
Acordo com Zós me chamando, voz tensa.
-Lady Ascelus, acorde!! Preciso que venha comigo, rápido!
Abro os olhos e ele está de pé na minha frente, usando uma armadura de pétalas negras bem parecida com a de Ízidur. Ainda confusa, pergunto:
-O que está acontecendo?? Porque preciso ir?
-O castelo está sob ataque, milady. Preciso garantir sua segurança.
-Mas e você?
-Eu irei lutar pelo reino de Drista, o reino de seu pai.
-Zós... Você vai ficar bem?
-Vou fazer o possível, milady.
-Mas se você partir, quem irá zelar por mim?
-Muitos outros, até melhores que eu, morreriam pela honra de protegê-la.
-Mas eu não quero ninguém além de você para isso, Zós. Ordeno que volte.
Ele me olha sem entender. Estende a mão para mim e diz:
-Vou fazer o possível, milady. Agora vamos.
Dou a mão a ele e ele me puxa para as sombras. Tudo muito escuro, uma escuridão quase palpável. Em segundos estamos no meio das florestas de Drista.
-Zós, quem está nos atacando?
-Seu pai tem muitos inimigos, milady.
-Pra onde vou?
-Para a vila de Drista. Lá existe uma porta para o mundo dos humanos, lugar que você conhece melhor que muitos de nós. Creio que estará segura lá. Peça para algum habitante da vila te guiar até a porta. Corra! Eu preciso ir. As sombras estão agitadas.
Eu corro na direção que ele mostra o mais rápido que posso. Logo chego à vila, com seus habitantes que se pareciam comigo, da “minha espécie”. Alguns me reconheciam e reverenciavam, outros quase não me viam, cuidavam de suas vidas.
Escuto um barulho de ferro batendo em ferro, que vinha de uma casa de porta aberta. Entro e vejo um homem, um ferreiro, de costas para a porta, forjando algo.
-Com licença, senhor!
Ele para, me olha com expressão dura mas indiferente.
-Isso não é lugar para uma princesa.
-Eu preciso estar aqui. Na verdade, preciso sair daqui. Ir para o mundo dos humanos, mas não sei onde fica a porta.
-A princesa que esquece seu próprio reino em função dos humanos não sabe onde fica essa porta?
-Não, não sei... Quem é você?
-Desolação. Forjo espadas com o ferro de seu pai. Vai mesmo passar pela porta? É perigoso demais para alguém como você. – e volta a forjar o instrumento.
-Eu preciso. Sabe onde fica?
-Terceira casa á esquerda, vai estar com portas abertas também. Fale com Ilyanor, ela lhe mostrará a passagem.
-Obrigada!
-Já que vai, lady Ascelus, é melhor que leve isto. A Bebedora de Almas.
Ele me entrega a arma que forjava. Não consigo identificar qual é o metal, mas me parece prata. Brilha muito. Ela parece ser forjada em uma única peça. Seu pomo é uma grande rosa, completamente desabrochada, seu cabo revestido por muitas tiras finas de couro curtido e emaranhado que se parecem com caules de roseira entrelaçados. O guarda-mão é feito com quatro rosas que começam a desabrochar, quase botões e de entre elas se projeta a lamina. O ‘chappe’ tem a base em cruz, projetando duas laminas cruzadas, mas a lamina extra é mais curta e se afina até desaparecer na lamina principal, cerca de 20cm depois do cabo. Desse ponto surge um vinco largo onde o metal é escurecido e possui inscrições em um idioma desconhecido e de aparência enoquiana. Seus dois fios são iguais e a ponta da espada se projeta prematuramente dando aparência perfurante. A lamina paralela é solida e tem as características de ‘forte’ em ambas as direções. É simplesmente linda. O nome me assusta.
Agradeço e vou até onde ele me indicou.
Ilyanor costurava quando entro em sua casa. Ela me reconhece e reverencia. Pergunta sobre vestidos, se estou ali para fazer mais algum. Quando falo sobre a porta, ela se assusta.
-Mas lady Ascelus, é perigoso demais!
-É necessário, Ilyanor.
Ela compreende e vai até um armário.Quando percebo a dificuldade dela em move-lo, a ajudo. Ele revela uma saída escavada na parede, com uma escada e uma luz dourada no fundo. Ilyanor me acompanha até um certo ponto da escada e volta, dizendo:
-Por favor, tome cuidado, milady!
-Sim! Obrigada!
Desço às pressas e me surpreendo quando percebo de onde vem a luz. Era uma fênix enorme, bem à minha frente. Me volto para a escada e pergunto, na esperança que Ilyanor ainda me escute, se iria ser atacada. Para minha surpresa maior, quem me responde é a própria fênix:
-Eu tenho um nome, Ascelus. E sim, irei te atacar se você estive aqui para atravessar a porta.
-Eu não quero brigar, mas preciso atravessar. E me perdoe por esquecer seu nome. Eu não ando me lembrando de muita coisa ultimamente.
-Sim, muito tempo no mundo dos humanos faz isso. E você fica mais lá que em seu próprio reino, com seu povo.
-O castelo de meu pai está sob ataque, preciso me proteger em algum lugar que conheço. Por isso preciso passar, e para continuar em segurança, não quero ter que enfrentar você.
-A minha função é proteger a porta, você não vai passar por mim sem luta. E me diga, onde está seu guardião? Ele deveria lhe manter segura
-Foi ele quem me disse para ir ao mundo dos humanos.
-O que ele pretende? Uma volta triunfal de uma das princesas, depois que o reino estiver destruído, para restabelecer as coisas?
-Não sei o que ele pretende, mas confio nele. Por isso preciso passar.
-Como pretende passar por mim? Com sua falsa autoridade da família real? Não me submeto à isso, não me impressiona.
-Eu, em algum momento, tentei lhe impor algo parecido com isso? Mas se não houve mesmo alguma forma pacífica de passar pela porta... Serei obrigada a usar isto. – ergo a espada, que antes mantinha presa às minhas costas por uma fita de meu vestido. A fênix olha surpresa, quase assustada.
-Se vai levar isso com você, eu lhe deixo passar. E que a Bebedora de Almas nunca mais volte.
Ela abre suas asas enormes e revela a passagem. A fênix era a porta. Uma luz forte me cega.
Acordo no meu quarto, o de Shantel. Abro os olhos e vejo a Bebedora de Almas cravada em minha cama, entre minhas pernas. Não posso acreditar...

2 comentários:
Ainda tem muito o que se falar de Drista. *.*
Lugarzinho do amor.
Uhaushaushuasa
Sim, vai ser ainda mais "do amor" quando o Lucas descobrir q a Shan é de lá! uashuahsuasa
Beijinhos!
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