
Estava diante de um grande castelo, numa noite nebulosa. Aos poucos percebo que ele tem a forma de uma árvore de pedra, vários blocos de cor vinho dispostos em espiral. A folhagem daquela árvore eram as torres do castelo. Muitas torres, da mesma pedra vinho. E rosas. Muitas rosas, de todas as cores, se enrolavam nos portões do castelo, que se abriram para mim. Eu entro.
Num grande salão, vejo quatro pilastras cobertas por rosas. Ao fundo, um único grande trono, com um homem de pele azulada e cabelos brancos, não por idade, mas por serem brancos. Ele possui uma expressão tensa, me olhando. Do lado direito, em pé, três mulheres idênticas, com um véu na cabeça. Ela também tem pele azulada e cabelos vermelhos. Ao lado esquerdo do trono, um cavaleiro medieval de cabelos vermelhos também. Mas sua armadura era feita grandes placas de pétalas de rosas negras, e ele se apoiava numa espada larga. Todos me olhavam.
Me aproximo e reverencio o homem do trono, que se dirige à mim.
-Ascelus... Não acredito que fez novamente! Já lhe proibi de sair! Essas suas fugas me tiram do sério!
Sem entender, eu tento manter a conversa. É um sonho muito real, mas ainda um sonho...
-Perdão, senhor... Não o farei mais. Eu não me lembro de nada, não sei nem porque fugi, como me dizem...
-Acho bom que não faça mesmo! Ah... Muito tempo no mundo dos homens, é isso que acontece! Izidur, leve-a para seus aposentos e garanta que ela não fugirá de novo.
O cavaleiro se posiciona atrás de mim e espera que eu ande. Me viro para ele.
-Desculpe, mas não me lembro onde ficam meus aposentos. Poderia me guiar, por favor?
E ele me guia. Na ante sala do “meu quarto” eu vejo nove caixões de cristal, apenas um vazio.
Nos outros estou eu, adormecendo, em várias etapas diferentes da vida. Meu rosto e corpo, mas todas com o mesmo tom de pele azul e cabelos verdes. Mais velha em uns, mais nova em outros. Aponto o vazio.
-Não vou ter que entrar ali, não é?
-De forma alguma, lady Ascelus. Seus aposentos são estes. – e abre uma grande porta.
Lá dentro vejo um quarto tipicamente medieval, quase todo tomado por rosas, em todas as pilastras, paredes... Lindo... As rosas pareciam emitir luz própria... Tudo ali era feito basicamente das pedras vinho e de rosas... Um cristal enorme como espelho. Descubro que também tenho a pele azulada e longos cabelos esverdeados...
-Izidur... Eu sou Ascelus?
-Sim, milady... – ele parece surpreso com a pergunta. Ao se retirar, completa – apenas descanse...
-Sim, obrigada.
Me deito naquela enorme cama e começo a pensar no que houve. As WhiteWood agiram? Eu cheguei a falar com Jacqueline ou foi só mais uma de Chambers? Henry... Meu Deu, Henry... O que aconteceu??
E uma voz vinda das sombras me responde:
-Sabes que não foi nada disso.
Olho, e com um pouco de dificuldade vejo um homem todo vestido com roupas épicas negras, olhos e cabelos bem negros.
-Quem é você?
-Seu guardião, Lady Ascelus. Zós.
-Meu guardião?
-Sim.
-O que somos nós? Deuses?
-Não sei, milady... O que seria um deus? Alguma concepção criada pelos homens?
-Um ser superior, com capacidade de criar coisas a partir do nada...
-Seu pai, Lord Condor, se encaixaria nessa descrição. E vendo desta forma, sim, poderíamos dizer que somos deuses.
-Então me diga Zós... Se não foi nada daquilo, o que foi?
-Como lady Ascelus, você pode ordenar que sua vida humana se lembre do que aconteceu de verdade.
Me concentrei. Era como se visse dois filmes ao mesmo tempo, um sobrepondo o outro, mas muito nítidos. E descobri toda a verdade. Sem acreditar, me deitei, abatida.
-Por que, Zós?
-Lady Ascelus, não saberia explicar. Chambers é a forma humana do deus da memória, mas não o sabe. Como você é Ascelus e Shantel.
-Como vai ser agora?
-Shantel saberá diferenciar.
-Tudo bem. Você também está lá, comigo, quando sou Shantel?
-Claro, lady Ascelus. Quando lady Ascelus eu sou Zós. Quando humana, assumo alguma forma parecida para poder cuidar de ti.
-Para onde vai agora?
-Tenho que resolver um assunto importante. O simples fato do toque entre Shantel e Chambers gerou uma peça única no mundo dos homens, capaz de manipular emoçoes.
-Peça? Que peça? Só UM TOQUE?
-Sim. Para nós é assim que as coisas acontecem, milady. Esse toque gerou uma jóia de pedra, em forma de rosa. No mundo dos humanos chamam-na de "Rosa das Emoções"
-Então vá, Zós. Perdoe-me por isso.
-Não tem que pedir perdão por nada. Apenas descanse.
E assim eu fiz. Adormeci no sonho, na esperança de acordar na realidade...

2 comentários:
Tu esqueceu de tar título também... rs
Corrigido!
Hehehe brigadinha!
Beijinhos!
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