos costuma lhe deixar assim. E esse fascínio eu não entendo.
Me levanto e me aproximo de Zós, sempre escondido nas sombras. Ele me observa.
-Eles sentem, Zós. Eles amam.
-Amor? Não faço idéia do que seja. Isso diz respeito ao deus amor.
O pego pela mão e o trago para onde as rosas o iluminam melhor. Eu poderia dizer que era Jonothan, o que faria um grande sentido. Ele se surpreende muito com meu toque, mas se assusta muito mais quando eu toco os lábios dele com os meus.
-Lady Ascelus, que sandice é essa? Não tem consciência do que acaba de fazer? Sabe-se lá o que pode ter sido criado no mundo dos homens com esse seu ato insano!
Me afasto dele, envergonhada.
-Desculpe-me, Zós! Mas é disso que eu falo! Eles podem se tocar, se beijar, se amar! Eles tem escolha. Isso que nós temos aqui não é vida!
-Não vivemos aqui, lady Ascelus. Apenas existimos. – ele diz, com o mesmo tom de voz calmo de sempre, como se eu não houvesse feito nada preocupante.
-Exato, Zós. É o fato dos humanos VIVEREM que me encanta...
-Exato, Zós. É o fato dos humanos VIVEREM que me encanta...
Segue um silêncio. Me lembro da Rosa das Emoções, do meu contado com Chambers. A jóia do leilão foi criada por mim... Irônico, não?
-E a jóia que criei, Zós? Como estão as coisas a esse respeito?
-Resolvidas. A família do deus das memórias se responsabilizou pelo caso e já enviaram alguns capacitados para dar fim à ela.
-Ótimo. Tem alguma noção do que podemos ter criado agora?
-Não faço idéia, milady.
Me lembro do meu acordo e das conseqüências que ele poderia ter. Precisava resolver aquilo rápido, e talvez Zós soubesse como.
-Zós. Preciso ajudar Shantel. Ela fez um acordo com espíritos aranha e precisa ser liberada dele.
-Aranha? Não creio possa fazer algo diretamente, milady.
-Com quem eu falo então?
-Com o deus aranha. Mas duvido que teu pai permita que saia de vossa corte. Convide-o para um jantar.
-Como faço isso?
-Não sei sobre etiqueta entre as cortes. A minha corte é diferente da tua. Converse com tua irmã Iti. Ela está nos aposentos dela.
-Como chego lá?
-Como se chega em qualquer lugar deste castelo, milady. Desejando. Apenas deseje chegar até ela enquanto caminha.
-Obrigada! – Com um sorriso me despeço e vou ao encontro de minha irmã.
Ao me aproximar do quarto dela sinto frio. A vejo, com longos cabelos quase brancos, mesmo tom de pele de todos daquele lugar e olhos mais azuis que os meus, tocando uma belíssima harpa. Tudo em volta dela está coberto de neve. Ela sorri quando me vê e diz que eu não aparecia por lá há tempos, que meu fascínio pelos humanos me fazia fugir e com isso eu não podia tocar minha flauta com ela. Sorri quando eu digo que estava com frio e diz que eu já devia estar acostumada pois ela é o inverno, assim como eu sou a rosa.
Vou direto ao assunto e pergunto como convidar o deus aranha. Bastante pratica, ela diz que não sabe o que um deus aranha come e com isso um jantar ficaria inviável. Ela não pode ir até lá, já que aranhas não gostam de frio. Nem de fogo, como nossa irmã mais velha. Além do que, a deusa do fogo não concordava nem um pouco com minhas fugas e nunca me ajudaria por um humano. Nossa irmã mais nova ainda era muito imatura para que eu a colocasse no meio de minhas histórias com os humanos.
Legal, tenho irmãs! A melhor parte é que descubro tudo de uma vez só. E não me dou bem com uma delas... Muito bom!
Mas minha irmã me explica que para Shantel - ou melhor, eu - me livrar do acordo basta eu me sentir livre dele. Quando achar e sentir que já paguei o preço justo pelo favor que me fizeram, estou livre de cumprir o acordo, e isso não causaria nenhum mal. Como ela mesma disse:
-Se eu decido que só tenho amigos que gostem de rosas, só vou conviver com pessoas que gostem de rosas, certo? Se uma dessas pessoas deixar de gostar de rosas, eu deixo de ser amiga dela. Simples! É assim que funciona!
Agradeço e mais uma vez, tenho que explicar o porquê do meu fascínio pelos humanos. Mais uma vez não entendem. Quando comento sobre demonstração de carinho, ouço algo como “pra que isso serve? Isso é coisa do deus carinho, não precisamos disso!”.
Cada vez mais entendo o fascínio de Ascelus pelos humanos. Talvez por isso eu seja tão impulsiva. É ela querendo viver a minha vida.
Desejo e volto ao meu quarto. Preciso voltar para Shantel, na verdade. Me deito e adormeço.

3 comentários:
Essa irmã é "reload". rs
É??
De onde?? Heheheh
Não é o Al feminino não, né? hehehe
Beijinhos!
DUH!!
Lembrei de onde!!!
*-*
Bunitiiiiiiiinha!!!!
(ela, LÓGICO)
Hehehhehehe
Beijinhos!
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