
Acordo no meu quarto. Agora tudo, mas tudo mesmo, faz sentido...
Quando fui atacada pelo ladrão e perdi Anikka, Henry estava em casa, mas a polícia pegou o cara. Meu irmão interceptou o carro e entregou o cara ao Henry. Que o matou. Aleksei arrumou outro bandido com uma ficha criminal extensa para colocar a culpa e me livrar da acusação de homicídio, Afinal a policia havia ME visto batendo no cara. Com o tempo eu vi que tinha algo estranho e pressionei Henry, que me confessou. Aleksei sempre se fazia de desentendido quando eu falava com ele, mesmo dizendo que já sabia de tudo pelo próprio Henry.
Nos meses seguintes eu e Henry não conseguimos ficar bem. Ele tem muito medo do que ele pode fazer, depois de ter sido capaz de matar um homem. E por mais que eu dissesse que ele havia feito aquilo por mim, ele não cedia, dizia que era o temperamento dele, a fúria que ele sentia. Em junho de 2007 nós terminamos e ele se mudou do loft.
Tivemos algumas recaídas, afinal era ele o meu sócio na academia, nos encontrávamos sempre. Mas não conseguíamos ficar mais de uma noite juntos. Eu sabia que ainda nos amávamos, mas já não havia espaço para continuarmos.
O sentimento estava brando pela distância de quase um ano. Conseguíamos tocar nossas vidas, até ficávamos com outras pessoas mas nunca foi nada sério nem pra mim, nem pra ele. Até uma ex dele foi na academia, só pra me encher...
Fora tudo isso, as coisas não foram muito diferentes. Eu não sabia se o Henry já tinha descoberto quem ele realmente era. Talvez ele só fosse naquela memória... Não, não era só ali.
Na ocasião da visita à casa da srta. Borlins ele estava presente e tudo aconteceu como eu me lembrava. Encarou o sr. Ausbury, meteu medo em mim, ouviu as mesmas coisas do companheiro da srta Borlins. Ele foi comigo porque estava sem carro e eu o deixaria no treino já que ele ainda era um jogador de rúgbi, até mais famoso que “antes”. Por isso também a academia estava mais cheia. Sócio famoso faz bem pros negócios.
O dia 17 de abril nunca tinha existido. Foi outra do Chambers.
Sim, era aquela a verdade... Era o que eu sentia, apesar das duas memórias estarem muito nítidas e reais em mim. Tanto quanto aquele sonho.
Se aquele sonho era real, então... Eu sou alguma deusa? Por isso eu tenho essa “certa resistência” à manipulação do Chambers?
Tá, e por que querem fazer isso com a minha família, por que fazer todo mundo esquecer o que realmente são, por que tentar me impedir de lembrar???
Agora só quero ver o Henry. Ver o que sinto olhando nos olhos dele. Aquela paixão desenfreada não pode ter sumido assim, do nada... Eu sei que já estamos separados há algum tempo, e talvez por me sentir como me sinto nesse momento em relação à ele que tenha tanta certeza disso...
Ligo pra ele, pergunto se vem à academia. Como ele tem um jogo na terça feira, malhar num sábado antes do treino não dá. Desgasta demais. Tudo bem normal. Desligamos.
Mas eu ainda preciso vê-lo. E eu sei onde ele mora.
Chego sem dificuldades. Reconheço o porteiro, ele me reconhece, me anuncia, e eu subo pelo elevador. Porta do apartamento fechada. Fico tensa. Toco a campainha. È ele quem abre a porta e me convida a entrar, me olhando de um jeito terno e tímido. Me cumprimenta com um beijo tímido mas íntimo, no rosto.
-Ei... Eu tava arrumando minhas coisas, tenho treino agora... Ta tudo bem?
Noto a bolsa que ele leva pro campo sobre o sofá.
-Sim, ta tudo bem... Eu passei aqui pra ver como você está.
-Eu to bem... Mas você pelo visto não. Que foi?
-Não, to sim. Só tava preocupada com você. Não queria incomodar e nem te atrasar. Desculpa. – falo sorrindo. Ele me responde sorrindo também.
-Shan, para... Você não me incomoda. Mas agora quem fica preocupado sou eu, né.
-Não se preocupa, ta tudo bem. De verdade. E eu já vou, não quero atrasar você.
Sigo para a porta e ele vem comigo. Antes de abrí-la, ele me abraça forte, não ultrapassando os limites da amizade, mas deixando claro o que ainda sentia. Entramos calados no elevador e assim ficamos até eu descer. Ficamos nos olhando até aporta se fechar, comigo já no térreo e ele seguindo para a garagem.
Ele estava bem, eu estava bem. Nos amávamos, mas a distância nos fez seguir com nossas vidas. Simples assim.
Então, recapitulando:
Meu sócio na academia sempre foi o Henry.
Henry mata aquele cretino, se sente tão mal que não conseguimos conviver e nos separamos.
Aleksei finge não saber de nada.
Tenho uma bandinha de garagem com o Black Dog na bateria, Marrie no teclado, Carlos no baixo e eu na guitarra. A gente toca ás vezes em uns pubs, por pura diversão.
Eu conheci mesmo Jonothan. Nosso “primeiro encontro” não foi na loja de vestidos de noiva mas sim enquanto eu olhava uma vitrine. Vi seu reflexo por trás de mim e ele não estava lá. Depois foi tudo como eu “me lembrava”.
Foi ele quem me mandou falar com o louco do médico, que cortou mesmo um dos gêmeos. E sim, eu levei o Henry ao hospital numa noite em que ele passou mal, e o doutor reagiu daquela mesma forma.
Eu pedi mesmo a pulseira de ferro puro para os gêmeos, pelos mesmo motivos, eu passeava sem querer do outro lado.
Fui à casa da srta. Borlins para falar sobre mim, sobre quem eu era.
A primeira vez que fui intencionalmente para o outro lado foi para tentar descobrir sobre aquele homem de olhos azuis que invadiu minha casa durante abriga com Amélia, depois do incidente em que ela o matou.
Sim, fiz o MALDITO acordo com a aranhas de respeitar a cidade em todas as suas formas...
Ok... Agora preciso voltar à minha vida enquanto tento descobrir quem eu sou de verdade. E principalmente porque estão tentando me fazer esquecer disso. Preciso de aliados. Jovens.
Os gêmeos! Devem estar tão frescos nessa história quanto eu. Eu tenho que buscar a pulseira que eu pedi e afinal de contas... Dessa vez estou solteira.

2 comentários:
Uma coisa que vale a pena lembrar...
O Chamber começou isso, ou... ta tentando terminar?
Hmmm...
Boa pergunta... eu/Shantel ainda não havia pensado nisso...
Vamos ver se eu/ela achamos sentido nisso daqui pra frente... Rs
Beijinhos!
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